Confira, na íntegra, o laudo final da Comissão que manteve a interdição do Engenhão
Num episódio absolutamente vergonhoso, que demonstra bem a incapacidade de nossos governantes, o até então estádio mais moderno do Brasil, o Engenhão, construído para o Pan de 2007, está interditado por falta de segurança.
Além disso, já foi descartado para a Copa do Mundo e dificilmente será utilizado nas Olimpíadas de 2016.
Segundo observação dos engenheiros da Comissão de Avaliação Especial do Engenhão, a cobertura do estádio foi mal projetada e corre o risco de cair.
Assinado pelos engenheiros Carlos Dantas de Campos, Nelson Szilard Galgoul e Sebastião Arthur Lopes de Andrade, o relatório, de 26 páginas, é minucioso.
Há fotos dos principais focos dos problemas, e indicação de como devem agir os governantes para resolvê-los.
Selecionamos, como destaque, as recomendações da Comissão e também as Considerações Finais, que sintetizam problemas e soluções para o estádio.
Ao final, basta clicar no link disponibilizado para ter acesso ao Relatório, na íntegra, dos engenheiros.
RECOMENDAÇÕES DA COMISSÃO:
Diante das considerações expostas e da avaliação de toda a documentação disponibilizada (ver “Bibliografia), esta comissão entende que o reforço estrutural imediato da cobertura do estádio é imprescindível para que possa ser utilizado com os níveis mínimos de segurança exigidos pela legislação vigente.
Para a definição de um plano completo de intervenção na estrutura da cobertura, recomenda-se:
– Desenvolver um estudo do escoramento da estrutura, associado à elaboração de um procedimento compatível de transferência de cargas tanto no escoramento como no descimbramento;
– Estudar novos travamentos dos arcos de modo a evitar deslocamentos horizontais excessivos;
– Definir uma forma mais eficiente de transferência das cargas horizontais da cobertura e que não produzam grandes esforços no centro dos tirantes;
– Estudar um reforço estrutural dos arcos e tirantes, e dos pendurais caso necessário;
– Estudar um reforço das tesouras e dos respectivos travamentos destas, visando a substituição mínima de joists de modo a colocar entre as tesouras elementos estruturais mais robustos, em termos de resistência e rigidez estrutural, necessários para os travamentos no plano da cobertura. Alternativamente pode ser previsto um sistema independente para travamento lateral das tesouras, deixando para as joists somente o papel de terças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As estruturas dos arcos e tirantes, e as treliças, da cobertura do Estádio Engenhão apresentam não-conformidades de projeto com reflexos já visíveis sobre o estado da estrutura, pelo que os níveis de confiabilidade estrutural prescritos pela norma NBR-8800/08 não são atendidos.
Há necessidade urgente de colocação dos arcos numa posição estruturalmente correta, ou seja, cada arco em funcionamento deve estar contido no seu plano ressalvando-se as tolerâncias de deslocamentos previstas em norma que são da ordem de vão/1000 a vão/500.
No presente caso estes limites máximos são da ordem de 220 a 440 mm para os arcos dos setores Leste/Oeste e de 160 a 320 mm para os arcos dos setores Norte/Sul.
Adicionalmente o desvio de alinhamento de qualquer trecho dos arcos entre duas seções de travamento através de pendurais não deve ser maior que 40 mm.
Qualquer que seja a metodologia de intervenção para a reabilitação estrutural, deve-se sempre procurar uma solução que requeira o menor prazo de execução de modo a devolver o equipamento público à população.
Rio de Janeiro, 06 de junho de 2013
CARLOS DANTAS DE CAMPOS
CREA-RJ 1988105974
O/SUBOP/CGP
NELSON SZILARD GALGOUL
CREA-RJ 22.065/D
NSG ENGENHARIA
SEBASTIÃO ARTHUR LOPES DE ANDRADE
CREA-PR 4534/D
PUC-RIO
No LINK ABAIXO, ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DA COMISSÃO ESPECIAL DE AVALIAÇÃO DO ENGENHÃO
Comissao.Especial.de.Avaliacao.do.Engenhao..LaudoFinal
