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Delação de Odebrecht explicita acordos espúrios do estádio de Itaquera, mas pode favorecer Corinthians em renegociação

Depoimento de Marcelo Odebrecht, em delação premiada à Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava-Jato, tratou, à princípio, de explicitar o alicerce do negócio em que o desejo de construção de estádio do torcedor corinthiano foi utilizado para favorecer, seja politicamente ou financeiramente, alguns poucos escolhidos.

Em entrevista, ainda durante a construção, o deputado federal Andres Sanches disse que somente ele, Lula e Emilio Odebrecht mexeram na engenharia financeira da Arena em Itaquera.

Ficou claro, com a revelação de Marcelo Odebrecht do teor da reunião, realizada em sua residência no dia 13 de janeiro de 2011, que a viabilização foi mais trabalhosa.

Estiveram presentes, pelo Corinthians, Andres Sanches (que levou a tiracolo Ronaldo “Fenômeno”) e Luis Paulo Rosenberg, além do governador Geraldo Alckmin, do prefeito Gilberto Kassab e, entre outros, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

“Eles trouxeram o Ronaldo, o ‘Fenômeno’, só para ‘dar uma importância ao evento’, na visão deles”, disse o empresário.

Por razões óbvias, não se definiu neste encontro possíveis pagamentos de vantagens pessoais (que somente devem ter sido acertadas, caso a caso, pessoalmente ou por intermédio de prepostos, em reuniões particulares – assuntos estes que são objeto doutros inquéritos), mas sim, maneiras de burlar a legislação para erguer o estádio da Copa do Mundo.

“A zona do estádio do Corinthians”, como definiu Odebrecht, se deu, segundo seu relato, pelo fato de todos os envolvidos descumpriram suas partes no acordo firmado durante o jantar.

Pelo que ficou acordado, o Corinthians acertou pagar apenas os R$ 400 milhões do BNDES (R$ 70 milhões a mais do que o valor aprovado em reunião do Conselho Deliberativo, que limitava o gasto a R$ 330 milhões), enquanto o restante deveria ser coberto pelo poder público.

O vídeo da delação, por razões obvias, deverá ser utilizado pelo clube em renegociações da dívida que tem, exatamente, o objetivo de seguir por este caminho: pagar apenas o empréstimo bancário.

Ainda no jantar, definiu-se que o Governo, com a anuente promiscuidade do BNDES, liberaria o referido empréstimo, e que o Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, “inventaria” os CIDs de R$ 420 milhões (que, em tese, serviriam para quitar o restante da obra).

Segundo Odebrecht, no final, a construtora obrigou-se a emprestar dinheiro para o projeto, que custou mais de R$ 1,2 bilhão (sem contar os juros), porque os Governos pularam fora de arcar, como combinado, estruturas que serviriam apenas para a Copa do Mundo.

O BNDES, pela figura de seu presidente, com testemunho dos presentes, inclusive, ensinou os responsáveis da obra a burlar o impedimento existente para empréstimo a clubes de futebol (diante do evidente risco), sugerindo a criação de um Fundo, que assinaria o acordo.

Em sendo verdadeiras as afirmações, todos os presentes no jantar, por ação ou omissão, deveriam ser indiciados, pelo flagrante conluio em desfavor dos cofres públicos.

Disse ainda o delator:

“Estádio de abertura de Copa do Mundo é um absurdo. Você faz o estádio para um dia. É o evento da abertura, que tem 70 chefes de estado, e depois você tem de desmontar um bocado de coisa. Nenhum outro evento vai justificar aquele estádio.”

“Então o estádio para a abertura da Copa do Mundo, que foi dimensionado para o Corinthians àquela época, era um estádio de mais ou menos R$ 800 milhões, R$ 900 milhões. Você sai de um estádio de R$ 400 milhões, que era o que o Corinthians queria, para um de R$ 800 milhões, R$ 900 milhões, por causa das exigências da abertura da Copa do Mundo”.

Outras delações, ainda reservadas em sigilo de Justiça, dão conta de que, durante o negócio, vantagens indevidas foram pagas ao deputado federal Andres Sanches (PT), que teria utilizado-se do vice-presidente do Corinthians, André Negão, para recebê-las; e que outro conselheiro do clube, também do mesmo grupo, o deputado federal Vicente Cândido (PT), levou sua fatia do bolo, provavelmente para agilizar as decisões da presidente Dilma Rousseff.

Porém, diante do histórico dos que jantaram com Odebrecht em janeiro de 2011, não seria desonesto supor que outros “agrados” possam ter sido “fornecidos”, não apenas a quem sentou-se na mesa, mas também àqueles que sabiam ser absolutamente necessárias suas assinaturas nos documentos viabilizadores de toda a operação (alguns deles, dirigentes do Corinthians).

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2 Respostas to “Delação de Odebrecht explicita acordos espúrios do estádio de Itaquera, mas pode favorecer Corinthians em renegociação”

  1. Alan Cézar (@EUABSOLUTIS) Says:

    BENDITA LAVA JATO, veio para salvar o Corinthians de quem utilizou-se do clube em benefício próprio.

    Todos os contratos assinados terão que ser revistos, todo cronograma da obra terá que ser revisto.

    Diferente do que ocorreu nas Arenas 100% públicas, a Arena Corinthians recebeu em forma de EMPRÉSTIMO – no momento, negociando prazos para que fiquem iguais aos dados a outras Arenas de clubes – via BNDES, não teve nenhum recurso público como doação. Até as obras que eram de obrigação da Prefeitura e do Estado de SP, o Corinthians terá que pagar à construtora que assumiu as mesmas. As leis de incetivo já existiam desde 2004, mas o Kassab resolveu dar uma alterada para ficar com a fama e tentar arrumar recursos que, felizmente não conseguiu.

    Cabe ao Citadini (que fica enchendo o saco dos outros clubes), aliar-se aos que, de fato, amam o Corinthians e que sejam sérios a eliminarem do clube todos que dele aproveitaram-se.

    Se existiram propinas o Corinthians é quem está pagando ou terá que pagar e não governos. Isso, por um lado é bom, mas por outro dificulta, pois terão que ter boa e séria gestão para acertarem tudo como se deve.

    Um vídeo para entender o quanto o Corinthians terá que negociar e pagar o mínimo possível à construtora, pois ao BNDES não pode nem pensar em negociação, a não ser o de prazos, tem que pagar de qualquer forma.

    Citadini, Tuma e outros: a Lava Jato está mostrando e dando subsídios para que o Corinthians haja com firmeza, com relação à obra, seus valores, seus contratos e, principalmente com TODOS que assinaram contratos lesivos ao clube (exceto, o do BNDES, tem que revisar TUDO). Mãos à obra, aproveitem essa grande oportunidade.

    BENDITA LAVA JATO, veio para salvar o Corinthians de quem utilizou-se do clube em benefício próprio!!!!!

  2. – André Sanches na Lava Jato e Itaquerão sob suspeita. E há quem não acredite nisso ainda… | DISCUTINDO CONTEMPORANEIDADES Says:

    […] Mais ainda: sobre a delação da Odebrecht: https://blogdopaulinho.com.br/2017/04/13/delacao-de-odebrecht-explicita-acordos-espurios-do-estadio-… […]

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