Presente repetindo o passado: violência no futebol em 1922

Jantando ontem, logo após o Blogueiros especial sobre o Centenário do Santos, com os amigos Xico Malta e Marcelo Santos, tive acesso a um texto impressionante de Lima Barreto, escrito em 1922.

Trata sobre sua preocupação com o crescimento da violência entre torcedores e a omissão da polícia.

Nada mais atual.

FOOT-BALL

Da revista “CARETA”, em 1922

Por LIMA BARRETO

Não é possível deixar de falar no tal esporte que dizem ser bretão.

Todo dia e toda a hora ele enche o noticiário dos jornais com notas de malefícios, e mais do que isto, de assassinatos.

Não é possível que as autoridades públicas não vejam semelhante cousa.

O Rio de Janeiro é uma cidade civilizada e não pode estar entregue a certa malta de desordeiros que se querem intitular sportmen.

Os apostadores de brigas de galos portam-se melhor. Entre eles, não há questões, nem rolos.

As apostas correm em paz e a polícia não tem que fazer com elas; entretanto, os tais footballers todos os domingos fazem rolos e barulhos e a polícia passa-lhe a mão pela cabeça.

Tudo tem um limite e o football não goza do privilégio de cousa inteligente.

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