O futebol cearense definha

bola murcha

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Um ano negro para o futebol cearense.

Mais um.

Ao menos dentro do campo.

Onde realmente importa.

O mesmo torcedor que tanto vibrou nas arquibancadas, está muito aborrecido ou tristemente acostumado.

Um completo paradoxo.

Dois dos maiores públicos do futebol brasileiro aconteceram em estádios alencarinos.

Ambos no Castelão, o templo do futebol local.

Em abril, mais de 60 pessoas estiveram presentes para assistir a final da Copa do Nordeste entre o Ceará e o Sport.

Já em outubro, novamente mais de 60 mil pessoas foram assistir o jogo decisivo por uma vaga para a Série B do Campeonato Brasileiro, entre Fortaleza e Macaé.

Em ambos os casos, os visitantes levaram a melhor.

No caso do Fortaleza uma repetição do que já acontece já faz 3 anos.

Eliminações jogando em casa, em verdadeiros “Castelanaços”.

Em 2012, frente o Oeste e em 2013, contra o Sampaio Corrêa.

Isto sem falar no caso de 2011, quando a vitória frente ao CRB, por 4 a 0, que livrou o Tricolor do rebaixamento para a Série D, até hoje, está cheia de muitas suspeitas.

Perder faz parte do jogo, é verdade.

Mas a forma como isso tem acontecido com os clubes cearenses é vexatória.

Neste ano, o Vozão conseguiu ser eliminado da Copa do Brasil, em casa, pelo Botafogo do Rio de Janeiro, por 4 a 3, ao sofrer dois gols, aos 49′ e 50′ do segundo tempo.

Um vexame que só não foi maior que a campanha do próprio alvinegro no returno da Série B do Campeonato Brasileiro.

Após acabar o primeiro turno na liderança, fez campanha de rebaixado no segundo, e acabou o campeonato na modesta oitava posição.

Aliás, ano passado o não acesso foi decidido por conta de uma goleada por 3 a 0 frente ao Joinville, por mais que os alvinegros jogassem em casa.

Justamente no importante ano de seu Centenário, o primeiro de uma equipe do estado, o Vozão terá que se conformar apenas com uma conquista estadual.

Sorte que neste campeonato, obviamente, apenas equipes do estado disputaram.

Ao mesmo tempo, no entanto, os presidentes de Ceará e Fortaleza conquistaram vagas nas Assembleias Legislativas, como deputados estaduais eleitos.

Em mais um exemplo de uso do futebol em prol de interesses pessoais, no caso, políticos.

Vergonha Ceará !!!

Vergonha Fortaleza !!!

Mas o papelão não se restringiu aos dois maiores times do estado.

O outro grande Ferroviário conseguiu ser rebaixado no campeonato estadual.

Fato que já ocorrera em 2012, quando foi salvo pelo tapetão.

Uma tristeza sem fim para os torcedores do Tubarão da Barra.

A verdade é que até hoje não se há a certeza se nova manobra será realizada para proteger o Time dos Maiorais.

O Ferrão padece.

Já a outra equipe cearense, o Icasa, de Juazeiro do Norte, também passou vergonha.

Após uma grande campanha na Série B em 2013 quando perdeu a chance do acesso na última rodada, o que se viu em 2014 foi desesperador.

O investidor, possivelmente cansado de inúmeros casos de evasão de renda, desistiu do clube.

Sob nova administração, mais de 85 jogadores foram contratados ao longo do ano.

Em um período marcado por salários atrasados.

O resultado é que o Verdão do Cariri foi rebaixado de maneira antecipada para disputar a Série C de 2015.

A história é implacável e mostra a representatividade do futebol cearense.

Até hoje apenas um titulo nacional, o da Série D do Campeonato Brasileiro conquistado pelo Guarany de Sobral em 2010.

Algo tão marcante que o mesmo Guarany, já de volta para a Série D este ano, foi vice lanterna de seu grupo e sequer passou da primeira fase.

Em 2015, o futebol cearense terá 1 representante na Série B, 2 na Série C e 1 na Série D (por força do regulamento).

Uma performance tosca.

Já na Assembleia Legislativa será representado pelos atuais presidentes do Ceará e do Fortaleza.

O futebol perde…e gol da Alemanha.

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