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Quem computa o “custo mensalão”?

Da FOLHA

Por BARBARA GANCIA

“Pela ‘governabilidade’, alianças de Lula não foram só com políticos de escassa reputação”

O MUNDO anda tão espeloteado que até a Argentina, país governado não por uma presidente, mas por um free shop (bolsa Vuitton, capa Burberry, óculos Dior, perfume Givenchy, esmalte Chanel e assim por diante, não?

Ou seja, ela é o “duty-free” ambulante do aeroporto de Ezeiza, né não?)

Pois então, até a Argentina de Cristina Free Shop Kirchner agora deu para mudar radicalmente seu estilo.

Perceba.

De sua linha de montagem, de uns tempos para cá, não saem mais canastrões de ego inflado, pavões que se veem como deuses viventes ou milongueiros que esqueceram de trazer o superego de volta daquela viagem de férias à Patagônia.

O país de Maradona tornou-se o paraíso dos modestos, de gente como Del Potro, o tenista “na dele” que já faturou um US Open, de Lionel Messi, gente como a gente, da rainha holandesa sem frescuras, Máxima, e da surpresa mais recente, o papa “zero bullshit” Francisco.

E não me venha com reticências.

O Prêmio Nobel da Paz argentino, Pérez Esquivel, diz que Bergoglio é limpeza e pronto.

Até eu, em minha pueril intransigência contra a doutrina de uma igreja que se coloca contra mim, com a manjada ladainha de que nós, homossexuais, representamos uma “ameaça à família” (a única família que eu me recordo de ter ameaçado foi a de um bando de capivaras, no Mato Grosso do Sul, mas isso eu conto de outra feita.

E juro que não havia entre elas nenhum coroinha), sou capaz de reconhecer neste novo papa um camarada preocupado com o meio ambiente, com a humildade de se ver irmão de judeus, muçulmanos e zoroastristas e de admitir para a enorme comunidade gay do mundo, justamente aquela que pode prevenir a explosão populacional que promete arruinar o planeta, a compatibilidade entre o amor de Cristo e a falibilidade de suflê de goiaba da condição humana.

Pois se a Argentina surpreende com seus novos exemplos de recato e humildade (olvidemos madama free shop), o Brasil não comove exatamente pela coerência.

Pesquisas comprovam que a popularidade da presidente aumentou.

Mas a economia anda rateando e as previsões não são das melhores num futuro de médio prazo.

Fala-se muito nas alianças feitas com cobras, lagartos e larvas do mosquito da dengue no Congresso que Lula teve de forjar para tocar o barco adiante depois da tragédia do mensalão.

Na verdade, o petista virou refém de uma situação como Clinton no caso Monica Lewinsky, que por força da situação foi parar na bandeja do procurador Ken Starr e acabou servido em banquete pelos republicanos.

Lula não fez alianças só com políticos de todas as laias para viabilizar a governabilidade.

Por ser “outsider” do establishment, viu-se obrigado a ceder nacos de poder também aos empresários.

Nem vamos começar a falar da pilhagem ao BNDES, não é mesmo?

Pobre Graça Foster, profissional séria, herdou um abacaxi e tanto.

A presidente da Petrobras agora luta contra o prejuízo de ter cedido tantos contratos de grandes obras e cargos estratégicos dentro da empresa entre eikes e as mesmas construtoras de sempre, que a tudo canibalizam sem deixar migalhas, como se este país continental fosse o quintal da casa delas.

Mérito de Dilma tê-la colocado lá e de ser ela que resolveu peitar a turma de valentões.

Gasolina vendida a preços mais baratos do que custa para produzir e essa palhaçada de proposta da EBX de Eike Batista que insiste em construir shopping (apoiado pelo Iphan!) na Marina da Glória são só amostras.

Não está na hora de dar um basta, tipo pastor Feliciano?

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