A constrangedora entrevista de Casares

Julio Casares concedeu entrevista ao UOL, mas, ao fazê-lo, subestimou a inteligência do torcedor são-paulino.
Em vez de enfrentar os fatos que o levaram a responder a um processo criminal, preferiu recorrer a explicações que, no mínimo, exigem enorme boa vontade para serem aceitas.
A frase “eu não sou ladrão” era previsível.
E, como Casares não consegue conter o próprio ego, chegou a insinuar que, se roubasse, o faria com mais inteligência.
Seria essa, então, a mesma necessária para ocultar o crime?
O cartola procura atribuir tudo a perseguições e disputas políticas internas, estratégia igualmente conhecida quando dirigentes passam a ser investigados.
Divergências políticas não inventam documentos, movimentações financeiras nem prestações de contas mal formuladas.
As explicações para a utilização dos cartões corporativos em despesas pessoais pareceram sair da boca de outro acusado da prática do mesmo tipo de conduta: Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians.
Evidentemente, não se trata de um elogio.
O torcedor do São Paulo merece mais respeito.
Além de, segundo as investigações, ter sido lesado, está sendo tratado pelo possível responsável como se fosse ingênuo a ponto de acreditar em contos do vigário.

