A nada saudável ‘ditadura’ no COB

nuzman cob

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

“Nuzman permanece à frente do comitê mais tempo do que muitos atletas ficam na ativa”

Qual é o nome de um regime onde uma pessoa se mantém no poder por anos? O que isso tem a ver com a Olimpíada? Faz 21 anos que Carlos Arthur Nuzman é presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e deve concorrer a mais um mandato. Faça a conta. Vinte e cinco anos, se vencer. Se isso não se assemelha à “ditadura”, mesmo havendo eleições, não sei o que é.

Alternância no poder garante administrações transparentes, saudáveis, eficientes. Nuzman permanece à frente do COB mais tempo do que muitos atletas ficam na ativa. Em termos de desempenho em Olimpíadas, o número de medalhas do Brasil, sob sua direção, apenas variou entre 12, em Atlanta-1996, e 17 em Londres-2012.

Como comparação, a Grã-Bretanha ganhou 15 medalhas em Atlanta e saltou para 65 em Londres. Nesse período a Associação Olímpica Britânica mudou de dirigente pelo menos três vezes. Difícil não apontar essa mudança como um fator positivo na evolução deles no quadro de medalhas.

Enquanto isso no Brasil, além de vislumbrarmos mais um possível mandato de Nuzman, a chapa deve ter como vice o presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley Teixeira, 15 anos como mandatário da CBJ.

Nuzman não confirma a candidatura, mas disse em entrevista recente que a grande maioria quer que ele continue e que precisa terminar uma série de ações, relatórios e prestações de contas. Por que outra administração, talvez com pessoas sem ligação com a atual gestão, não pode fazer o mesmo?

Tudo politicagem, que nada ajuda a desenvolver o esporte no Brasil. Essa farra do boi só vai diminuir, veja bem, diminuir, porque em 2013 uma medida provisória limitou os mandatos de dirigentes esportivos no país a uma reeleição.

Estamos carecas de saber que esses reinados não dão certo. Ricardo Teixeira, 23 anos de CBF, Joseph Blatter, 18 anos de Fifa, para citar apenas exemplos mais recentes, mostram como as relações podem se tornar promíscuas. Esses dirigentes comandam as entidades –e o dinheiro– como se estivessem sentados num trono.

A postura de Nuzman na cerimônia de abertura parecia a de um rei esperando reverência, com um discurso interminável e dispensável. Alguém precisa avisar a esses senhores que a Olimpíada não é deles, tampouco para eles.

“Sou o homem mais orgulhoso do mundo”, disse. Só por isso já merecia uma vaia, que veio quando citou os governos federal, estadual e municipal. Ainda cometeu a gafe da noite ao agradecer Thomas Bach por ” always believed in the sex”, em vez de “success”.

Todo mundo acredita no sexo. O que não dá para acreditar é que a delegação brasileira atinja outro patamar sólido de sucesso sendo dirigida há décadas pelas mesmas pessoas.

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