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Os Estafetas de Imprensa de Carlos Arthur Nuzman

Por ALBERTO MURRAY NETO

Já escrevi aqui sobre esse assunto. Tirando o bom salário que deve receber, muito acima da média de seus colegas de jornalismo, ser assessor de imprensa de Carlos Nuzman deve ser o fim da picada.

Fico na dúvida se a assessoria de imprensa de Nuzman realmente acredita no que seu patrão diz, ou se apenas exerce o ofício porque todos nós precisamos trabalhar. Assim, eles tapam o nariz e engolem o sapo.

Não é possível que o desejo de um jornalista seja cercear o próprio livre arbítrio e a independência de opinar livremente, sob qualquer tema.

Quando fui falar no Senado Federal, naquele dia famoso em que Orlando Silva e Carlos Nuzman fugiram do debate comigo, havia um desses assessores de imprensa de Nuzman que ficou o tempo todo assistindo a tudo.

De vez em quando se sacudia na cadeira do fundo e murmurava qualquer coisa, sempre que se imputava ao seu chefe e ao COB alguma culpa pelo estouro no orçamento dos Jogos Panamericanos Rio 2.007.

Resmungava ele que a culpa do “orçamento muito flexível” não era do COB, nem do Co-Rio, mas dos níveis de govermo, como se as duas entidades “privadas” não estivessem envolvidas até a alma com a organização daqueles jogos.

Eu olhava para o fundo da sala e sentia pena daquele assessor de imprensa, ávido em anotar tudo para depois, provavelmente, relatar tim tim por tim tim ao patrão.

Pensei que um dia aquele profissional da imprensa ingressou na faculdade e sonhou ser livre, desapegado de interesses, para escrever, falar, noticiar segundo os fatos reais e dando a própria opinião sobre as coisas.

Imaginava quão frustante não deveria ser para aquela pessoa estar ali, em uma audiência pública no Senado Federal, servindo não como jornalista, mas, talvez, como um cão de guarda de seu dono.

Ele, jornalista, tolhido, encurralado, não poderia sair dali com opinião própria. Não lhe seria possível expressar sua opinião. Teria que rezar pela cartilha de quem lhe paga o alto salário.

Vale a pena um jornalista sacrificar sua carreira para bem servir a um senhor e defender publicamente posições extremamente polêmicas?

Qual é o grau do desgaste da imagem que sofre um profissional como esse? Qual é a credibilidade que esse jornalista terá quando deixar o posto, ou for demitido? Para mim, aqueles jornalistas que em alguns momentos serviram aos generais da ditadura, ficaram com um indelével carimbo na testa.

Também já disse que na estrutura de poder do Comitê Olímpico Brasileiro existe uma rigorosa fiscalização de tudo que sai publicado contra a entidade. Há umas pastas em que se guardam artigos que referenciam aqueles que, segundo as suas próprias avaliações, são contrários ”ao regime”.

Quando falei isso (as pastas de fato existem!), Nuzman processou-me. E perdeu (processe de novo!).

Quando um jornalista escreve algo que desagrade ao dono do COB, não demora para que esse jornalista receba um convite para visitar a entidade, com as despesas de passagens devidamente pagas. Os bons jornalistas não se furtam à visita. Vão no rastro da notícia, da investigação. Mas não aceitam receber as passagens do COB. Pagam as suas despesas.

E esses mesmos bons jornalistas saem dessas visitas cada vez mais convictos de que o COB está muito mais preocupado em organizar eventos, construir grandes obras, pagar alta folha de salários, do que incentivar a prática desportiva no Brasil. Claro que também devem haver jornalistas desfrutáveis, que se deixam seduzir por um faustoso almoço em algum restaurante caro. Quando isso ocorre, talvez o assessor de imprensa respire aliviado e pense: “Ufa. Missão Cumprida.”

Nuzman muitas vezes, antes de falar alguma coisa em entrevistas, olha para a sua assessoria de imprensa, como quem pede o consentimento para responder àquela pergunta. Vocês que entrevistam o Nuzman, reparem nisso.

Fico aqui pensando que ele e seus jornalistas assessores ficam dias e dias ensaiando expressões, caras, sorrisos, olhares, tudo para, no mundinho deles, cultuar a “boa imagem do líder”. Acho que esse trabalho não tem dado muito certo, vez que o COB e sua gente só tomam pauladas.

Ser um assessor de imprensa desse jeito, a pessoa está mais para estafeta, guarda costas, do que para exercer o trabalho jornalístico em sua plenitude.

Albert Murray Neto

Twitter: @albertomurray

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