Fernando Haddad e as “tentações” dos financiamentos de campanha

Ontem, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participou do programa “Na sala do Zé”, exibido no canal de youtube “Ultrajano”, de responsabilidade do jornalista José Trajano.
Em determinado momento, o petista foi questionado pelo convidado JB:
“Prefeito, existe doação sem contrapartida ?”
A resposta foi esclarecedora.
Disse Haddad:
“(doação) eleitoral ? Eu acho que depende de como você conduz a sua campanha… mas eu te diria, com toda a segurança… no formato anterior, do financiamento empresarial, poucos políticos conseguiriam fugir a determinados compromissos.”
“Eu participei de uma eleição, que foi a última… a penúltima, na verdade, financiada por empresas…a última no plano municipal, a última no plano nacional foi em 2014… a de 2016 já foi proibido o financiamento empresarial.”
“Uma benção, terem proibido… porque é muito difícil você se manter firme, ao longo de uma campanha, sem sentar com um empresário, com uma dívida que só cresce ao longo da campanha, você se manter firme e falar: “olha, não vou assumir compromisso que coloque em risco o interesse público…”
“Você já imaginou a solidez que uma pessoa tem que ter para enfrentar uma campanha sem sofrer a tentação ?”
“Por isso que o financiamento empresarial tinha que ser proibido desde sempre… finalmente o Supremo proibiu”
Infelizmente, após a resposta, o rumo das perguntas alterou-se, e Haddad, que recebeu doações milionárias de campanha, entre as quais de empresas investigadas, pela “Lava-Jato”, por exigirem as referidas contrapartidas, não foi questionado se, em sua campanha a Prefeito de São Paulo, “conseguiu fugir a determinados compromissos”, se “manteve-se firme”, se falou a algum empresário que não assumiria procedimentos que colocassem “em risco o interesse público”, e, principalmente, se teve “solidez” para enfrentar uma campanha “sem sofrer a tentação” ou, ainda, se conheceu outro político, de seu convívio, que por ventura enfrentou, sem fraquejar, problemas semelhantes.
