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Não há nada mais parecido com os governos pós-ditadura que a CBF

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Ora, o futebol…

Só faltava essa gente alienada falar de futebol numa hora dessas.

Isso é hora de falar da derrota do Palmeiras em Chapecó? Ou da vitória do Santos na Vila? Ou do jogo de ontem do Corinthians? Ou do São Paulo hoje?

Talvez não seja mesmo, talvez não seja.

Mas é hora sim de lembrar que não há nada mais parecido com os sucessivos governos brasileiros pós-ditadura que a CBF.

Ditadura que conviveu o quanto pôde com o chefão João Havelange.

Fernando Collor era unha e carne com Ricardo Teixeira, que o chamava de “meu presidente”.

FHC perguntava quem é a bola, mas se rebaixou para receber Teixeira no Palácio do Planalto quando a seleção foi tetracampeã e voltou ao país no “voo da muamba”.

Então, o ministro do Esporte e Turismo, Caio de Carvalho, humilhou-se na porta do avião para receber o cartola que estava contrariado pela aprovação do Estatuto do Torcedor.

Lula começou sua primeira gestão batendo na CBF, mas logo aliou-se à entidade, para levar a seleção ao Haiti e fez toda sorte de concessões aos corruptos do futebol.

Agnelo Queiroz, Orlando Silva e Aldo Rebelo, todos do PCdoB, curvaram-se miseravelmente diante da cartolagem.

Mais discreta, Dilma Rousseff, por causa da Copa, conviveu com José Maria Marin, que elogiou o delegado que torturou o avô de seus netos.

Todos em nome das “relações institucionais”, sofisma para justificar promiscuidades.

Nenhum deles teve coragem de romper com a Casa Bandida do Futebol, bem mais fácil do que dizer não aos métodos dos governos de coalizão que comandaram, todos envolvidos em grossa corrupção e atraso.

Agora mesmo, quando se procura o novo porque Michel Temer é o que é e ninguém pode alegar surpresa, muito menos a mídia, o que temos?

O “novo” João Doria chefiou delegação da seleção brasileira na Copa América, no Chile, para popularizar seu nome ao lado do Marco Polo que não viaja. Seus empreendimentos viveram de dinheiro público concedido pelo padrinho Geraldo Alckmin, o “Santo”.

E até Luciano Huck, antes de retirar suas fotos com Aécio Neves de suas redes sociais, animava festas da CBF de Teixeira, sem a menor cerimônia.

É famosa uma foto sua ao lado de J. Hawilla, preso nos Estados Unidos, Teixeira, proibido de sair do Brasil, e Andrés Sanches, denunciado na Lava Jato. Ronaldo Fenômeno, Galvão Bueno e José Victor Oliva estão na mesma foto e o Google eterniza a imagem do alegre convívio.

O futebol tem a mesma cara de “empreendedores” como Hamilton Lucas de Oliveira —lembra dele?—, de uma tal IBF no período Collor.

Ou do banqueiro Daniel Dantas, que reinou com FHC, ao lado de fenômenos como a Daslu, já esqueceu?

O que dizer então de Eike Batista, ou dos irmãos Batista, da JBS, do agora “falastrão” Joesley, absolutos nos governos do PT e com salvo-conduto para visitar Temer no porão do Jaburu tarde da noite?

Todos faces da mesma moeda podre do futebol, dos times da Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez etc.

Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, morreu em 1968 e deixou a frase imortal: “Restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos!”.

Diretas já!

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