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Reação negativa ao gesto de Rodrigo Caio é retrato da cultura brasileira

Enquanto o jogador Rodrigo Caio escondia-se dos holofotes, vários, alguns até aproveitadores, de boa parte da imprensa que tentava exaltá-lo por conta de um gesto de honestidade explícita na partida em que atuou pelo São Paulo contra o Corinthians, demonstrando, felizmente, ter ciência do simples cumprimento da obrigação, outros, contaminados pela cultura brasileira, que vitima grande maioria de seus cidadãos, não se constrangeram em criticá-lo.

O zagueiro Maicon, companheiro de profissão, contratado em transação obscura (R$ 30 milhões), detonou:

“Eu acho que é melhor a mãe dele [Jô] chorando do que a minha. Prefiro a mãe dos meus adversários chorando do que a minha”.

Não se podia esperar declaração melhor da facção criminosa Independente, formada, em grande parte, por bandidos que se dizem torcedores do Tricolor:

“não existe generosidade com quem nunca irá nos dar a mão”.

Em contra-partida, esperava-se, se não a indevida exaltação, pelo menos o apoio do comandante de Rodrigo Caio, o Mito Rogério Ceni, mas houve contradição.

Ao mesmo tempo em que falou, ironicamente, que seu zagueiro comportou-se como cavalheiro, ao ser questionado se teria a mesma atitude dele no gramado, o ex-goleiro respondeu:

“Eu já parei. Não vou responder isso.”

Nos bastidores, há relatos de que outros jogadores e boa parte dos dirigentes do São Paulo incomodaram-se com a atitude de Rodrigo Caio, alguns até pedindo sua cabeça na proxima janela de transferências.

Este é, em escala menor, mas em proporção semelhante, o comportamento do povo brasileiro, “levador de vantagens” que sempre, por conta disso, acaba vivendo em desvantagem, iludido por uma cultura suja, que reflete os resultados nos setores determinantes da sociedade, muitos deles investigados, diariamente, por ações recentes da Polícia Federal.

Neste país, quem age com correção é tratado como “otário”, pelos doutrinados da “malandragem”, e exaltado por aqueles que lutam para manter intactos os bons princípios, não por acharem especial agir com honestidade, mas para que o exemplo possa, de alguma maneira, mudar pensamentos e atitudes reprováveis do cotidiano.

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