João Dória e Jânio Quadros

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O Prefeito de São Paulo, João Dória Junior, vestiu-se de gari – obrigando todo seu secretariado a segui-lo – convocou a imprensa e, em seu primeiro dia de trabalho tratou de “limpar” a praça 14 Bis, que, em verdade, houvera sido, de maneira estratégica, higienizada na madrugada anterior.

A postura, demagógica, relembrou os procedimentos que marcaram a carreira política de Jânio Quadros, ex-presidente da República que finalizou a vida pública como mandatário da Capital, entre os anos de 1986 e 1989.

Ou alguém tem notícia de que Dória, em suas empresas (o que traçaria um parâmetro de comportamento), tenha agido de maneira semelhante ?

O empresário, no primeiro momento, decidiu-se pela utilização do marketing para ocultar dificuldades claras que deverão ser enfrentadas no que diz respeito ao cumprimento de promessas de campanha.

Jânio era assim: criou o slogan da “vassourinha”, utilizado como metáfora para limpar os adversários (que representariam a corrupção), saia à ruas multando carros, dava plantão em hospital municipal demitindo profissionais – in loco, sempre em ações que pareciam espontâneas, mas, em verdade, eram previamente calculadas.

Além de iludir a população, as demagogias dividiam espaço na mídia com os erros de administração, minimizando-os, sendo, até os dias atuais, mais lembrados do que a própria gestão “janista” em São Paulo.

Esse tipo de procedimento sempre foi combatido por quem entendia que a população precisava ser defendida do “pão e circo”, sendo informada da realidade dos acontecimentos.

Um caso famoso de embate contra a demagogia política foi travado, nos anos 60, pelo pai de João Doria Junior, João Agripino da Costa Dória, contra o mesmo Jânio Quadros que o atual Prefeito tenta, para desgosto do progenitor, imitar.

A UDN vivia grande disputa interna para escolher o candidato à presidência da República, e o Dória (pai) para combater a “vassourinha” de Jânio em apoio ao adversário Juracy Magalhães, criou o slogan: “a UDN não precisa de vassoura, Juracy é limpo”.

Nos dias atuais, Dória, apesar de expor-se com a combatida vassoura, cercou-se de alguns secretários que não podem, necessariamente, ser tratados como “limpos”, além de possuir histórico de procedimentos (com apoio explícito) favoráveis a gente da extirpe de Aécio Neves (investigado pela Lava-Jato) e Marco Polo Del Nero (que o FBI quer prender).

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