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O drama do Vôlei e o Futebol

 

Por ROQUE CITADINI

http://blogdocitadini.blog.uol.com.br/

A mídia divulga, com grande perplexidade, que o Bradesco deixou de patrocinar o time de vôlei feminino de Osasco. Semelhante fenômeno vem acontecendo, nos últimos meses, em várias áreas do esporte brasileiro. Trata-se da crise, batendo forte em nossas portas.

Cabe, no entanto, destacar que o Vôlei tem um sistema inteiramente diverso do Futebol. No caso do Futebol, as equipes, em sua maioria formadas em clubes sociais, foram se consolidando, ano após ano, deixando o amadorismo apenas a partir da década de 1930, e têm hoje sua sobrevivência garantida pelas TVs, empresas patrocinadoras, arrecadação de bilheteria das competições e negociação de atletas.

Mas a base de patrimônio de cada time são seus torcedores, que mantém as equipes, movem paixões, sustentam as audiências de TV e, com sua frequência e atitude, disputam regularmente os campeonatos. Expostos diariamente à crítica da mídia, os clubes de Futebol precisam evoluir em suas gestões, especialmente tornando-as mais transparentes e com mecanismos de controle interno cada vez mais democráticos.

O Vôlei, a partir da gestão Nuzman, seguiu outro caminho e seu modelo se baseia na junção de um patrocinador ou empresa, que reune um grupo de atletas e técnicos e participa dos eventos organizados por associações e federações. Conquanto tenham ganho títulos, não conquistaram tantos torcedores e fãs e equipes extintas não têm ninguém para chorar no “velório”, exceto um ou outro que perdeu um benefício.

Não têm espaço em TVs e suas transmissões são fruto do peso de um ou outro patrocinador. Com exceção de uma ou outra cidade em que se abre um time e se fecha outro, poucos estão envolvidos nas alegrias ou tristezas do esporte. Diferentemente do Futebol, o Vôlei goza de um proteção quase férrea da mídia, sempre pronta a anunciar o profissionalismo e o modo supostamente empresarial com que trabalham dirigentes das confederações.

Agora mesmo, com o final da equipe Bradesco-Osasco, a versão que quase em sigilo circula na internet é que o banco só se retirou do patrocínio porque “tomou um chapéu” da CBV, e não porque estivesse em dificuldades para patrocinar esportes. O modelo do Vôlei, que deu títulos mas não grande emoção a torcedores, está à espera de uma análise mais profunda da mídia, que não o faz por manter relações promíscuas com patrocinadores, dirigentes da CBV ou empresas que organizam os eventos do esporte, muitas das vezes envoltos em estado de igual promiscuidade.

Como sempre tem ocorrido, o fechamento de um e outro time de Vôlei é um velório sem torcida, pois muitas vezes, até esta, quando aparece, é paga. Os dirigentes das federações, confederações e COB, como sempre, receberão a proteção da mídia e pouco discutirão a respeito da crise, até porque o próprio modelo escolhido, que funciona na penumbra, não permite discussões abertas sobre seus financiamentos, problemas e soluções.

O time Bradesco-Osasco morreu, mas sem multidões chorando. Nos próximos tempos virão outros, já que esta parece ser a sina do Vôlei.

Em Tempo: O blog do Juca informa que a prefeitura de Osasco assumirá a equipe de vôlei da cidade.

Maiores informações no link abaixo.

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

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13 comentários sobre “O drama do Vôlei e o Futebol

  1. Paulo

    Não êh verdade que a prefeitura assumirá Sou de Osasco e ouvi a entrevista do Prefeito Emidio ao Caprioti (Osasquense também) a rádio Bandeirantes Ele disse que iria falar com a diretoria do banco para reconsiderar Caso não fosse possível iria buscar recursos E disse que não poderia assumir pois a cidade necessita de coisas mais fundamentais como escola e hospital Diga-se de passagem certíssimo

  2. Rodrigo

    Muita gente afirma e com razão, que existe a necessidade de mais empresas entrar no esporte e com justa razão, pois esta é a forma de melhor desenvolver o esporte, que não o futebol no Brasil. As empresas entaram dão nome aos times e esperam que nas transmissões a rede de tv que monopoliza as transmissões dêem o merecido retorno. Mas o que vemos? A emissora inventando nomes para as equipes, tudo para fugir da divulgação do patrocinador, mesmo que ele seja cliente da emissora. Então aparecem alguns absurdos, o Finasa vira Osasco, o Rexona vira Rio de Janeiro e por ai vai. Quando não tem como, eles inventam nomes: o time masculino de volei do Santander São Bernardo (ex- Banespa) vira, pasmem, Brasil Volei Clube (?) e o time de futebol do Pão de Açucar vira PAEC. É assim não dá. Quanto ao chapéu que o Bradesco tomou, está nas primeiras declarações que mais uma vez a equipe do Bernardinho foi favorecida pela arbitragem e que a CBV tratou a equipe com total falta de respeito, no pódium. Quanto ao Juca Kfouri, como bom especialista em futebol, ele ouviu o galo cantar mas não sabia aonde e noticiou errado. O ex-técnico da equipe Finasa/Osasco informou que a prefitura de BARUERI estaria interessada em patrocinar a equipe, da mesma forma que patrocinam o futebol.

  3. Fábio Barbano

    Eu acho que a Globo faz o certo, não tem que ficar fazendo propaganda gratuita para tais empresas não.

    Se os clubes quiserem isso, que exijam em contrato, para a emissora que for transmitir o torneio.

    A verdade é que, financeiramente, a decisão do Bradesco foi a mais acertada. Enterrar 12 milhões por ano em um time de vôlei é besteira, com essa grana dá para patrocinar um grande clube de futebol, que dá muito mais retorno.

  4. fabio kadow

    Paulinho, parabéns pelo blog. Fiz um post sobre o assunto ontem lá no Jogo de Negócios, numa entrevista com o Marcelo Campos Pinto, da Globo Esporte. Esse é outro assunto que vale o debate. Abs!

  5. Marco Gavione Capello

    Rodrigo Disse:

    Abril 24, 2009 às 8:07 am | Responder
    Muita gente afirma e com razão, que existe a necessidade de mais empresas entrar no esporte e com justa razão, pois esta é a forma de melhor desenvolver o esporte, que não o futebol no Brasil. As empresas entaram dão nome aos times e esperam que nas transmissões a rede de tv que monopoliza as transmissões dêem o merecido retorno. Mas o que vemos? A emissora inventando nomes para as equipes, tudo para fugir da divulgação do patrocinador, mesmo que ele seja cliente da emissora. Então aparecem alguns absurdos, o Finasa vira Osasco, o Rexona vira Rio de Janeiro e por ai vai. Quando não tem como, eles inventam nomes: o time masculino de volei do Santander São Bernardo (ex- Banespa) vira, pasmem, Brasil Volei Clube (?) e o time de futebol do Pão de Açucar vira PAEC. É assim não dá. Quanto ao chapéu que o Bradesco tomou, está nas primeiras declarações que mais uma vez a equipe do Bernardinho foi favorecida pela arbitragem e que a CBV tratou a equipe com total falta de respeito, no pódium. Quanto ao Juca Kfouri, como bom especialista em futebol, ele ouviu o galo cantar mas não sabia aonde e noticiou errado. O ex-técnico da equipe Finasa/Osasco informou que a prefitura de BARUERI estaria interessada em patrocinar a equipe, da mesma forma que patrocinam o futebol

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    Rodrigo, parabéns pela análise, vc está certíssimo. Conheço pessoas ligadas ao marketing esportivo e todos comentam que acham mesmo um absurdo o que acontece no esporte amador neste país. Empresas patrocinadoras gastam milhões de reais todo ano, submetem-se a acerto entre confederações e emissoras de TV para transmissão, esperam ver suas marcas valorizadas, mas quando os jogos são transmitidos na TV, os nomes das marcas são vergonhosamente omitidos. Então, dá-se destaque á cidade do time, que na verdade em nada contribui com as despesas, e omite-se deliberadamente o nome do patrocinador. Na hora do filé mignon, de transmissão ao vivo das finais em rede nacional, a Rede Globo (e outras também fazem isso) só se refere a Rio de janeiro contra Osasco, Florianópolis contra Minas!!!! Tudo porque as empresas não são suas patrocinadoras … mas peraí, são patrocinadoras do volei e como tal deveriam ser respeitadas pela emissora de TV. Qual o incentivo então para patrocinar o esporte amador, se vc fica nas mãos de uma emissora de TV irresponsável e totalmente descomprometida com o sucesso do esporte. Porque ninguem cobra da Rede Globo e outras emissoras a responsabilidade delas também nesse triste episódio?
    Ora, eu fico puto da vida quando vejo jogo de volei e os repórteres e narradores omitem o nome dos patrocinadores!! No futsal e basquete é a mesma coisa!!!
    Isso sem contar as outras maracutaias, como favorecimento por parte da arbitragem, que foi visível na final do feminino.
    Se eu fosse Diretor do Finasa faria o mesmo e condicionaria a volta do patrocínio à divulgação da marca quando da realização dos jogos transmitidos pela TV. Jogaria a responsabilidade para cima da Rede Globo e Sportv. Aí eu queria ver as emissoras se justificarem , pois elas lucram muito com os investimentos feitos pelos patrocinadores nas equipes, ganham em audiência, aumentam o faturamento e nem sequer o nome dos patrocinadores eles divulgam em contrapartida!!

  6. Marco Gavione Capello

    Fábio Barbano Disse:

    Abril 24, 2009 às 9:56 am | Responder
    Eu acho que a Globo faz o certo, não tem que ficar fazendo propaganda gratuita para tais empresas não.

    Se os clubes quiserem isso, que exijam em contrato, para a emissora que for transmitir o torneio.

    A verdade é que, financeiramente, a decisão do Bradesco foi a mais acertada. Enterrar 12 milhões por ano em um time de vôlei é besteira, com essa grana dá para patrocinar um grande clube de futebol, que dá muito mais retorno.

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    Ah tá … o FINASA gasta milhões de reais com os salários de Paula Pequeno, Sassá, Thaisa e outras, o Pinheiros gasta milhões repatriando a Sheila, a Mari, a Fofão, o Rexona gasta milhões com Fabiane, Fabi, Dani Lins … TODAS ELAS JOGAM, APARECEM, DESFILAM nas telas da Rede Globo e da Sportv, dando uma audiência fenomenal às emissoras, que por sua vez exploram tais índices de audiência para negociar seus milionários contratos de publicidade … e mesmo assim nem sequer tem a dignidade de citar os nomes dos patrocinadores, que na verdade são os que possibilitam que o espetáculo seja de bom nível, com jogadoras talentosas e campeãs olímpicas … e vc ainda acha tudo isso normal???

    Meu amigo, se não fosse o FINASA, o REXONA, o CIMED etc, os bons jogadores iriam todos para o exterior e ficariam apenas os razoáveis. Aí eu queria ver se os jogos dariam tanta audiência. Com certeza não. O efeito disso seria a Globo e Sportv perderem receitas com contratos menores. talvez até deixassem de transmitir os jogos, pela baixa audiência … agora vc entendeu a importância dos patrocinadores?? A GLOBO e SPORTV simpleslemente lucram muito e quase nada gastam nessa história, tudo às custas dos patrocinadores dos times, que bancam as contratações e os salários!!!

    Parabéns pelo “brilhante” raciocínio … aliás vc deve ser sócio da Família Marinho não???

  7. william

    QUEM É ROQUE CITADINI MESMO????
    O DONO DA VERDADE??
    O VICE PRESIDENTE DA GESTÃO DUALIB???
    EU NÃO ACREDITO EM NADA QUE ESSE CARA FALA SINCERAMENTE PAULINHO , VC É GENTE BOA MAS , NÃO SE MISTURE COM A GENTALHA OK?

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  9. Marco Aurélio

    Fábio Barbano

    Só pode ser algum dirigente de time de futebol pra fala uma asneira dessa. Acorda pra vida sujeitinho dissimulado.

    O vôlei do nosso país é lindo, maravilhoso e forte no mundo inteiro.
    Temos os melhores atletas de vôlei jogando aqui.

    E parabéns ao Prefeito de Osasco, que lutou para manter o time na cidade. Um time vencedor, que tem uma torcida maravilhosa, e uma tradição de mais de 20 anos no cenário do voleibol brasileiro.

  10. Pedro

    Que blogueiro bem informado. Não é num todo mentira suas palavras, mas Osasco tanto tem torcida que conseguiu, graças muito aos torcedores, um novo patrocinio. E, sim, o vôlei é um exemplo. Paga salários em dia, tem um campeonato organizado… não se pode comparar ao futebol porque nada no Brasil se compara a tal, em termos de torcida, digo. Compare o vôlei ao basquete e terá a resposta do quão organizado e vitorioso o esporte é.

  11. Claudio

    Olha , o voleibol mudou a contagem dos pontos , institui o tempo da TV, muda as regras num intervalo de tempo pequeno .Tudo isso favorece a transmissao televisiva , chama dinheiro , mas dificulta a adesao .Os patrocinadores fazem uma verdadeira poluiçao visual entre as torcidas, e a coisa perde o sentido . Uma pessoa gritar na arquibancada Bradesco Finasa , nao faz sentido , nao me imagino fazendo isso

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