Advertisements
Blog do Paulinho

Allianz Parque com nome sujo: WTORRE acumula protestos e processos por calotes

wtorre.jpg

Da REVISTA ÉPOCA

Por RODRIGO CAPELLO

Real Arenas, braço da empreiteira para a gestão do estádio do Palmeiras, tem contra ela 367 protestos em cartórios e 23 processos na Justiça por falta de pagamento

O rebatizado Allianz Parque teve sua primeira temporada inteira em 2015. Em campo, para quase 40 mil palmeirenses, o esforçado Dudu marcou duas vezes contra o Santos e assegurou o título da Copa do Brasil. O primeiro do Palmeiras no estádio que estivera fechado de 10 de julho de 2010 a 19 de novembro de 2014. Fora dele, a média de público é a segunda maior do país, o preço do ingresso é o mais caro, e a renda disparou. Para o Palmeiras. Que chega, joga e vai embora com o dinheiro da bilheteria. A WTorre, empreiteira que reformou e assumiu a arena por 30 anos, acumula dívidas. Uma pilha delas.

A Real Arenas Empreendimentos Imobiliários S.A., braço criado pela construtora para administrar o estádio, registra 367 protestos em cartórios de São Paulo e Barueri. Rigorosamente todos pelo mesmo motivo: falta de pagamento. A soma dos títulos, todos obtidos por ÉPOCA, chega a R$ 14,78 milhões. O protesto de dívidas em cartório é a maneira que o credor tem de formalizar a inadimplência e constranger o devedor. Neste caso, as reclamações vêm de dezenas de prestadores de serviços: empresas de concreto, areia, argamassa, aço, elétrica, revestimentos, impermeabilizantes. Qualquer que seja a parte do estádio que o torcedor pise ou toque, há alguém sem receber.

O protesto precede outra medida mais grave, o pedido de falência. É quando o credor vai à Justiça para pleitear que o devedor tenha estado falimentar declarado. Três empresas foram por este caminho. Uma empresa de design com sete títulos protestados no valor de R$ 398 mil, uma de revestimentos que tinha 22 títulos protestados e R$ 623 mil em aberto, e outra de saneamento que protestava sete vezes para receber R$ 521 mil. A WTorre fez acordos com as três para conseguir extinguir os processos e não ser declarada a falência.

Os protestos contra a Real Arenas, braço da WTorre que gere o Allianz Parque (Foto: Reprodução)
(NOTA DO BLOG DO PAULINHO: na verdade, são quatro pedidos de falência, conforme publicado, neste espaço, semana passada: 

Além dos três pedidos de falência, o Tribunal de Justiça de São Paulo registra 17 execuções de títulos extrajudiciais e três monitórias, outras modalidades para que credores consigam pagamentos devidos. Os 23 casos somam R$ 6,15 milhões. O maior deles é de um parceiro de longa data, a Traffic. A agência de marketing esportivo do empresário J. Hawilla, presente desde o projeto, conforme revelou ÉPOCA na quinta-feira (14), cobra R$ 2,2 milhões de comissões por camarotes do Allianz Parque vendidos por ela. Na prática, o locatário fazia os pagamentos à WTorre, e a WTorre repassava as comissões à Traffic. O problema começou depois que a empreiteira parou de fazer os repasses. A agência, então, parou de fazer as vendas em outubro e formalizou o processo em dezembro. A juíza da 13ª Vara Cível de São Paulo, em 11 de dezembro de 2015, deu três dias para que a construtora pague. É janeiro de 2016, e a dívida continua lá.

Protestos e ações na Justiça são o sinal mais claro de que 2015 foi dificílimo para a WTorre em relação ao estádio. Os dois anteriores já tiveram sido deficitários – demonstrações financeiras apresentam prejuízos de R$ 33,2 milhões em 2014 e R$ 8,1 milhões em 2013. Mas havia uma justificativa óbvia: a arena não tinha sido reinaugurada. Em 2015, não faltou atividade. No futebol, o estádio pôde sediar uma final de Copa do Brasil, única do ponto de vista comercial –camarotes avulsos saíram por R$ 25 mil, preço recorde para o futebol brasileiro. Dos 160 camarotes, inclusive, 136 têm contratos de longo prazo. No entretenimento, recebeu seis grandes shows: Paul McCartney, Roberto Carlos, Kate Perry, Rod Stewart, Muse e Ariana Grande. Além do quê, o Allianz Parque fatura R$ 15 milhões anuais para ter este nome, com a marca da seguradora. Nenhum outro estádio brasileiro tem tais resultados. E mesmo assim falta dinheiro.

A única receita que a WTorre efetivamente não tem no estádio é a da bilheteria, e isso é o que torna o caso bipolar. Enquanto o nome dela está sujo na praça, o Palmeiras embolsou R$ 43 milhões nas três competições que disputou na temporada – Paulista, Copa do Brasil e Brasileiro. Limpos. Sem despesas, nem impostos. Três vezes mais do que em 2014, quando a casa alviverde foi o Pacaembu. É um modelo diferente do adotado pelo Corinthians com a Odebrecht na Arena Corinthians – o time tem direito a receitas de camarotes, patrocínios e merchandising dentro do estádio, mas cede bilheterias integralmente para pagar a obra. Nenhum dos dois arrecada tanto dinheiro quanto sonhou cinco anos atrás. A diferença é que, enquanto corintianos dividem o risco do negócio com a empreiteira, os palmeirenses deixaram todo o risco na conta da construtora.

A situação financeira da WTorre também decorre de contextos alheios ao futebol, evidentemente. A economia em recessão e a crise política afastam investidores e patrocinadores. A devassa da Operação Lava Jato em empreiteiras restringiu o acesso a crédito em bancos no país todo. A construtora de Walter Torre não fazia parte do noticiário policial até esta semana – Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e delator, revelou à Polícia Federal (PF) ter indicado a WTorre para uma obra na estatal a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Procurada por ÉPOCA, a empreiteira ressaltou que, apesar de todos os reveses, entregou em 2015 o maior edifício corporativo de São Paulo, o maior silo da América Latina, no Rio de Janeiro, e de 105 milhões de metros quadrados em galpões logísticos.

Facebook Comments
Advertisements

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: