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Palavra do Magrão

Puro preconceito

Por SÓCRATES

A Paraolimpíada é tratada por alguns meios de comunicação como uma competição menor e mesmo descartável. Pode-se especular sobre as causas de tamanho desinteresse, relacionando-as ao materialismo dessas empresas ou a outras estratégias. Tenho, no entanto, uma opinião clara sobre o fato: puro preconceito.

Preconceito contra os portadores de necessidades especiais, que neste caso voltaram a ser tratados simplesmente como deficientes físicos, em uma clara manifestação do politicamente incorreto. A repercussão das intensas campanhas realizadas pela mídia para gerar efeitos de popularização em alguns atletas “não-deficientes” poderia também ocorrer com os paraolímpicos, caso estes tivessem o mesmo tratamento. Se Cesar Cielo, ganhador de duas medalhas, uma de ouro, pode desfilar em carro aberto quando volta ao País, o colega nadador Clodoaldo da Silva, ganhador de 13 medalhas em três Paraolimpíadas, seis de ouro, também mereceria os seus dias de glória nacional. E assim por diante.

Há um mês, clamava-se por medalhas como se fossem necessárias para o orgulho nacional. Hoje se despreza o grupo de atletas que subiu ao pódio mais do que o triplo em comparação com os “olímpicos”. E com muito menos patrocínio estatal ou renúncia fiscal. Difícil engolir esse tipo de coisa.

Caso delicado

Algum de nós já se imaginou emprestando dinheiro a um banco de varejo em dificuldades financeiras, fruto de má gestão ou outras formas de administração nem sempre lícitas ou éticas? É claro que não, pois uma situação como essa, de tal forma absurda, é inimaginável para mentes minimamente inteligentes. No mínimo, pelo alto risco da operação.

Temos visto, porém, no futebol brasileiro, de algum tempo a esta parte, uma série de operações deflagradas pelas estreitas relações entre agentes ou empresários de jogadores ou treinadores e clubes representados por seus gestores de plantão. Como no caso do empréstimo tomado pelo Corinthians, uma enorme soma de recursos do agente do treinador do clube, com o objetivo de contratar jogadores que estarão sob o comando do mesmo e que normalmente são por ele indicados, já que por aqui quem faz a política de contratações dos clubes é o técnico. Ou, por uma extrema coincidência, vermos a substituição de um atleta previamente convocado para a seleção brasileira por outro que trabalha com o mesmo empresário. Ou empresas criadas exclusivamente para viver das transações envolvendo jogadores possuírem atletas espalhados por vários clubes com interesses conflitantes, disputando a mesma competição e lutando pelos mesmos objetivos. São situações, no mínimo, inusitadas e delicadas. Só existentes em segmentos sem a transparência como norma de conduta.

Cadê o gênio?

O mesmo Corinthians segue célere na estrada da volta à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Muito por culpa da fragilidade de seus adversários e da enorme diferença de orçamento, a despeito da imensa dívida e das dificuldades de respeitar seus atuais compromissos. O que o Timão gasta é uma enormidade, aparentemente sem muita lógica. Diz-se que o clube se prepara para as competições do próximo ano e, por isso, está investindo. É lógico que planejar é uma ação auspiciosa e extremamente rara por estas bandas, mas não estou conseguindo detectar quais benefícios a instituição terá com a atual política. Até porque não contrataram nem um grande gênio que provocasse uma revolução técnica na equipe. Agora, se o objetivo é outro e está distante do nosso limitado entendimento, trataremos de esperar suas ramificações para detectarmos o que é e a quem presenteará.

Bem relax

Por fim, a seleção brasileira, que deu mais um vexame no empate contra a Bolívia. Depois do jogo no Chile, em que voltou com boa vitória, parece que os nossos jogadores foram para a banheira relaxar e de lá não saíram até a quarta-feira seguinte. O que vimos nesse empate foi uma absoluta falta de atitude em busca da vitória, como se ela pudesse cair do céu. E fomos piores que o pior time das Eliminatórias em boa parte do jogo. Só nos tornamos superiores depois da ajuda da arbitragem, que expulsou um atleta do time do presidente Evo Morales.

Gente, como é difícil entender esse time: jamais joga o que pode e quase nunca quer jogar. Que uma das causas do problema está na relação dos atletas com os que estão fora das quatro linhas, isto já estamos cansados de saber. O que não é possível a um profissional é jogar fora tudo o que construiu em anos de trabalho.

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. Luis Oliveira

    Genial o texto do Sócrates. Concordo plenamente com ele.

    A Seleção na Era Dunga é um time apático e sem identidade.

    É difícil fixar um time titular, os jogadores buscam todas as formas de conseguirem fugir das convocações e o time não está lá com grande folga na classificação para a copa de 2010.

    Um castigo justo seria a não classificação para o mundial da África do Sul. Algo inédito para a história do nosso futebol. Porém, como sabemos das ligações entre Ricardo Teixeira e Blatter, dificilmente veremos isso.

    Porém, creio que nos próximos jogos, cenas como a do Engenhão no jogo contra a Bolívia, serão bastante corriqueiras: estádios vazios e um enorme descrédito da nossa seleção junto a torcida.

  2. Justiceiro

    Puro preconceito: “time do presidente Evo Morales”.

    Desde quando a seleção brasileira é o “time do presidente Lula?”; ou será que a seleção chilena é o “time da Michelle Bachelet” ou a italiana o “time do Berlusconi?”.

    Bola fora do Sócrates nessa aí. Quanto às Paraolimpíadas, concordo.

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