Presidente da FPF, em campanha para CBF, detona árbitros e pede definição da FIFA sobre Del Nero

reinaldo carneiro

Em ótima entrevista concedida ao jornalista Paulo Passos, editor da FOLHA, o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, comportou-se como candidato em campanha à presidência da CBF.

Até porque, de fato, está.

Questionado se o temor em viajar (para não ser preso) de Marco Polo Del Nero, gestor da Casa Bandida, não atrapalha o futebol brasileiro, respondeu:

“Está na hora da Fifa dizer se ele [Del Nero] é culpado ou inocente. O futebol brasileiro merece uma definição. A Fifa precisa se manifestar. Qualquer definição seria melhor. Qualquer que seja. Pior que o sim ou não é o não sei, não respondo. Ninguém pode ser investigado eternamente.”

Apesar do FBI já ter se definido, o dirigente da FPF, que chegou ao cargo apadrinhado pelo da CBF, não arriscou-se a defendê-lo.

Ao responder sobre as razões de Del Nero não viajar e se acredita que o presidente terminaria o mandato na Confederação Brasileira de Futebol, disse:

“Ele fala que foi orientado juridicamente para não viajar”

“Não tenho bola de cristal. Mas se seguir assim, sem a definição da Fifa, com certeza ele fica. Muito difícil juntar clubes e federações para uma mudança sem a definição.”

É nítida a impressão de que o mandatário da FPF pressiona a FIFA no desejo de abreviar a passagem do “aliado” na CBF para que possa, talvez, ocupar-lhe o lugar sequencialmente.

Na política funciona a máxima: “fui com você até onde deu… daqui por diante é cada um por si”.

Por fim, para não perder o costume, Bastos, que no passado, segundo acusações de ex-árbitros, fazia o diabo nos bastidores para prejudicá-los, tratou a categoria com desprezo ao responder sobre as razões da não profissionalização desta profissão:

“Estamos distantes do árbitro profissional de dedicação exclusiva, com salário fixo. Foi feito um teste na federação, mas não deu certo. Aumentou a dispensa do árbitro. Se ele apitava domingo em Penápolis, o salário era o mesmo do que se não apitava. Logo, surgia um problema em casa, sentia uma dorzinha que vira uma dorzona. Quando ganha por partida, ele quer apitar sempre. Precisa disso. Ele pode ir em festa, encher a cara, mas está no jogo no dia seguinte. Porque ele precisa daquele dinheiro.”

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