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O cavernário Planeta Trump

Da FOLHA

Por CLÓVIS ROSSI

Não há como discordar da revista alemã “Der Spiegel” quando ela titula impiedosamente seu texto sobre a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima: “O triunfo da estupidez de Donald Trump”.

Sim, é isso, não cabe vestir as palavras com luvas brancas para comentar o absurdo. Afinal, é como diz o presidente francês Emmanuel Macron: “Não há plano B [para acordo climático] porque não há planeta B”. É uma bela frase, mas contém um pequeno erro: há, sim, um planeta B, o cavernário Planeta Trump.

Não é possível que todos os governantes do mundo, exceto os da Nicarágua e da Síria, estejam errados, ao assinar o Acordo de Paris e só Trump esteja certo, ao lado dos dois países citados acima, que não são exatamente modelos a seguir.

Não são apenas os governantes nem apenas as organizações que se dedicam à preservação ambiental. Não são apenas os cientistas, em dezenas ou centenas de estudos que demonstram a ameaça representada pela mudança climática.

São também os homens de negócio, até alguns executivos de empresas de combustíveis fósseis, cuja substituição (paulatina) é um dos objetivos do Acordo de Paris.

Dois executivos deixaram o Conselho de Negócios da Casa Branca, após o anúncio: Elon Musk (Tesla, de carros elétricos) e Bob Inger (Disney). Não foram os únicos críticos da decisão do presidente: representantes da Apple, do Facebook, da General Electric, Goldman Sachs e Google também a condenaram, conforme relato do “Wall Street Journal”, que está longe de ser um porta-voz do Greenpeace.

Há, pois, motivos de sobra para concordar com a análise de “Der Spiegel” que diz: “Seu discurso rompeu com séculos de Iluminismo e racionalidade. O presidente apresentou seu pronunciamento político como um manifesto nacionalista da mais imbecil das variedades”.

É raro ler, em publicações “mainstream” do Ocidente, como a “Spiegel”, uma dureza tão incontida contra um presidente americano.

Mas é compreensível: não é apenas o aspecto ambiental que está em jogo. É também o geopolítico. Como diz a manchete de capa de “Le Monde” com data de sábado (3), “Trump dá as costas ao planeta”. Ou, como preferem 18 acadêmicos americanos que se assinam como “Governo nas Sombras”, em artigo para a “Foreign Policy”: “Trump está abdicando da liderança americana e convidando a China para preencher o vazio”.

É recorrente essa análise segundo a qual a retranca nacionalista a que Trump está conduzindo os EUA beneficiará a China e seu incessante esforço para integrar-se ao mundo, para fazer amigos e influenciar países.

Pode ser cedo para uma previsão tão definitiva, mas não deixa de ser chocante que o presidente chinês Xi Jinping tenha dado uma aula de sabedoria, após o anúncio de Trump: “A história da humanidade nos ensina que problemas não devem ser temidos. O que deveria nos preocupar é a recusa em fazer frente a problemas e não saber o que fazer diante deles”.

O problema (aquecimento global) está aí, Trump fugiu, “Der Spiegel” tem razão.

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