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Bolsonaro, CBF e Conmebol querem realizar a Cova América

Jair Bolsonaro acena para a torcida ao lado de Rogério Caboclo, presidente da CBF, e Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, na final da Copa América de 2019, disputada no Brasil

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Por que abrigar o torneio quando o Brasil marcha célere para 500 mil mortes?

Difícil achar a melhor definição: escárnio, desfaçatez, provocação, loucura ou, apenas, crime?

Como definir o ato revoltante de aceitar fazer no Brasil um torneio que colombianos e argentinos houveram por bem abandonar apesar de já estarem com tudo pronto para recebê-lo?

Por que abrigar nove seleções sul-americanas, novas cepas, dividir recursos e atenções que deveriam estar destinados ao combate da pandemia, num momento em que a Covid recrudesce e o país marcha célere para 500 mil mortes?

Não pode ser obra de pessoa sã, em pleno domínio de suas faculdades mentais, mas de alguém que precisa ser interditado — e com urgência.

Já não se trata mais de impeachment, mas de interdição por uma junta de psiquiatras. De camisa de força.

O genocida é inimputável, nem se trata de submetê-lo ao sistema penitenciário, mas ele pura e simplesmente deve ser entregue ao manicomial.

Não há nada, rigorosamente nada que justifique uma outra edição da Copa América no Brasil do ponto de vista esportivo, mas não é nem isso que cabe discutir.

Sim, o Brasil a sediou em 2019 e a edição de 2021 já era vista como um fardo a mais para os clubes desfalcados de seus principais jogadores também pelas Eliminatórias.

O que está em jogo vai muito além, porque revela que a mais corrupta das confederações continentais de futebol, a Conmebol, capaz de superar a CBF em ex-presidentes presos e banidos do esporte, a exemplo do genocida, só pensa em fazer girar as moedas em seu cofre, danem-se as vidas que puser em risco ou a bola que vier a rolar sobre as covas abertas da América Latina.

Há quem critique o Supremo Tribunal Federal por judicializar a política nacional. Pode ser que sim, pode ser que não, mas é obrigatório que alguém ponha um freio na sandice da necropolítica levada às últimas consequências.

O genocida já andou a cavalo, já andou de moto com um bando de imbecis que precisa sentir alguma coisa potente entre as pernas, já imitou doentes terminais com dificuldade de respirar, já chamou a maioria da população de marica e começou por classificar como gripezinha a pandemia.

O que mais será permitido ao doidivanas fazer?

Em 1975 a cidade de São Paulo deveria receber os Jogos Pan-Americanos quando uma epidemia de meningite atingiu o estado. Prontamente a ditadura então instalada proibiu que a imprensa noticiasse o surto. Nem assim conseguiu levar a cabo o evento, transferido para a Cidade do México.

Agora, o ex-capitão, chamado de “mau soldado” pelo ditador Ernesto Geisel, extrapola o poder conferido pelas urnas em 2018, evidentemente esgarçado como demonstram as pesquisas e até as ruas que o escolheram como pior que a Covid, para trazer ao país o que já é chamado de Cova América.

O medíocre e enrolado Rogério Caboclo agradece ver o foco de seu pequeno escândalo atingir proporções que o deixam meio de lado.

O genocida, por sua vez, acha um modo de desviar o foco da CPI que já elencou mais uma dezena de seus crimes de responsabilidade.

Ele se diz “imorrível, imbroxável e incomível”, quando é apenas intragável.

O Brasil precisa vomitá-lo.

E João Agripino Doria revela-se um bolsominion de sapatênis e grife brega.

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