Desconstruindo o relatório: a “sustentabilidade” fictícia do Corinthians
“O resultado de uma gestão responsável e eficiente também pode ser constatado pelo nível de endividamento do clube. Ao longo dos últimos seis anos, essa situação se inverteu, proporcionando o equacionamento da dívida.”
RAUL CORRÊA DA SILVA, diretor de Finanças do Corinthians
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No últimos anos, em meio a declarações de riqueza absoluta, que agora sabe-se, desprovidas de verdade, o Corinthians arrotou modernidade por conta da distribuição de um Relatório de Sustentabilidade.
A responsabilidade pelos dados inseridos no material é do Diretor Financeiro Raul Corrêa da Silva, criminoso fiscal, segundo o MPF, dono também da BDO/RCS, que distribuía à imprensa releases dando conta de que o Timão era uma espécie de Barcelona das Américas.
Hoje, após a revelação, oficial, de que o clube deve bem mais do que pode pagar, o “relatório”, que antes era motivo de orgulho, tornou-se outra pedra no sapato dos dirigentes.
Uma espécie de livro de ficção que ninguém mais quer assinar.
Selecionamos, abaixo, trechos interessantes, e engraçados, do último relatório, publicado em maio de 2014, uma espécie de roteiro tragicômico da desonestidade:
“O Corinthians publica, pelo sexto ano consecutivo, seu relatório de sustentabilidade, iniciativa fundamental para a transparência e a prestação de contas da atual gestão.”
“O processo de definição do conteúdo do relatório e de priorização dos temas abordados foi conduzido pela Presidência e pela Diretoria de Finanças do Corinthians, com suporte das demais diretorias.”
“Este relatório foi auditado pela RSM FONTES Auditores Independentes.”
“Conselho Editorial: Mario Gobbi Filho, Raul Corrêa da Silva e Marcos Chiarastelli.”
“Consultoria de Conteúdo: BDO/RCS
“O resultado de uma gestão austera e responsável permitiu ao clube registrar um superávit de R$ 1 milhão em 2013 (Mario Gobbi)”
“Receitas operacionais: R$ 279,1 milhões (futebol), R$ 36,8 milhões (clube)”
“(..) foi montada uma estrutura de gestão profissional, contemplando a governança corporativa, com transparência na prestação de contas, regime presidencialista (…).
“As ações táticas empregadas foram severas, tratamento ortodoxo, analise das despesas visando a sua redução.”
“(…) reuniões periódicas com as vice-presidências e diretorias, para discutir os números (…)”
“Também foi implantada uma contabilidade gerencial, com acompanhamento mensal.”
“Estudo da BDO/RCS mostra que a marca Corinthians foi a mais valorizada em 2013, com crescimento de 10,30% com relação a 2012, atingindo R$ 1,1 bilhão.”
“Os números do Corinthians revelam o topo da pirâmide, mas também apontam uma evolução contínua.”
“O Corinthians também foi apontado como 16º clube mais rico do mundo em 2013. (…) o clube de futebol mais valioso das Américas.”
“A pratica da governança corporativa nos últimos sete anos aumentou a transparência e os resultados do clube.”
“No acumulado de seis anos, a receita do clube subiu 135%, atingindo R$ 316 milhões.”
“A estratégia de manter as finanças saneadas continua firme e forte na administração do clube.”
“O resultado de uma gestão responsável e eficiente também pode ser constatado pelo nível de endividamento do clube. Ao longo dos últimos seis anos, essa situação se inverteu, proporcionando o equacionamento da dívida.”


