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Palavra do Magrão

Quem levará o ‘Lixeira de Ouro’?

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5555

Como já escrevi aqui algum dia, a bola é de couro (antigamente era chamada de “bola de capotão”), o couro vem da vaca e a vaca se alimenta de pastagens. A bola, portanto, tem de correr na grama. Esta sempre foi uma das máximas do futebol, em que o gramado é um dos personagens.

Gramado este que hoje é muitas vezes sintético, exatamente para evitar as irregularidades do campo natural, sempre apto a algum imprevisto capaz de alterar o destino de uma partida, como o célebre “gol do montinho artilheiro”. Ele foi maltratado por décadas, pois mais se valorizava o espaço do que a qualidade do campo de futebol.

Conheço histórias de técnicos que mandavam molhar o gramado pouco antes das partidas para deixá-lo escorregadio, de modo a prejudicar o desempenho do adversário, que jamais imaginaria encontrá-lo em tais condições. Isso ocorria em uma época em que a qualidade e a diversidade das chuteiras era muito menor do que hoje e poucos atletas possuíam calçados adequados para esse tipo de situação.

Hoje, contudo, a situação é incomparavelmente melhor e há equipamentos de excepcional qualidade. Ainda assim é possível ver gramados em péssima situação, graças ao descaso com que são tratados. Muitos dos quais, inclusive, onde jogam seleções.

Quando isso ocorre, é natural que se opte por tecidos sintéticos que ofereçam mais recursos aos atletas. Por isso estranhei as declarações dos jogadores uruguaios após a partida contra a Costa Rica, desfraldando críticas contra o terreno do jogo, sintético, obviamente.

A primeira vez que encarei esta novidade foi, nada mais nada menos, na lendária casa dos Giants, em Nova York, durante um evento do Unicef, logo após a Copa da Espanha de 1982. Adorei! Nada de buracos ou outros obstáculos naturais que atrapalhassem os toques de primeira. Só não joga num campo desses quem não sabe nada de futebol. Seria esse o caso dos jogadores da “Celeste”?

Por falar nesse assunto, e sem nenhuma alusão direta ao tema anterior, poucos jogadores brasileiros têm se destacado positivamente neste início de temporada europeia. Não tenho visto os que atuam no futebol russo, croata, no Afeganistão, Uzbequistão ou em qualquer outro país exótico fruto da implosão de antigas fronteiras. Mas, entre os que estão no chamado Primeiro Mundo da bola, ninguém tem feito nada de extraordinário.

Talvez estejam se poupando para a Copa do ano que vem ou desanimados e sem perspectivas para tal. Ou apenas não tenham conseguido chegar ao melhor de suas formas físicas para a atual estação. Espero que recuperem rapidamente a qualidade.

De qualquer forma, apenas um me preocupa. Falo de Robinho, que se encontra em plena “depressão inglesa”. Quando Kaká saiu do Brasil debaixo de críticas e ainda muito jovem, esperava-se um período de adaptação razoável para poder mostrar todo seu potencial. Entretanto, bastaram poucos treinos para se tornar titular do Milan e, alguns anos depois, chegar a ser o maior jogador do planeta.

Robinho deveria ter se aproximado de tamanha glória, mas não é este o caso, principalmente agora que joga em um time relativamente mediano e se sente triste e acabrunhado com o frio britânico. Acho que ele só voltará a jogar bem quando for para um país latino – falam do Barcelona, quem sabe? – onde se sentirá em casa, mais protegido e aquecido diante do calor humano dos mediterrâneos.

Assim como ele, muitos outros jogadores se encontram em uma verdadeira encruzilhada. Um exemplo é Ronaldinho Gaúcho, que já experimentou em toda a sua plenitude a idolatria dos catalães nos anos em que desfilava seu talento no Camp Nou, onde Robinho sonha desembarcar.

Pois é, o Gaúcho, depois que se viu longe de Barcelona, conseguiu pegar uma boa carona no Milan que ainda era de Kaká, mas foi um fiasco em seus primeiros tempos, a ponto de encabeçar a lista dos indicados ao troféu “Lixeira de Ouro” deste ano, promovido por uma rádio italiana. Acompanhado de mais quatro brasileiros (entre os dez agraciados), o que não deixa de ser vergonhoso.

Troféu que o atual artilheiro do Campeonato Brasileiro, Adriano, ganhou por dois anos consecutivos, quando jogava na Internazionale de Milão. Ronaldinho tem melhorado, porém, caso o tempo mude, quem sabe um retorno ao Brasil não seja uma boa pedida. Ronaldo ou mesmo Adriano e muitos mais têm feito a rota inversa e se dado muito bem. Que se lixem os do Velho Mundo.

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. Doutor Raposo

    Caso Robinho queira vir recuperar seu futebol no Brasil, acho que no Cruzeiro tem uma vaguinha pra ele.rsrs

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