A CPI da Copa

Ricardo Teixeira e Rodrigo Paiva

Da “FOLHA”

Por JUCA KFOURI

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Quem seria melhor do que Anthony Garotinho para investigar Ricardo Teixeira?

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DEPUTADO FEDERAL e ex-governador do Rio, quando conviveu com escândalos de todo tipo em sua gestão, eis que Anthony Garotinho colhe assinaturas para investigar os atos do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Garotinho quer esmiuçar o contrato do COL porque, segundo ele, Ricardo Teixeira pode ficar com todo o eventual lucro da Copa do Mundo.

O parlamentar desconfia ainda de lavagem de dinheiro e quer saber se é mesmo verdade que Teixeira paga advogados com dinheiro da CBF para defendê-lo em questões pessoais.

Verdade que, para tanto, nem é preciso comissão alguma: este colunista é testemunha de que sim, Teixeira paga com dinheiro da entidade os processos que move contra jornalistas.

Mas não têm sido poucas as pessoas que reagem mal não à iniciativa da CPI, mas ao proponente.

E faz sentido, sem dúvida.

É legítimo desconfiar de que seja uma jogada para obter facilidades adiante e tudo o mais que se quiser pensar, em se tratando de quem se trata.

Embora haja uma outra maneira de ver a coisa, remontando às CPIs passadas, que infernizaram a vida do cartola e o indiciariam mais de uma dezena de vezes: a que correu na Câmara Federal, então presidida pelo atual vice-presidente da República, Michel Temer, só foi instalada porque, no Senado, o tucano Álvaro Dias conseguiu emplacar a bem-sucedida CPI do Futebol.

Como havia um pedido anterior, do deputado comunista Aldo Rebelo, Temer correu para que a Câmara não passasse vergonha e instalou a sabotada CPI da CBF/Nike.

Eis que, depois que o combativo presidente daquela CPI, o próprio Rebelo, chegou ao poder com a eleição de Lula, tudo mudou.

A ponto de ele nem lutar mais pelo livro que escreveu sobre a CPI e que Teixeira conseguiu censurar, razão pela qual está proibido, e praticamente desconhecido, até hoje.

Ora, apostemos nas contradições da vida, nos paradoxos ou, se você quiser, na dialética, sem considerar que o inimigo de meu inimigo é meu amigo.

Se Rebelo era contra essa gente e se aquietou pragmaticamente, quem sabe se Garotinho, por mero oportunismo, ele que sempre foi mais dessa turma, não leva adiante o que o outro começou tão bem e acabou tão mal?

Pois a vida também é uma caixinha de surpresas.

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