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O Brasil dançou, mas há de chegar o dia em que a corja vai dançar também

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

O jogo foi acirrado na sexta (9) e, com uma pontinha de esperança, acompanhamos lance a lance, de olho no placar, torcendo com o coração. Quisemos acreditar que venceria o melhor, que a justiça seria feita, mas nossa defesa falhou.

Essa derrota que o brasileiro amarga hoje lembra um tanto o gostinho azedo da Copa de 1982, quando nossa seleção era um timaço.

O amistoso do Brasil contra a Argentina? Ninguém falou, pouca gente viu, ainda mais porque a TV Globo, parceira da CBF durante anos, além de não ter transmitido, ignorou solenemente o jogo. Bem feito.

Todo mundo estava mais preocupado com o placar do julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral. Terminamos a semana ovacionando um baita atacante que foi revelado, o ministro Herman Benjamim, relator do processo. Que craque, senhores, que craque. A cada final de sentença, sentia vontade de gritar “goooooool”.

É nesse Brasil de Herman Benjamim que os brasileiros merecem viver. Não queremos mais ser a nação da “Bola Fora”, essa que no mesmo dia viu um mandado de busca e apreensão ser cumprido pela Polícia Federal na residência do vice-presidente da CBF Gustavo Feijó e que prendeu Felipe Feijó, presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF) por posse ilegal de arma. O sobrenome não é coincidência. Trata-se de Bob Pai e Bob Filho.

Bola Fora é o nome da operação que investiga caixa 2 na campanha eleitoral de Gustavo em 2012 à prefeitura de Boca da Mata (AL). Adivinhem de onde a PF afirma ter saído a bagatela de R$ 200 mil que ajudou a eleger o cartola? Das burras da CBF com aval do presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, que aparece numa troca de e-mails, segundo as investigações.

Feijó não é um qualquer, claro. Ele foi o chefe da delegação brasileira na Olimpíada. É uma boa notícia, porque dá uma baita esperança de que parte de nossas instituições estejam funcionando e chegando perto de quem mais interessa.

A outra boa notícia é que a operação Bola Fora é um desdobramento da CPI do Futebol, que começou em 2015 e, como sabemos, acabou arquivada. Mas quero acreditar que a PF não é boba nem nada, joga pelos cantinhos e logo mete um golaço que o país inteiro vai comemorar.

Sobre o Brasil e Argentina, perdemos de 1 a 0. Mas o pior são os bastidores. A entidade pagou para transmitir o jogo por TVs públicas e pela internet. Cerca de 150 mil pessoas assistiram à partida ao vivo, que até sexta à noite tinha sido vista por quase 2,9 milhões de internautas. E não adianta dizer que para internet o resultado foi bom. Não foi. O clipe “Paradinha”, da cantora Anitta, lançado na semana passada, já teve quase seis milhões de visualizações. Que fase, hein, CBF?

Esse pessoal se acha muito esperto, mas faz cada coisa e depois reclama quando a imprensa fala mal.

Não bastasse a torcida do locutor e dos comentaristas contratados, dando aquele clima festivo de pelada de fim de ano da firma para agradar os donos, o “repórter” em campo era assessor de imprensa da entidade. Perdi a noção de quantos gols em apenas um jogo a CBF fez contra a própria seleção.

E segue o baile. Sexta foi o dia em que o Brasil dançou, mas há de chegar o dia em que a corja toda vai dançar também. Na política e no esporte.

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