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A grande Final

levir e marcelo

Da FOLHA

Por TOSTÃO

A final da Copa do Brasil confirma a supremacia dos times mineiros nos últimos dois anos

Nos dois últimos anos, o Cruzeiro, bicampeão brasileiro, e o Atlético-MG, campeão da Libertadores de 2013 e da Recopa de 2014, foram os maiores destaques entre os times brasileiros. A final da Copa do Brasil confirma essa supremacia.

O Cruzeiro, por ter quase toda a torcida no Mineirão, por desejar demais a conquista da Tríplice Coroa, contra o grande rival, e por estar aliviado, após ganhar mais um Brasileiro, tem razoáveis chances de ser campeão. Do outro lado, o Atlético, com uma ótima vantagem de dois gols, querendo também muito este título inédito, ainda mais contra o Cruzeiro, tem maiores possibilidades de êxito.

O Cruzeiro possui uma equipe eficiente, definida, desde o ano passado, com um estilo clássico, uniforme, sem exageros e sem sobressaltos. Assim como existem jogadores que driblam de uma mesma maneira e não são desarmados, o Cruzeiro tem tido sucesso com uma estratégia bastante conhecida por todos.

A principal jogada da equipe, difícil de ser marcada, são os cruzamentos pelos lados, feitos pelos laterais ou meias. Marcelo Moreno e Ricardo Goulart são excelentes nas jogadas aéreas. A presença de Mayke, veloz, ofensivo e com ótimos cruzamentos, é importante para o Cruzeiro. Existe um grande esforço e uma boa possibilidade de ele jogar. Se não atuar, deve entrar o zagueiro Léo, improvisado, ou um volante (Henrique ou Willian Farias). Outra alternativa, corajosa e arriscada, é colocar, de lateral, um atacante rápido, acostumado a jogar como ponta e a marcar.

Everton Ribeiro acrescenta ao estilo clássico e uniforme do time a beleza, a improvisação, a fantasia e os efeitos especiais de sua maneira barroca de jogar.

O Atlético deve jogar com dois volantes, Rafael Carioca e Donizete. Os dois são mais habilidosos que Josué e Pierre. As melhores atuações do Atlético aconteceram com Dátolo de segundo volante. A solução, em qualquer time, para se ter um meio-campo mais criativo, não é ter apenas um volante. É ter dois –ou pelo menos um– que marquem e que gostem de ficar com a bola e comandar o jogo.

Com o crescimento de alguns jogadores, como Jemerson e Luan, e a contratação de Douglas Santos, bom lateral, titular da seleção olímpica, o Atlético melhorou, após a chegada de Levir Culpi. Antes, Luan era apenas um menino maluquinho. Continua maluquinho, mas com inteligência coletiva e boa técnica.

Os momentos espetaculares do Atlético, com Levir Culpi, aconteceram na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, no Independência, e, principalmente, nas viradas heroicas contra Corinthians e Flamengo. Hoje, é uma situação oposta. É o Atlético que tem a vantagem de dois gols. Em vez do estilo Galo Doido, corajoso e arriscado, o Galo, provavelmente, será um time mais racional, prudente, sem loucuras. Isso é perigoso.

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