O “Lava-Jato”, o “herói” e os “Fora Dualib”

Ontem, no Parque São Jorge, personalidades distintas da vida do Corinthians, algumas mais importantes, outras sem relevância alguma, encontraram-se para, em meio a conversas despudoradas, celebrar um projeto social alvinegro.
A foto que ilustra a matéria, para quem conhece os bastidores do clube, simboliza bem o “vale-tudo” pornográfico da vida política alvinegra, salvo raras exceções, poucas vezes retratado, em exatidão, pela imprensa esportiva nacional.
Observa-se, a priori, o vice-presidente André Negão, acusado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava-Jato de receber propina da Odebrecht para desfrute próprio e de seu mentor, o deputado federal Andres Sanches (PT).
Abraçado a ele está Basílio, tratado como “herói” por conta do gol de 1977, apesar de ter vendido a camisa da conquista ao primeiro que apareceu, não se constranger em embolsar dinheiro dos jogos de masters do clube (depósitos são efetuados em sua conta) e posar ao lado de gente acusada de roubar o Corinthians.
No flanco direito, está o ex-diretor de futebol Edu “Gaguinho” Ferreira (ligado a Andres Sanches) abraçado com Donato “da Erva” Votta, que diziam-se indignados com a corrupção enquanto encabeçavam o movimento “Fora Dualib”, mas não mais a combateram após aceitar cargos nas gestões posteriores, mesmo após promessa de que jamais o fariam.
Descobriu-se, depois, que o “Fora Dualib”, que se dizia “apolítico”, era patrocinado com dinheiro do empresário de jogadores Kia Joorabchian, repassado por Andres Sanches, que se tornou chefe de todos eles.
“Renovação e Transparência”, que é o nome do grupo político do qual alguns deles fazem parte, diante desse contexto e doutras revelações bem mais graves ao longo da última década, bem poderia ser nome de prostíbulo, local em que desfrutáveis fazem de tudo em troca de dinheiro.
