Ilegalidade justa

arbitro

(trecho da coluna de JUCA KFOURI, na FOLHA)

ILEGALIDADE JUSTA

“Provas judiciais colhidas de forma ilegal, segundo a melhor doutrina do Direito, devem ser peremptoriamente excluídas do processo.

A razão para não tolerarmos provas ilegais na vida real não se aplica ao esporte bretão.

Trata-se de uma proteção conferida ao indivíduo para protegê-lo do poder do Estado.

Recusamos a busca sem mandado para preservar a privacidade do cidadão.

Abominamos a confissão sob tortura para garantir-lhe a integridade física.

Obviamente, um jogador que se exibe diante de um público de dezenas de milhares de pessoas (sem contar a TV) não pode legitimamente invocar o direito de privacidade.

Por mais que tente, não consigo ver, no contexto do futebol, nenhum interesse que possa competir com o de apurar o que de fato ocorreu na jogada”.

A argumentação é do vizinho da página 2, Hélio Schwartsman, brilhantemente exposta por ocasião do famoso gol de mão de Barcos, para o Palmeiras, contra o Inter, em 2012, validado até que alguém de fora do campo alertou a arbitragem para o tamanho do erro que estava cometendo.

À época, aqui, escrevi uma coluna sob o título “Justamente ilegal”.

Não foi nem a primeira vez, diga-se, para ficar apenas na expulsão de Zidane por dar uma cabeçada em Materazzi na final da Copa de 2006, agressão não vista pela arbitragem, mas acusada fora do gramado.

Que aconteceu o mesmo no Fla-Flu é tão óbvio que não se pode admitir.

Mas, como ensina Schwartsman, “a razão para não tolerarmos provas ilegais na vida real não se aplica ao esporte bretão”.

E segue o jogo.

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