O futebol, cada vez mais, sem bola
Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO
E o futebol está mesmo sem graça.
Só me restou esta constatação.
Incrível a forma como os assuntos extra campos passaram a se tornar infinitamente mais relevantes.
Ao menos são eles que ganham o maior destaque.
Não é de agora.
E não estou sequer considerando os dribles que envolvem as negociações de reforços.
Estou destacando o que tem ocorrido nas bancadas dos inúmeros programas esportivos.
“As mesas redondas” se transformaram em arenas para brigas cada vez mais frequentes entre seus componentes.
Se não for por crise de abstinência, pode ser algo mais grave.
Brigas, discussões, jornalistas que abandonam os programas e tudo mais.
Basta um discordar do outro, o pau quebra.
O bico rola solto.
Um enorme jardim de infância sobre o qual temos que ter a paciência de assistir.
Não que isso não acontecesse em outros tempos, mas a frequência tem sido estarrecedora.
Mais.
Recentemente, durante alguns dias, a principal notícia esportiva foi a troca de emissora por parte de um jornalista.
Uma cobertura digna de um grande astro dos gramados.
Não sei ao certo quantos gols ele marcou.
Tão pouco quantos telefones de técnicos, como já foi explicitado pelo próprio, ele possui em sua agenda (e que não deveria ter), mas… menos, bem menos.
Algo que deveria ser tratado apenas como uma simples informação.
Na verdade, tendo a acreditar que isso passou a ser muito mais interessante do que aquilo que acontece em nossos campos.
Isso quando não testemunhamos colunistas esportivos usarem seus espaços, lotados nos cadernos esportivos dos grandes jornais e sites, como verdadeiros palanques eleitorais.
Ano passado isto foi uma rotina.
Seja a favor ou contra o governo, seus espaços não deveriam ser usados para isso.
Isto está longe de ser censura.
Mesmo porque todos têm o direito de expor suas convicções e opiniões em seus espaços pessoais.
Os naqueles devidos em editoriais que tenham este fim.
Mas na verdade quem sou eu para achar alguma coisa.
Sou do tempo que jornalista algum prestava serviços de assessoria de imprensa para seus clubes do coração.
Tão pouco aceitavam ser Mestre de Cerimônias dos eventos do seu clube.
Estou ficando velho.
Ou os valores em total desuso.
Ou, eventualmente, o futebol agora é o da bancada.
Uma pena.

