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Andres Sanches e Odebrecht delataram cobrança de propina do promotor. Haddad conversou com o blog

(…) não posso declinar os nomes publicamente, apesar de tê-lo feito ao corregedor do MP, que sabe quem são… mas, você sabe, nesse negócio do estádio, não tem Corinthians ou Odebrecht, tem Corinthians e Odebrecht… em todas as revindicações eles sempre estiveram juntos”.

“Não comportei-me como o Michel Temer, que escutou revelação de crime e ficou calado…”

(Ex-Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad)


Repercutiu durante todo o dia de ontem a entrevista concedida pelo ex-Prefeito Fernando Haddad (PT) à revista Piauí dando conta de que denunciou à Corregedoria do MP-SP suposto pedido de propina do promotor Marcelo Camargo Milani para retirar processo que inviabilizaria a venda dos R$ 420 milhões em CIDs, concedidos pela Prefeitura na gestão Gilberto Kassab, ao Corinthians, para facilitar o pagamento do estádio de Itaquera.

Muitas questões, porém, ficaram sem resposta.

Quem delatou o promotor a Haddad ? A Corregedoria apurou ? Em que pé estaria o inquérito ?

É fato que o ex-presidente do Corinthians, nos bastidores do clube, em conversa com associados e conselheiros, afirma ter partido de sua iniciativa a delação, história esta contada até como desculpa para explicar as dificuldades de comercialização dos CIDs.

Levando-se em consideração que somente duas pessoas falavam pelo clube com a Odebrecht sobre as obras do estádio e que somente uma delas era próxima ao ex-Prefeito, exatamente Andres Sanches, a informação faz todo o sentido.

No intuito de esclarecer o episódio, enviamos questionamentos aos envolvidos.

Em nota, a Corregedoria do MP respondeu:

“A Corregedoria-Geral do Ministério Público de São Paulo informa que existe um procedimento para apurar denúncia a que se refere o ex-prefeito Fernando Haddad na revista ‘Piauí’. Nos próximos dias, o ex-prefeito será intimado para ser ouvido na Corregedoria.”

Procurado, Andres Sanches foi lacônico:

“Me esquece”

O Corinthians, que é gerido pela chapa “Renovação e Transparência”, preferiu não ser transparente, recusando-se a comentar.

A Odebrecht também se calou.

Por telefone, falamos com a fonte principal das denúncias, o ex-Prefeito Fernando Haddad, que, nas entrelinhas, revelou o que não pode, por razões óbvias, explicitar:

“Eu fui procurado pelos denunciantes, que estavam com medo de represália do Promotor (Milani). Eles contaram-me o que revelei na Piauí: a cobrança de R$ 1 milhão para retirada da ação sobre os CIDs e, como gestor público, cumpri minha obrigação, revelando o que escutei à Corregedoria do MP.”

“Não comportei-me como o Michel Temer, que escutou revelação de crime e ficou calado…”

“Para me calçar, cerquei-me de testemunhas, que escutaram também os relatos”.

“Eu não tenho provas de que o Promotor pediu vantagens, apenas contei à Corregedoria o que escutei, para que eles investigassem, tomassem providências”.

“Os denunciantes também não mostraram provas, apenas contaram ter recebido a proposta de R$ 1 milhão do promotor”.

“(questionado se Corinthians ou Odebrecht teriam delatado) não posso declinar os nomes publicamente, apesar de tê-lo feito ao corregedor do MP, que sabe quem são… mas, você sabe, nesse negócio do estádio, não tem Corinthians ou Odebrecht, tem Corinthians e Odebrecht… em todas as revindicações eles sempre estiveram juntos”.

“Não tenho proximidade… eles (Odebrecht) ficaram nervosos comigo porque vetei a recompra dos CIDs e a obra de uma ponte durante minha gestão”

“Você percebeu que parte da delação da Odebrecht sobre o estádio está mantida sob sigilo ? Talvez este caso do Promotor esteja delatado por um dos executivos da empresa…”

“Tudo o que sei contei à Promotoria e também à Piaui… até onde sei o valor de R$ 1 milhão, segundo os denunciantes, não foi pago ao Promotor.”

“Esse promotor, que soube quem era apenas no dia em que recebi a denúncia, desde então me persegue, quando, até pelo cargo que ocupa, deveria entender que não tinha alternativa… passava o caso adiante (para apuração) ou cometeria crime de prevaricação”.

O próprio deputado federal Andres Sanches, intramuros, revela ser um dos denunciantes, enquanto Haddad utiliza-se sempre de plural para falar sobre as pessoas que revelaram-lhe as informações, o que, por dedução lógica, praticamente explicita a origem das delações.

Se o ex-prefeito Haddad, de fato, agiu corretamente ao levar o caso à averiguação da corregedoria, por outro lado, levando-se em consideração o histórico, tanto do deputado quanto da Odebrecht, ambos investigados pela “Operação Lava-Jato”, digamos que, apesar de ser possível, as acusações contra Marcelo Milani, por razões óbvias, se enfraquecem.

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