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Cúmplices do terror

Da “FOLHA”

Por JUCA KFOURI

“Não há mais como ser compreensivo ou esperançoso: as autoridades têm culpa nas mortes”

GOVERNO FEDERAL, pela inação do Ministério do Esporte, e os governos estaduais e municipais são, como os organizadores dos jogos de futebol pelo Brasil afora, culpados pelo estado de violência gerado pelas gangues uniformizadas que, mais que afastar os torcedores comuns, afetam a vida cotidiana dos cidadãos brasileiros.

Já são quase duas décadas de barbárie sem que medidas eficazes sejam adotadas, embora haja exemplos a imitar, como os da Inglaterra.

Surpreendente, por isso, o tom ainda complacente do editorial desta Folha anteontem, sob o título “Pacificar o futebol”.

A banalização da violência com os encontros marcados pelas gangues uniformizadas para matar ou morrer não pode ser mais ignorada como se fosse novidade. Falham a inteligência, a prevenção, a repressão e a punição, com o que as autoridades, mais que um atestado de incompetência, merecem o rótulo de cúmplices, acovardados ou interesseiros, dos marginais impunes.

A ninguém, nessas esferas, pode se dar o direito de ignorar como se dão os embates e quem são os responsáveis, quando virou segredo de Polichinelo que há torcidas organizadas que agem até em associação com o PCC, ocultando armamento pesado para a organização criminosa. Sim, PCC!

Existe uma legislação que é ignorada pelos responsáveis pela organização das partidas, o Plano do Jogo, exigido pelo artigo 17 do Estatuto do Torcedor.

Plano que deve ser publicado nos sítios das federações estaduais e sobre o qual mentem os que dizem cumpri-lo.

E ninguém cobra, nem mesmo o Ministério Público, parceiro da demagogia e das medidas inócuas, como proibir a presença de faixas e fardamentos ou quando propõe extinguir uma torcida que volta no dia seguinte com outro nome.

A escalada da violência não deixa dúvidas: nos últimos dez anos, foram 42 mortes; nos últimos cinco, foram 28, e nos últimos dois, foram 14, ou seja, uma escala crescente.

Mortes que nem comovem, porque causadas por quem se junta para matar ou morrer. Mas que têm efeito devastador sobre os cidadãos que pagam altos impostos pela garantia de ir e vir com segurança.

A minoria que causa tal terror é conhecida das autoridades e permanece impune, por medo e cumplicidade, aliada dos que contratam alta tecnologia para identificá-la, em concorrências que subvencionam a velha corrupção que campeia neste meio.

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