A trupe de Trump

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EDITORIAL DA FOLHA

A expectativa de que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, será uma versão menos virulenta do candidato diminuiu nos últimos dias com a escolha de assessores controvertidos e dissociados das lideranças tradicionais do Partido Republicano.

Assim como na campanha, Trump continua distante dos principais caciques do partido pelo qual se elegeu. O próximo presidente se ressente do fogo amigo contra sua candidatura, e a ala mais tradicional da agremiação, de contornos moderados, parece ter receio de embarcar na nau de um aventureiro.

Sem essa conciliação, as primeiras nomeações de Trump revelam uma preferência por lideranças pouco expressivas e com históricos de episódios racistas e xenófobos, mas que demonstraram fidelidade durante a campanha.

Nesta sexta-feira (18), o presidente eleito reforçou essa tendência com o anúncio de três assessores de perfil intransigente para cargos importantes de segurança nacional. Apesar de republicanos, todos se afastam das posições mais hegemônicas no partido.

Um deles é o senador Jeff Sessions, escolhido para secretário de Justiça. Da ala conservadora do partido, é conhecido pelo forte discurso anti-imigração e apoiou, ao longo da campanha, a mirabolante proposta de construir um muro ao longo da fronteira com o México.

Em 1986, Sessions se tornou o segundo candidato em 50 anos a ver negada a nomeação para juiz federal, sob acusação de racismo. O rechaço veio dos próprios correligionários —a Comissão Judiciária do Senado era controlada por republicanos na época.

Os nomes de fora do quadro republicano são ainda mais controvertidos. Um deles é Steve Bannon, nomeado para o posto de estrategista-chefe. Figura chave da campanha de Trump, ele foi presidente da página de notícias de extrema direita Breitbart, popular entre supremacistas brancos.

Todas essas nomeações têm ocorrido em um ambiente conturbado. Inexperiente na política, Trump já teve de lidar com uma crise na sua equipe de transição, cujo comando passou do governador de Nova Jersey, Chris Christie, para o vice eleito, Mike Pence.

Ainda que faltem nomeações importantes, como nas secretarias de Estado e da Defesa, Trump não parece dar sinais de temperar suas propostas radicais com a escolha de assessores mais ao centro.

Mantido esse ritmo, seu governo se afigura como um grande teste de estresse para as instituições democráticas americanas.

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