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Chuck Berry foi o maior ídolo do rock and roll

Da FOLHA

Por THALES DE MENEZES

Chuck Berry foi o maior ídolo do rock and roll. Porque ele foi o maior ídolo de Keith Richards, que é o rock and roll personificado.

Berry não era apenas bom. Ele era ótimo, e foi ótimo antes de todo mundo. Em 1956, o rock era a música da moda, e quase todo mundo achava que não passaria disso, tocada por branquelos com jeitão de meninos fãs de pasta de amendoim, como Bill Haley e Elvis Presley.

Berry era negro E suas canções incendiárias falavam de pegar garotas e barbarizar por aí, coisas que um negro não deveria cantar no rádio. E ele não ficava só nas canções, pegava garotas e realmente barbarizava muito. Ele não foi para a cadeia apenas por ter aliciado uma garota de 14 anos. Ele raptou uma menina de 14 anos apache, tirada de uma reserva indígena!

Muita transgressão reunida, mas talvez seja uma boa imagem para representar o que foi Chuck Berry na música. Ele passou da conta, sempre. O rock era acelerado? Sua música era muito rápida. O rock era barulhento? Sua música era muito barulhenta.

Seus maiores sucessos foram gravados num período de pouco mais de três anos, antes de 1959, quando os problemas com a polícia passaram a comprometer sua fúria rock and roll. Nos anos 1960 e 1970, até gravou algumas coisas interessantes, momentos raros que ainda traziam alguma parcela do brilho intenso de seus primeiros tempos como astro da música. Depois, a carreira definhou.

Muita gente deve ter ficado surpresa com a notícia de sua morte. Não pela fatalidade, mas por pensar que ele já tinha morrido faz tempo. Não dá para dizer que Berry não soube se adaptar aos tempos que o seguiram. O rock é que deveria ter se adaptado a ele, afinal, é um dos pais do gênero.

E não foi fácil exercer esse papel de pai. Tudo era fácil para Elvis, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e os outros heróis brancos da primeira onda do rock. Era bem diferente para Berry e Little Richard, ambos negros, o primeiro com tom desafiador nas letras, e o segundo carregando sua homossexualidade para o palco. Para eles, era preciso enfrentar o mundo careta em troca de atrair alguns poucos garotos antenados com aquela música do diabo.

Além de ser um furacão no palco e escrever sucessos que faziam os garotos racharem o assoalho nas festinhas, Berry também foi um guitarrista excepcional, provavelmente o melhor tocador de guitarra do rock antes de Jimi Hendrix. Beatles e Rolling Stones não existiriam sem Berry. E basta medir a influência dessas duas bandas inglesas na juventude do mundo para tentar começar a entender a importância de Chuck Berry.

Se sua morte disparar uma busca das novas gerações por sua música, o rock vai agradecer.

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