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Francis e o Petrolinho

francis

DA BBC BRASIL

Por LUCAS MENDES

Naquele outubro de 1996, no café da manhã antes da gravação, Francis estava de mau humor. Era normal. Acabava de sair da cama.

Meia hora depois ele estava de bom humor. Era normal. Nossa conversa na copa antes de gravar era fiada. Francis não falou em Petrobras. No meio do programa, ele jorrou denúncia e transcrevo a gravação:

Francis: “Os diretores da Petrobras todos põe o dinheiro lá…(Suíça) tem conta de 60 milhões de dólares…”

Lucas: “Olha que isso vai dar processo…”

Francis: “É…um amigo meu advogado almoçou com um banqueiro suíço e eles falaram que bom mesmo é brasileiro (…) que coloca 50 milhões de dólares e deixa lá”.

Lucas: “Os diretores da Petrobras tem 50 milhões de dólares?”

Francis: “Ahh é claro… imaginem… roubam… superfaturamento…é a maior quadrilha que já existiu no Brasil”.

Foi além, mas não deu nomes dos diretores. Nem citou fontes. No próprio programa, o número variou de US$ 50 milhões para 60 milhões. Preocupado, perguntei se queria que cortasse a denúncia, embora o programa, depois de gravado, só sofra cortes por tempo. Francis disse que não.

Na imprensa, numa escala de 1 a 10 em repercussão, a denúncia do Francis mal registrou uns 2 pontinhos. Saíram notas em colunas. Ninguém cobrou da Petrobras. Não sei por que o Francis nunca levou a denúncia para os poderosos Globo, Estadão e Jornal da Globo, onde trabalhava, além do Manhattan Connection, e tinham calibre muito mais grosso do que o GNT.

Seria o poder da Petrobras de silenciar a mídia com sua publicidade? Ou sua reputação na época estava acima de qualquer suspeita? A limitada audiência do canal?

Em novembro, Francis anunciou no programa, também sem aviso prévio, que estava sendo processado pelos diretores da Petrobras, que “queriam US$ 100 milhões de indenização”. Na primeira página da carta de intimação dos advogados dos diretores aparecem sete nomes, mas não há este número.

Ainda não descobri de onde saiu. Estes valores quase nunca constam da primeira comunicação entre o processador e o processado.

E pagou sete mil…

Francis entrou num inferno legal. Por sugestão do amigo Ronald Levinsohn, contratou uma advogada e pagou US$ 7 mil. Quando comentei que não era muito, o Francis ficou furioso. Disse que eu não sabia das finanças dele. Até que sabia, porque ele me contava, mas uma só defesa num processo grande poderia destruir a poupança dele. Se perdesse, ficaria arruinado por muito menos do que US$ 100 milhões.

Repercussão na imprensa sobre o processo? Mínima. Saíram notas sobre os assombrosos US$ 100 milhões.

‘Arrasado’

Em dezembro, Francis foi passar o Ano Novo em Paris com Sonia Nolasco, Diogo e Anna Mainardi. Diogo disse que ele parecia arrasado. Poucas semanas depois, em janeiro, ligou para o Diogo animadíssimo. Tudo estava sob controle. Diogo comentou com a mulher que o Francis devia ter tomado a bolinha certa naquele dia.

É possível que Paulo Mercadante, seu advogado no Brasil e amigo desde os tempos de Pasquim, tenha informado a ele que o processo não poderia correr na Justiça americana, porque o programa não ia ao ar nos Estados Unidos. Este tipo de processo no Brasil está mais para um punhado de reais do que para os absurdos US$ 100 milhões que assombravam o Francis.

Dia 28 de fevereiro, sexta feira, Francis apareceu na gravação passando a mão no ombro esquerdo e se queixando de dor. Saiu direto para o médico, Jesus Cheda, tomar uma injeção de cortisona, como sempre fazia quando estas dores apareciam. Bursite, dizia.

Quatro dias depois, terça-feira, por volta de 5 da manhã, Francis sofreu um fulminante ataque cardíaco e caiu morto no meio da sala, onde ainda estava quando cheguei. O telefone não parava, Sonia nao atendia. Atendeu um deles, do presidente Fernando Henrique Cardoso, que deu uma bronca póstuma no Francis pela irresponsabilidade com a própria saúde.

Francis, havia muitos anos, tinha parado de tomar porres, de fumar e de comer bifões crus. O controle da Sonia deu resultado, mas o controle não resolveu o problema da saúde preventiva nem o sedentarismo. Ela não conseguia levá-lo a médicos sérios para fazer check-ups regulares.

Cheesebúrgueres

Melhorou a dieta, mas continuou chegado nos cheesebúrgeres do PJ Clarke’s na frente da Globo na hora do almoço e comida chinesa perto da casa dele, onde fez sua última ceia, no Chien. Parecia um touro de forte. Teve tumores benignos no pescoço, mas não adoecia e nunca deixava de trabalhar. Nem fazia exercício, Nunca. O máximo era uma caminhada semanal com Elio Gaspari do museu Metropolitan ao restaurante Bravo Gianni, onde repunha as calorias perdidas na caminhada cultural.

Era o dia favorito dele. As noites favoritas eram no balé, com Sonia, ou assistindo óperas e filmes antigos em casa. O último na noite da morte, foi Notorious(Interlúdio no Brasil), de Hitchcock, com Cary Grant e Ingrid Bergman. Da denúncia à morte de Francis foram quatro meses.

Os diretores da Petrobras foram atrás do espólio e da viúva Sonia Nolasco, mas, em parte, por intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso e do próprio advogado, Paulo Mercadante, desistiram do processo. Felizmente o Brasil não desistiu. O petrolinho do profético Francis gerou o Petrolão. A operação Lava Jato deveria ser rebatizada Operação Paulo Francis

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30 Respostas to “Francis e o Petrolinho”

  1. Carlos Napolis Says:

    Paulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras, mas o assunto foi abafado porque a estatal patrocinava e patrocina os principais canais da grande mídia. Também foi dito que Fernando Henrique Cardoso, amigo de Francis, pediu para interromper o processo.

    A operação Lava Jato deveria se chamar Petrolão. Por que não utilizar os nomes populares dos escândalos para nomear as operações da Polícia Federal? “Operação Petrolão”.

  2. Nelson Vicente Aguglia Says:

    Olá Paulinho e blogueiros!
    A Denuncia partiu de Paulo Francis em 1996, e de lá pra cá, “ninguem” sabia de nada,somente agora ,passados 18 anos é que descobriram essa imundicie?
    Estranho não!
    Abraços a todos!

  3. Jurema Says:

    Francis tinha provas da corrupção na Petrobras como tinha sobre a identidade de Jack, o estripador; sobre quem matou Odete Roitman e Dana de Teffé; por que mataram Lee Oswald; e de quem é o rosto que aparece no sudário de Turim.

  4. Alex Franco Says:

    Denuncia feita qdo o governo era do PSDB ?

    Acho q a culpa é do PT……

  5. Jurema Says:

    O jornalista Paulo Francis avisou em 1996: “Petrobras, com FHC, tem uma quadrilha na diretoria, vagabundos com dinheiro na Suíça”.

    Um ano depois, em 1997, Francis morreu do coração. Ele levou para o túmulo sua indignação pelo processo que a diretoria da estatal lhe moveu pedindo US$ 100 milhões de dólares de indenização.

    Portanto, a “corrupção na Petrobras é do tempo que se amarrava cachorro com linguiça”.

  6. Jurema Says:

    PAULO FRANCIS, O JORNALISTA QUE MORREU POR TER DENUNCIADO A CORRUPÇÃO NA PETROBRÁS NO GOVERNO FHC

    O jornalista Franz Paul Heilborn, que assinava sua coluna nos jornais e se apresentava na TV como Paulo Francis, morreu menos de um mês depois de ser informado por seus advogados de que não tinha como se defender no processo movido pela Petrobras na corte de Nova York. Como havia acusado sem provas, baseado em fontes que não podia revelar, entrou em depressão e sofreu um estresse que causou sua morte por um ataque cardíaco, segundo revelou sua mulher, a jornalista e escritora Sonia Nolasco.

    Link do programa: https://www.youtube.com/watch?v=YQUb7qGt0ck

  7. disapointed Says:

    jurema petrala pao com mortadela e guarana dolly

  8. Mário Says:

    Mas a corrupcao nao comecou em 2002 com o PT?

  9. EU - ABSOLUTIS VERITAS Says:

    Desde de 1500 que o país é corrupto.

    Este caso da Petrobrás é conhecido, mas não investigado.

    Desde de 1550 temos engenhos de açúcar no Brasil, mas faz mais de 200 anos que, todos os anos, os caras CRIAM situações para PEGAR mais dinheiro do Governo. Estes caras NÃO devolvem nunca. Este povo da cana de açúcar deve mais que clubes de futebol e nada acontece com eles TAMBÉM.

    Acho que a PF, deveria fazer uma operação com nome ALGODÃO DOCE e vasculhar os usineiros de Norte a Sul, acho que pegariam muitos financiadores de partidos políticos entre outras safadezas, neste setor.

  10. FREITAS Says:

    Em 1997, Paulo Francis afirmou, em comentário no programa Manhattan Connection, que havia um esquema de roubalheira na Petrobras, no governo FHC.

    Se for investigar as origens do escândalo, completando a pauta levantada por Paulo Francis há 17 anos, terá que reconhecer que a corrupção na Petrobras tem raízes mais profundas, e estará aberto o caminho para uma operação de larga escala contra a roubalheira.

  11. FREITAS Says:

    Quem matou Paulo Francis?

    O tom dominante nos registros sobre os 17 anos da morte de Paulo Francis, no próximo mês, deverá ser o dos anos anteriores: sua morte foi causada ou precipitada por uma ação judicial proposta contra ele pelos diretores da Petrobras. De tanto ser repetida, a história já é de domínio público. Angustiado pelo questionamento judicial, Francis estava sob tal pressão que acabou sofrendo um enfarte. Morreu em fevereiro de 1996, em Nova York.

    Os sete diretores da Petrobras, liderados pelo [então] presidente, Joel Rennó, decidiram cobrar reparação judicial pelo dano moral que alegaram ter sofrido. Durante o programa Manhattan Connection, no ar até hoje, Francis disse que “os diretores da Petrobras põem dinheiro na Suíça”; que “roubam em subfaturamento e superfaturamento”; e que constituem “a maior quadrilha que já atuou no Brasil”.

  12. FREITAS Says:

    Paulo Francis vivia sobressaltado pelo processo que a Petrobrás lhe movia na justiça americana, exigindo US$ 100 milhões de indenização por conta de ataques que fizera à diretoria da empresa no programa de televisão “Manhattan Connection”.
    Era difícil conversar com Francis por mais que uns poucos minutos sem que ele se queixasse do absurdo da situação. Rennó o processava nos Estados Unidos por coisas, ditas numa televisão brasileira, que jamais foram ao ar fora do Brasil.
    Francis perdeu o sono.

  13. FREITAS Says:

    o FHC só tem vergonha de corrupção alheia… então conclui-se que sente orgulho pela corrupção de seu tempo! hipócrita!

  14. FREITAS Says:

    “Em 1997, o jornalista Paulo Francis denunciou esquema de roubalheira na Petrobras num programa de TV. O presidente da empresa, Joel Rennó, em vez de tomar alguma providência, abriu um processo de US$ 100 milhões contra Francis. Tampouco ocorreu ao governo de então –primeiro mandato de FHC– realizar qualquer esforço investigativo para coibir práticas conhecidas por gente da alta roda e mesmo empresários medianos. Era mais fácil intimidar o jornalista com uma multa impagável do que apurar. Como efeito colateral, o esquema contava silenciar a imprensa em geral. Sabe-se como tudo acabou.”

  15. FREITAS Says:

    Escândalos no Governo FHC

    Nos oito anos de reinado de FHC o que não faltaram foram escândalos, sempre acobertados e mantidos impunes. Para refrescar a memória, basta lembrar alguns dos casos mais graves:

    1- Sivam: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão,foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.

    2- Pasta Rosa: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o “socorro” aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25 deputados subornados pelo Econômico.

    3- Precatórios: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (Dner). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.

    4- Compra de votos: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.

    5- Desvalorização do real: Num nítido estelionato eleitoral, o governo promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar,socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam – ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.

    6- Privataria: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros(*), ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio a Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Árida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a instalação da CPI.

  16. FREITAS Says:

    FHC “COMBATEU CORRUPÇÃO” TENTANDO PÔR “ENGAVETADOR” NO STF

    O ex-procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro, primo do então vice-presidente Marco Maciel, livrou a cara de FHC várias vezes. Uma delas foi no caso da compra de votos para a reeleição do tucano, que o jornalista da Folha de SP Fernando Rodrigues considerou que foi inquestionavelmente corrupção envolvendo o governo tucano.

  17. FREITAS Says:

    A compra de votos para a reeleição de FHC

    Deputado diz que vendeu seu voto a favor da reeleição por R$ 200 mil

    O deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) vendeu o seu voto a favor da emenda da reeleição por R$ 200 mil, segundo relatou a um amigo.

    A conversa foi gravada e a Folha teve acesso à fita.
    Ronivon afirma que recebeu R$ 100 mil em dinheiro.

    O restante, outros R$ 100 mil, seriam pagos por uma empreiteira -a CM, que tinha pagamentos para receber do governo do Acre.
    Os compradores do voto de Ronivon, segundo ele próprio, foram dois governadores: Orleir Cameli (sem partido), do Acre, e Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas.

    Todas essas informações constam de gravações de conversas entre o deputado Ronivon Santiago e uma pessoa que mantém contatos regulares com ele.

  18. FREITAS Says:

    A reeleição de FHC

    A reeleição de Fernando Henrique Cardoso começou mesmo a ser urdida em círculos fechados nos primeiros seis meses do governo, em 1995. Numa reunião em Nova York, com banqueiros, Pedro Malan deixou escapar as intenções da cúpula da aliança neoliberal. Alguns jornais repercutiram a fala de Malan, que dizia quatro anos ser muito pouco para Fernando Henrique realizar o seu plano de governo e que, de duas uma, ou ampliaria o mandato para cinco anos ou instituiria a reeleição.

    Aos poucos os fatos se encarregaram de desnudar a face oculta do governo Fernando Henrique Cardoso. A denúncia de compra de votos de parlamentares do PFL e do PMDB, para aprovação da emenda constitucional que instituiu a reeleição, é um deles.

    Em maio de 1997, o jornal Folha de S. Paulo publicou extensa matéria com transcrição da gravação de uma conversa na qual os Deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, confessavam ao repórter Fernando Rodrigues, ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que instituía a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Naquele momento a emenda já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados e aguardava a votação no Senado.

  19. Fábio Says:

    Porque o Lula e a Dilma não denunciaram toda a corrupção do FHC? Medo? Rabo preso? Ou aproveitaram a roubalheira e se juntaram a ela?

  20. Bambi confeiteiro queimador de rosca Says:

    Quero ver esse petralha Freitas explicar a falência da ex futura ¨Petrobrax¨ com a demissão de 14,4 mil empregados das empresas que prestam serviços a Petrobras em Macaé, isso no último mês. Nada é mais patético que um mamador nas tetas da Dilma vir aqui comentar.

  21. Wilson José Says:

    FREITAS Says:
    Você apontou um caminhão de desmandos nos governos do FHC,
    mas responda só um pergunta, porque o (lula) não apurou, e ainda veio a público afirmar que jogou tudo para para baixo do tapete por governabilidade, deveria ter sofrido impeachment por ter sido conivente, o que você acha ???

  22. Eduardo Says:

    O Genro de FH e o Pires pediram só R$ 250 mil por Libra? E ainda abrem a boca para dar palpite?

    Parte da área onde está o campo de Libra já tinha sido leiloada – e depois devolvida – como diz hoje a Agência Reuters, por apenas R$ 250 mil no Governo Fernando Henrique.

    A Petrobras terá de desembolsar no leilão desta segunda-feira pelo menos 4,5 bilhões de reais em bônus de assinatura por uma área que já lhe pertenceu.

    Limitações na exploração do bloco BS-4, na Bacia de Santos, levaram a anglo-holandesa Shell, a Petrobras e a norte-americana Chevron a devolver uma área onde nove anos mais tarde, sob a camada de sal, foi descoberto o gigante prospecto de Libra, afirmaram à Reuters fontes com conhecimento direto do assunto.

    O poço 1-SHELL-5-RJS, fechado e abandonado, está dentro dos limites da área que será licitada pelo governo, mostra relatório sobre Libra elaborado pela consultoria norte-americana IHS Cera, que abriga o maior banco de dados de petróleo no mundo.

    Sob operação da Shell, o poço foi perfurado em 2001 muito próximo ao poço da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) que nove anos mais tarde descobriria Libra.

    O governo separou Libra, a maior descoberta já realizada no Brasil, com volume de óleo recuperável entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris, para licitar nesta primeira rodada do pré-sal, que estreia o regime de partilha da produção no país. O leilão está marcado para a tarde desta segunda-feira, no Rio de Janeiro.

    O relatório da IHS Cera obtido pela Reuters aponta que o poço da Shell atingiu uma profundidade total de quase 4 mil metros, enquanto o poço descobridor de Libra, anos depois, chegou à profundidade de 6 mil metros.

    Uma fonte com conhecimento direto do assunto disse à Reuters que a Shell não atingiu o objetivo de profundidade que seria necessário no BS-4 porque usou equipamento que teria sido inadequado. Este seria o argumento de alguns executivos da estatal brasileira contra eventuais negociações entre a Petrobras e a Shell para formar um consórcio no leilão desta segunda.

    “Foi um descuido que vai custar caro à Petrobras”, disse essa fonte, sob condição de anonimato.

    Procurada, a Shell informou que, quando o bloco BS-4 foi parcialmente devolvido, “o consórcio operador tomou a decisão de focar nas consideráveis descobertas já confirmadas no pós-sal”. Naquela época, segundo a Shell, “a indústria não reconhecia o potencial do pré-sal na região”.

    A legislação brasileira determina que após alguns anos explorando um bloco, as petroleiras devem delimitar uma parte da área para mantê-la sob concessão. Outra parte, sem descobertas ou interesse relevante, deve ser devolvida à ANP. Se avaliarem mal uma área, as concessionárias podem acabar devolvendo ao governo reservas desconhecidas de petróleo.

    “Naquela época, o pré-sal já era uma forte possibilidade, mas ainda não era o objetivo das petroleiras e com isso vários blocos, ou parte deles, como neste caso, foram devolvidos à ANP, por causa dos prazos exploratórios”, disse outra fonte, que acompanhou o assunto na época.

    Alguns anos mais tarde, as petroleiras descobriram petróleo no bloco BS-4, mas foi fora da área de Libra, em objetivos que deram origem aos campos de Atlanta e Oliva.

    Shell, Petrobras e Chevron acabaram vendendo suas fatias no BS-4. Queiroz Galvão, Barra Energia e mais recentemente a OGX assumiram os direitos de concessão do bloco.

    Com o fim do monopólio estatal no final da década de 1990, a Petrobras precisou negociar parcerias com outras petroleiras para dar conta das metas exigidas pelo governo na exploração de vários de seus blocos de petróleo. Uma destas parcerias foi firmada com a Shell e a Chevron no BS-4.

    A partir de 2000, a indústria do petróleo já possuía estudos sísmicos capazes de identificar petróleo abaixo da espessa camada de sal. Mas os desafios operacionais impostos pelas condições de temperatura e pressão desanimaram muitos geólogos a prosseguir os trabalhos em profundidades maiores, lembra a fonte.

    Várias áreas com potencial de acumulações no pré-sal foram devolvidas no começo dos anos 2000 por falta de descobertas efetivas de petróleo.

    As primeiras descobertas do pré-sal da Bacia de Santos ocorreram em meados da década passada, com o reconhecimento de jazidas enormes como Tupi, depois rebatizado de Lula. Mesmo assim, uma parte do entorno de Tupi também teve de ser devolvido pela Petrobras, porque a legislação determina que as petroleiras não podem ficar com toda a concessão após determinado período de tempo.

    DIVISÃO NA PETROBRAS

    Por estas e outras razões, o leilão de Libra sofre restrições não apenas dos operários ligados às manifestações sindicais, mas também de executivos da própria Petrobras. Há um grupo na estatal que é contra o leilão.

    Uma terceira fonte consultada pela Reuters afirma, porém, que o episódio foi superado e lembra que Petrobras e Shell formaram parcerias posteriores ao insucesso no poço do bloco BS-4.

    Procurados, representantes da Petrobras não foram encontrados para comentar o assunto.

    O leilão de Libra ocorrerá em meio a uma onda de protestos, liminares na Justiça tentando barrá-lo e uma greve que afeta as atividades da Petrobras desde a semana passada.

    O regime de partilha a ser adotado agora é considerado bem diferente dos outros realizados no Brasil, e é apontado por executivos como inédito no mundo, especialmente pelo forte controle estatal. A Petrobras terá pelo menos 30 por cento dos direitos sobre Libra e, com recém-criada estatal PPSA terá a maioria dos votos para decidir os planos para a área.

    Em um modelo de licitação em que o bônus é fixo –15 bilhões de reais no total–, quem oferecer a maior parcela de óleo à União ganhará a licitação. A parcela mínima que caberá ao governo federal é de 41,65 por cento do petróleo de Libra, descontados os custos de produção.

  23. JC Says:

    Paulinho,
    Trabalho na Petrobras desde 1987 e lá atrás já ouvíamos as histórias de corrupção da década de 1970 e 1980 com os militares. Vários enriqueceram e principalmente um tal de Shigeaki Ueki, famoso pelos 10% de barril comprado pela Empresa para seus cofres. Tanto é que adquiriu uma das maiores fazendas no Texas à época. Então falar que no “tempo dos militares” não havia corrupção! Só mesmo vaca de presépio para concordar. E hoje o que temos dessas vacas no país, encheriam milhares de Maracanãs!!!

  24. Wilson José Says:

    Muito mimimi, mimimi, mimimi e não respondem porque não investigaram o governo FHC, vou escrever o que acho, viviam de pregar ética e honestidade antes de assumirem o poder, e hoje se lambuzam na corrupção que cansaram de acusar, são é muito safados mesmo.

  25. Carlos Says:

    Das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, seis financiaram Aécio Neves com 20 Milhões de reais

    Enquanto o alto clero tucano em evento realizado pelo partido em São Paulo nesta sexta-feira (14) comemorava as prisões de executivos de empreiteiras, e o possível desgaste do governo Dilma; “Tem muita gente sem dormir em Brasília”, afirmou senador Aécio Neves; colega Aloysio Nunes, que foi vice dele na campanha presidencial, usou o mesmo tom: “A casa caiu”; PSDB se vê imune neste escândalo; “Petrobras incorporou à sua história a marca perversa da corrupção”, prosseguiu Aécio, em tom sério.

    O que Aécio Neves e seus Correligionários (PSDB), não sabiam, por falta de assessoria de comunicação, ou por “cara de pau” mesmo, é que das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, seis financiaram sua campanha para presidente, o valor gira em torno de 20 Milhões de reais.

    São elas: Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

    http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/das-9-empreiteiras-alvo-da-operacao-lava-jato-seis-financiaram-aecio-com-20-mi

  26. Wilson José Says:

    Informações de um blog petista e por sinal bem fuleiro, não tem jeito vocês estão conseguindo arruinar o país junto a uma cambada de políticos inescrupulosos, e não adianta acusar os outros já que são tudo farinha do mesmo saco, o importante na verdade seria toda essa cambada abandonar seus cargos e entregar nas mãos de pessoas competentes e honestas, mas infelizmente esse sonho está longe de acontecer.

  27. João Domingos Custodio Says:

    Tem um erro do Lucas Mendes aí:a data é 28 de janeiro e não 38 de fevereiro…já que Francis morreu no inicio de fevereiro de 97…

  28. João Domingos Custodio Says:

    e não 28 de fevereiro..corrigindo..

  29. Marcelo Bretas Says:

    Ele naquela época usou o que atualmente a mídia faz , que é o jornalismo declaratório. Aqui joga-se o nome das pessoas na imprensa como culpado e ele que se vire para provar que é inocente. Só que ele estava no EUA e aí a petrobras entrou como processo na justiça americana. E lá acusou tem que provar. E ele não tinha prova nenhuma. Aqui todos sabemos que a corrupção está em todos os níveis, mas conforme interesses o resultado final é que a corrupção minha é menor que a sua. A única conclusão que tiro é que a impunidade produzida pela nossa justiça é a grande responsável pela situação atual

  30. Gilson Soares Says:

    Como é bom aparecer um pouco de outras verdades às vezes. Fica claro que a maldita corrupção toma conta deste país desde sempre. A denúncia do Francis é da época do governo do PSDB, tão podre quanto o PT.

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