Fátima Bernardes, os aproveitadores e a maldade humana

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Recentemente, o programa “Encontro com Fátima Bernardes” questionou seus convidados, com objetivo claro de, tecnicamente, indicar qual seria a solução a ser adotada (se médicos fossem) diante de um dilema: atender primeiramente (o que parece lógico) um paciente mais próximo da morte diante doutro em melhores condições (ainda que ruins) de saúde.

É verdade que a produção da atração (não a apresentadora) escolheu mal os exemplos: um era policial, o outro traficante.

A desastrosa percepção dos funcionários da Rede Globo tratou de tornar o assunto principal, secundário, dando margem a outro tipo de interpretação: salvar o representante do bem, independentemente de seus estado, diante do bandido, que, se alguns pudessem, seria eliminado sumariamente, no mesmo instante.

Vamos deixar claro, para que não restem dúvidas e o restante da análise seja melhor compreendido: este jornalista, diante do primeiro dilema (o que, de fato, deveria ser analisado) salvaria, por razões óbvias, o que precisasse de ajuda prioritária, porém, no contexto exposto pela produção do programa, certamente daria prioridade ao policial.

É necessário esclarecer, também, que muito provavelmente Fátima Bernardes não se atentou para os personagens selecionados, e sim à ideia inicial, isso, se é que teve tempo de fazer esta análise, já que, por vezes, dependendo do dia, a apresentadora lê o “TP” (texto fixo à câmera) e somente tem acesso ao conteúdo (total) do programa (não ao tema) quando este já está no ar.

Basta conversa de cinco minutos com apresentadores de atrações “ao vivo” para constatar quantos tiveram problemas por razões semelhantes.

Esclarecidos os pormenores, vamos à repercussão.

Apesar da falta de tato (da produção), na escolha dos personagens que exemplificaram um assunto sério do programa (que acabou esquecido em meio à polêmica), é inadmissível o tratamento cruel e desrespeitoso dispensado a apresentadora, reconhecidamente íntegra, que foi tratada por extremistas da internet, alguns por pura maldade, outros por extrema ignorância, como se bandida fosse ou acobertasse a criminalidade.

Se da grande parte descerebrada da web não se pode esperar grande coisa, pior ainda ocorreu com os aproveitadores, sejam políticos de reputação pra lá de duvidosa, até artistas sumidos, que encontraram a grande oportunidade de aparecer.

Em vez de receber críticas que, independentemente da inexistência de dolo, seriam merecidas (afinal é a dona do programa), Fátima sofreu verdadeiro linchamento moral, covarde e injusto, que atenta contra toda a sua história, marcada por correção de procedimentos.

Ontem a vítima foi a apresentadora da Rede Globo, hoje, provavelmente, os “odiadores” passarão o dia procurando outros assuntos para distorcer, além de novas reputações para emporcalhar, num círculo vicioso que se tornou hábito de uma população corrupta por natureza (que é a brasileira), mas que sai às ruas bradando honestidade, exaltando “Bolsonaros” e demais excrescências morais, esquecendo-se, por algumas horas, das mais variadas maneiras de descumprimentos de Leis que protagonizam, habitualmente, em suas vidas particulares.

ATUALIZAÇÃO:

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