Um amor, um lugar

palmeiras 1922

Da FOLHA

Por PVC

O Palmeiras pode conquistar hoje seu décimo título no Parque Antarctica. Sim, o nome do lugar agora é Allianz Parque. Mas o nome anterior, ainda escrito em placas de localização no trânsito de São Paulo, faz parte da história da cidade e do clube. O Parque Antarctica existe antes do Palestra Itália.

O primeiro jogo oficial de qualquer campeonato no Brasil aconteceu no dia 3 de maio de 1902, doze anos antes da fundação do Palestra. O bairro de Perdizes recebeu este nome por causa das chácaras onde criavam-se as aves e a Água Branca era sede da Companhia Antarctica Paulista, especializada em todos os produtos derivados de porcos –incrível coincidência– Paulo Nobre oficializou o Porco como mascote oficial da torcida.

O Parque onde os italianos passavam as tardes de domingo incluía todo o atual clube social do Palmeiras e seguia até a avenida Antártica. Em 1917, o Palestra Itália passou a mandar jogos naquele campo, que adquiriu em 1920 e transformou em estádio em 1933.

A primeira conquista lá dentro foi o Campeonato Paulista de 1926, o segundo da vida palmeirense. Vitória por 7 x 1 sobre o Sílex, com quatro gols de Heitor, dois de Imparato e um de Carrone. Os outros oito troféus no Parque Antarctica foram o Paulista de 1933, 1936, 1976, 1996 e 2008, a Mercosul de 1998, a Libertadores de 1999 e a Copa do Brasil de 2015.

O número de taças erguido lá dentro só não é maior, porque a cultura do futebol paulista entre 1940 e 2009 era disputar as finais no Pacaembu ou no Morumbi. O Allianz Parque nasceu com derrota para o Sport. No ano de 1920, da compra do terreno da Antarctica pelo Palestra, a estreia também foi com goleada para o Paulistano, por 4 x 1.

Há palmeirenses, dos mais fanáticos, que mantêm em casa maquetes do velho e do novo estádio. Isto porque o Allianz Parque é um caso raro de sucesso na saída do antigo para o novo modelo. Todo palmeirense ama a lembrança do Jardim Suspenso e orgulha-se da imponência da nova arena.

Não há saudade, mas contemplação. Isso se percebe na rua Turiassu, hoje Palestra Itália, lotada por torcedores que comem e bebem portando as bandeiras proibidas nas arquibancadas, por uma decisão estúpida que prende a festa e liberta os assassinos.

Dentro do Palmeiras, já existe uma ideia de usar a festa da rua Palestra Itália a favor da sustentabilidade. Mais de 30 mil torcedores passam antes de todos os jogos e consomem desde sanduíches até latas de cerveja. Há potencial para o maior processo de reciclagem de lixo em um único dia, em toda a cidade.

O Palmeiras é o maior clube verde do mundo, incomparável em tradição com Atlético Nacional, Celtic, Sporting e Werder Bremen. Sua marca pode ser ainda mais verde e mais famosa se fizer a maior coleta de lixo no menor espaço de tempo –90 minutos antes e 90 minutos depois de um jogo no Allianz Parque.

O Parque Antarctica estava lá em 1902, antes de qualquer morador de Perdizes, Pompeia e Água Branca. Isto não tira o direito de ir e vir dos habitantes. Apenas explica por que a festa hoje acontecerá nas estreitas ruas da zona oeste de São Paulo, se o Palmeiras confirmar o título brasileiro.

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