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A I”moon”dice religiosa e o futebol

Aproveitando que os assuntos “sacanagem” e “reverendo Moon” estão em evidência no mundo do futebol, republico abaixo um texto escrito por XICO MALTA, originário do Blog do Birner, em que a relação do charlatão com o esporte é muito bem explicada.

É de 2008, mas, sem dúvida, ainda muito atual.

O Messias Cartola

Por XICO MALTA

Há todos os tipos de personagens no fétido mundo da cartolagem: Mafiosos internacionais, ex-atletas oportunistas, políticos corruptos e empresários inescrupulosos.

No entanto, em meio a todo esse universo pecaminoso, há também um Messias. Vejamos quem é o Ungido, quais são suas atividades e quais são suas relações com o futebol.

O “Messias”
Sun-Myung Moon, mais conhecido como Reverendo Moon, nasceu em 1920, na província de Pyungan Bukdo, em Kwangju Sangsa Ri, pequeno vilarejo situado atualmente na Coréia do Norte. Em 1936, com apenas 16 anos de idade, no dia de Páscoa, Moon afirma ter recebido uma revelação de Jesus Cristo o qual teria dito: “Complete minha obra e estabeleça o reino de Deus na Terra!”.
Obediente ao comando divino, Moon fundou a Igreja da Unificação e revelou ao mundo sua missão messiânica, sendo a única pessoa capaz de entender o verdadeiro significado da Bíblia.

A Teologia da Unificação
Segundo o reverendo, em seu livro o Princípio Divino, a primeira tentativa de estabelecer o reino de Deus na Terra, ocorrida no jardim do Éden, fracassou por conta da fornicação de Eva com Satanás; a segunda, por intermédio de Jesus Cristo, também fracassou por culpa de João Batista e dos judeus; porém, a terceira e última tentativa, com Moon, será finalmente alcançada.

A catequização
No site da uma organização independente que cuida das vítimas de seitas (preventsectes.com) está descrito o modus operandi da Igreja de Moon para angariar novos membros: “As pessoas contatadas pelos moonistas nunca são informadas, durante a adesão, sobre os verdadeiros objetivos da seita, nem de suas atividades, até mesmo da existência de seu fundador”.

Há uma grande mentira desde o começo. Lavagem cerebral que consiste em técnicas de manipulação psicológica. O membro que desejar sair é ameaçado: “Se você nos abandonar, você será atormentado ou morrerá”. O adepto deve adotar os seus pais verdadeiros (Senhor e Senhora Moon), o pai e a mãe espiritual. Ele deve converter os seus pais “satânicos” (os genitores), porém, caso não consiga converte-los, ele deve se distanciar dos mesmos rompendo totalmente o relacionamento.

Os métodos de doutrinamento são os mesmos utilizados por outras seitas: Privação de sono, comida pobre em proteína, isolamento e ruptura com suas origens, ocupação continua, lavagem cerebral, complexo de culpa, medo de desagradar a Moon (isto é, Deus), medo do diabo e do inferno, longas horas de trabalho sem remuneração, mendicância pública….

Há também outras características bem peculiares: deslocações freqüentes, no país de origem depois no estrangeiro, para cortar completamente o adepto de seu meio” (Fonte: preventsectes.com).

A Organização 
O centro espiritual da Igreja da Unificação está localizado no seminário de teologia de Tarrytown, NY, desde 1975. Um prédio de 42 andares e com 2.000 cômodos, o New Yorker Hotel é, também, a sede administrativa da organização.

Cada país possui uma organização nacional própria, sob o comando e direção da sede americana. O chefe supremo da Igreja é o reverendo Moon que exige uma obediência cega e absoluta, pois ele é o líder soberano na terra.

Durante a guerra fria, a igreja da Unificação recebeu a benção dos dirigentes sul coreanos para realizar uma forte propaganda anticomunista. O objetivo era justificar a presença militar norte-americana em solo coreano e a necessidade de provar a superioridade do sul capitalista em relação ao norte comunista.

Além de suas qualidades messiânicas, Moon é também um bem sucedido homem de negócios, com uma fortuna estimada em oito bilhões de dólares. O império do reverendo está distribuído em diversas atividades econômicas: fábrica de armamentos como a coreanas Saeilo, frota de barcos pesqueiros especializados na pesca de atum nas costas americanas (International Oceanic Enterprises) e um gigantesco parque editorial “Groupe News World Communications”, sendo o Washington Times um de seus principais jornais.

No Brasil, a igreja de Moon, acusada de crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, investiu em fazendas para onde são direcionados fiéis do mundo todo. Contabiliza-se em torno de 70 propriedades, localizadas principalmente na região pantaneira do Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com o Paraguai. A “CPI do Reverendo Moon”, realizada pela Assembléia Legislativa do estado sul mato-grossense, constatou que a Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial (assim é chamada a igreja de Moon no Brasil) já adquiriu no estado mais de 80 mil hectares de terra, com destaque para a fazenda Nova Esperança, localizada no município de Jardim, a 240 km de Campo Grande, a qual deu origem ao nome do clube de futebol “Clube Esportivo Nova Esperança”, ou “CENE”, fundado pelo Reverendo no dia 15 de dezembro de 1999.

Cene
O Clube Esportivo Nova Esperança (CENE), em seus 9 anos de história, conquistou três vezes o campeonato sul mato-grossense de futebol, nos anos de 2002, 2004 e 2005. Em 2004, já sediado em Campo Grande desde 2002, o CENE ganhou de seu patrono, um impressionante centro de treinamento com 7 campos oficiais de futebol, piscina térmica, alojamento para atletas, academia e clínicas de fisioterapia e nutrição. “O Reverendo Moon é um investidor e a principal orientação dele é fazer do esporte um instrumento para desenvolver a paz mundial. Temos um centro de treinamento com sete campos no bairro mais violento de Campo Grande e estamos construindo um estádio para cinco mil pessoas no mesmo local, além de escolinhas espalhadas por várias cidades. Os resultados estão aparecendo – explicou Paulo Telles (técnico do CENE), orgulhoso pela revelação do atacante Keirrison (ex palmeiras)” (globoesporte.com, 27/02/2008)

Clube Atlético de Sorocaba
Empolgado com o esporte bretão, o cartola messiânico resolveu adquirir outro clube de futebol, o Atlético de Sorocaba.

Fundado em 21 de fevereiro de 1991, o clube paulista do Reverendo estreou na primeira divisão do campeonato paulista três anos depois, obtendo o oitavo lugar no grupo 1. Em 2005, o Atlético de Sorocaba chegou na 19° posição e foi rebaixado para a segunda divisão do futebol paulista. Curioso observar a letra do hino do clube de Sorocaba, as quais têm forte conotação religiosa moonista:

Atlético, Atlético.
Nova luz de alegria a brilhar
Atlético. Atlético.
Campeão eu quero te saudar.
Tua história gloriosa e tão jovem
É motivo de esperança e fé.
Sorocaba de braços abertos
Te recebe e te aplaude de pé.
Tua cor enaltece a bandeira
Da cidade que ama o que faz.
O teu lema: o amor e a paz
Te eleva e agrada ao Pai.

Atlético. Atlético…
Teu plantel é uma grande família.
Tua meta: um só coração.
És o puro espírito do esporte.
És do bem, és o clube-irmão.
Teu futuro é luz fulgurante.
Tens a bênção do céu, clube meu.
Alegrias imensas darás
A Sorocaba, ao Brasil e a Deus.

Atlético. Atlético…

A Peace cup
Desde 2003, a Peace Cup ou Copa da Paz é um torneio organizado, a cada dois anos, pela Sunmoon Peace Football Foundation, instituição pertencente à igreja de Moon. A competição é utilizada por vários clubes europeus como pré – temporada e tem o objetivo de promover os clubes no continente asiático.

Na França, onde o reverendo está proibido de entrar por causa de uma condenação por fraude fiscal, a União Nacional das Associações de Defesa das Famílias e do Individuo Vitimas de Seitas (Unadfi) chamou a atenção dos clubes participantes da Peace Cup e da própria FIFA: “O Lyon e outros clubes participantes e a FIFA estão cientes que a Peace CUP é organizada por um movimento sectário internacional que explora os seus adeptos em todo o mundo? Será que eles foram seduzidos pelos discursos persuasivos da Seita? Será que pelo menos eles se informaram a respeito dos organizadores desse torneio?

A manipulação de imagens é uma prática corrente de Moon. Por exemplo, no site da Peace Cup, alguns anos atrás, o logo da Adidas estava inserido na página oficial do torneio como “Official Sponsor”. Porém, o escritório da empresa alemã na Ásia foi contundente: “A Adidas não foi patrocinadora oficial da competição”. De fato, a única presença da Adidas era a bola utilizada nos jogos (Fonte: L’express, publicado em 08/08/2005).

Rico e popular, o esporte agrada aos moonistas, de acordo com o sociólogo William Gasparini em entrevista a revista L’express: “o futebol desenvolve um espírito de competição que supõe sacrifícios sobre alguns prazeres mundanos, como o cigarro, álcool e sexo”.

Peace Cup 2003:
Clubes participantes:
Grupo A: Besiktas (Turquia), Seongnam Ilhwa Chunma (Coréia do Sul), Kaizer Chiefs (África do Sul), Lyon (França).
Grupo B: Munich 1860, Nacional (Uruguai), Los Angeles Galaxy (USA) e PSV Eindhoven.
Campeão: PSV Eindhoven
Vice-campeão: Lyon

Peace Cup 2005:
Clubes participantes:
Grupo A: Seongnam Ilhwa Chunma (Coréia do Sul), Lyon (França), Once Caldas (Colômbia) e PSV Eindhoven.
Grupo B: Boca Juniors (Argentina), Real Sociedad (Espanha), Mamelodi Sundowns (África do Sul) e Tottenham Hotspur (Inglaterra).
Campeão: Tottenham Hotspur
Vice-campeão: Lyon

Peace Cup 2007:
Clubes participantes:
Grupo A: Bolton (Inglaterra), Seongnam Ilhwa Chunma (Coréia do Sul), Chivas de Guadalajara (México) e Racing Santander.
Grupo B: Reading (Inglaterra), Lyon (França), River Plate (Argentina) e Shimizu S-Pulse (Japão).
Campeão: Lyon
vice-campeão: Bolton.

Peace Cup 2009:
A Peace Cup 2009 foi organizada pela primeira vez fora da Coréria do Sul. A Espanha foi o país anfitrião da Copa do Reverendo Moon.

O Comitê de Organização aumentou o número de participantes de 8 para 12. Sevilha, Málaga, Jerez e Huelva sediaram a competição.

As equipes estão divididas em 4 grupos:

Grupo A: Sevilha, Juventus e Seongnam

Grupo B: Real Madrid,  LDU e Al-ittihad

Grupo C: Málaga, Aston Villa e Atlante

Grupo D: Lyon, Besiktas e Porto.

O Messias e o Rei
Através de sua empresa Pelé Pro, o Rei acusou o clube Atlético de Sorocaba, parceiro da Peace Cup, de não ter pagado os serviços prestados pela Copa da Paz em julho de 2003. Naquele ano, Pelé deveria promover a competição com algumas aparições públicas em troca de 200.000 dólares e 30 % do faturamento do torneio. Ele pleiteou na justiça quatro milhões de dólares por danos morais pela utilização de sua imagem de modo abusivo e ilegal.

Links
Peace Cup
Atlético de Sorocaba
CENE

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