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Um convite e uma despedida

Da “FOLHA”

Por JOSÉ ROBERTO TORERO

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Que tal formamos a Torcida Desorganizada, uma torcida que brigará com quem nos quer transformar em trouxas?

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NA SEMANA passada, escrevi sobre o trouxedor, uma mistura de trouxa e torcedor. O trouxedor é o sujeito que, como eu, gosta de ir aos estádios, mas é maltratado por flanelinhas, cambistas, bilheteiros, policiais e até pela falta de banheiros e comida.

O texto teve repercussão inesperada. Aqui na Folha já escrevi umas 800 colunas, e essa foi uma das dez que mais tiveram resposta dos leitores. Muitos disseram que o mais certo era deixar os estádios, como protesto. Outros escreveram que é possível ir aos jogos e, ao mesmo tempo, lutar para não ser um trouxedor. Como prefiro a batalha à retirada estratégica, estes últimos acabaram me convencendo.

E com bons argumentos.

Quanto aos flanelinhas, há a sugestão de deixar o carro um pouco mais longe e andar. O Pacaembu, por exemplo, possui um shopping próximo e vários estacionamentos na avenida Paulista, numa distância perfeitamente percorrível em meia hora de caminhada tranquila.

Em relação aos cambistas, a ideia é matá-los de inanição. Ou seja, jamais comprar um ingresso deles. Há que controlar o nosso vício. Se não deu para adquirir o ingresso antes, e se no dia da partida não há como comprar na bilheteria, paciência… O jeito é não ver o jogo. Comprar de cambista, jamais! Quem faz isso quer bancar o esperto, quer pular na frente da fila pagando uma propina.

Contra os bilheteiros desonestos, o jeito é botar a boca no trombone. Desde já ofereço meu blog (http://blogdotorero.blog.uol.com.br/) como espaço de reclamação e conversa. Ali, nós podemos compartilhar problemas e soluções, e até decidir fazer algumas ações. De minha parte, posso usar este meu emprego de jornalista para entrevistar administradores, vereadores, cobrar informações etc…

Na verdade, acho que nós, os trouxedores, devemos formar a nossa Torcida Desorganizada, uma torcida que não brigará com outras, mas com aqueles que nos querem transformar em trouxas. Uma torcida que abrigará torcedores de todos os times. Nossa proposta é apenas ver nosso joguinho em paz no estádio. É pouco e é muito.

Nossa Torcida Desorganizada não terá sede, reuniões chatas ou mensalidade. Mas pode ter um bom site. Podemos não conseguir mudar o mundo, mas talvez consigamos um banheiro decente para mulheres, demitir algum bilheteiro corrupto ou até, quem sabe, um espaço para assistir aos jogos ao lado do nosso amigo do outro time.

Eu sei que é pouco, que é quase nada. Mas conquistar alguma coisa já seria como um time pequeno vencer uma equipe poderosa.

Trouxedores do mundo, uni-vos. Ou melhor, unamo-nos.

Despedida

Esta é minha última coluna na Folha. O casamento durou 12 anos (com um ano de férias conjugais). Nesse tempo nos divertimos muito, mas estamos fazendo a mesma coisa há muito tempo e, antes que venha a rotina, acho que é melhor nos separarmos. Obviamente continuaremos amigos e vez ou outra podemos dar uma voltinha por aí. Quanto aos três leitores que me acompanharam nesta dúzia de anos, sempre poderão me visitar no blog. Até logo e até lá, Torero.

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6 comentários sobre “Um convite e uma despedida

  1. alvaro

    Li que o Corinthians vai pagar o salário do Vampeta, esta sabendo de algo?

    Timão encarna o Nacional com Vampeta

    JT – Esportes

    Uma parceria entre o Corinthians e o Nacional permitirá ao ex-jogador Vampeta ter a sua primeira oportunidade como técnico profissional. Com muitos jogadores até 23 anos sob contrato, mas sem espaço para aproveitá-los no time principal, a diretoria corintiana aceitou oferecê-los ao clube da Barra Funda, que disputará este ano a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, equivalente à quarta divisão. Assim, a base da equipe será formada pelos jogadores que disputaram a edição deste ano da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

    A parceria será boa para os dois clubes, uma vez que o Corinthians poderá observar os garotos em ação numa competição profissional e guindar eventuais destaques para o time de Mano Menezes – o Timão terá prioridade na contratação dos jogadores que não estiveram ligados ao clube. Ao mesmo tempo, a parceria será boa para o Nacional, que depois de ter disputado recentemente a Série A-1 entrou em decadência e agora disputa a Segunda Divisão.

    Vampeta, campeão mundial com o Corinthians em 2000 e pela Seleção Brasileira em 2002, chega ao Nacional esbanjando otimismo. Para ele, o clube não aceita menos do que o acesso à Série A-3.

    “É uma nova etapa na minha vida e estou ansioso em mostrar serviço. Com a estrutura do Nacional e a qualidade dos meninos do Corinthians, com certeza estaremos entre os quatro que sobem para a Série A-3.”

  2. Marcelo TTI 1972

    Só uma pergunta da entrevista do JJ.
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    O senhor acha possível conseguir um patrocínio na casa dos 30 milhões de reais, como sonha o departamento de Marketing?

    JJ – Vamos passar de 30 milhões!

    Vocês vão ter uma surpresa!

    Só, que os nossos números serão verdadeiros!

  3. Sérgio - SPFC

    Muito boa essa coluna, só acho que você deveria ter publicado também a coluna da semana passada, a que ele fala dos trouxedores. Simplesmente fantástica.

  4. sergio lima

    Nossa, que noticia boa. Nunca consegui terminar de ler uma unica coluna do tal Torero, assim como meu amigo Socrates, brilhantes mas de textos cansativos e muito intelectualisados. Acho que se alguem quiser ler intelectuais, nao serao Socrates ou Torero que iremos procurar. Quem procura a leitura esportiva o faz para relaxar e nao para pensar profundamente, o mundo e nossas vidas tem coisas muito mais serias para serem levadas a serio do que a droga do esporte. Mas alguns nao entendem assim. E o proprio blog do Paulinho e’ o sucesso que e’, primeiro porque fala do clube mais importante do pais, segundo porque usa linguagem de bar e terceiro porque e’ escrito por um cara comum, um “Ze'” que deu certo, e nao a nada mais atraente do que isso. Chega de intelectuais falando de esporte. Queremos mais “Ze’s”.

  5. Carlitus

    Como dizia o falecido jornalista Paulo Francis: “O Brasil nào é um país. É um acampamento de desordeiros”.

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