Ministério Público age como “poliana” ao tentar se promover com as declarações de Leco

O Ministério Público de São Paulo vazou à imprensa que processará o São Paulo Futebol Clube e seu presidente, Leco, pelas infelizes declarações (e atitudes) do dirigente, em facilitação das operações das facções criminosas “organizadas”, formadas, em grande maioria, por bandidos que se dizem torcedores do Tricolor.
Até ai, tudo bem.
A questão, ou uma delas, que não vem sendo tratada adequadamente (e o MP não pode se dar ao luxo da inocência) é, na mesma petição, os promotores, ao desancarem o Tricolor, citar a gestão do Corinthians (que acaba de pagar a viagem de membros dos Gaviões da Fiel aos Estados Unidos) como exemplar no trato com os referidos grupos de marginais.
Não é.
A alegação é de que os dirigentes alvinegros assinaram TAC comprometendo-se a não ajudar as torcidas, exigência que também será proposta aos cartolas do Tricolor.
Em verdade, todos sabem, na prática, esses “TACs”, entre MP e clubes, tem servido, quando muito, tirante a exposição midiática aos promotores, como solução para a falta de papel higiênico na sede do judiciário.
O Corinthians nunca cumpriu, mas os promotores, também, não fiscalizaram.
Exatamente o que acontecerá, nos próximos dias, no caso do Tricolor.
Não há solução para a promiscuidade entre clubes e organizadas, tirante gestores com vergonha na cara, fora da venda, obrigatória, de ingressos pela internet, sem divisão de torcidas, nem reserva de espaços para determinados grupos.
Qualquer retórica fora desta ação trata-se de puro jogo de cena, para promover quem deveria, na verdade, cuidar de fiscalizar e combater facções, comprovadamente, ligadas ao crime organizado.
