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Palavra do Magrão

Viciado em esporte

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=1878

Tenho alguns vícios de há muito e luto para me livrar da maioria deles, sem, no entanto, ter conseguido até hoje. De qualquer forma, ao menos de algo posso me orgulhar: o de não acumular outros com facilidade. Insisto que, para agregar novos hábitos, necessariamente devo abandonar os atuais. O que cria, felizmente, defesas que me permitem atingir esse objetivo. O pior dos meus vícios, entretanto, jamais me incomodou. Ao contrário, gera um imenso prazer, que me empurra em sua direção, principalmente durante os eventos especiais. Falo da dependência em relação ao esporte. É notório que sempre estive de uma forma ou de outra ligado a ele, mas parece que a cada dia que passa sinto mais necessidade da sua presença.

Essa patologia se manifesta de forma arrebatadora e numa intensidade assustadora nos grandes eventos esportivos, como um Mundial de futebol ou uma Olimpíada. Mesmo em torneios pontuais não me deixa em paz.

Principalmente, quando a qualidade dos atletas e o equilíbrio da competição nos dão a expectativa de que tudo pode acontecer durante os embates em busca da vitória. Também existem esportes que nunca pratiquei, mas mesmo assim me fazem perder horas acompanhando seus principais torneios. É o caso do golfe. Não tenho a mínima idéia de como me portaria ao tentar executar alguns dos seus fundamentos e talvez jamais consiga embocar uma bola distante do buraco. Ainda assim, sempre que posso, acompanho a turnê.

Nas duas últimas semanas, tenho sido acometido de uma terrível insônia, provocada pelos Jogos de Pequim. Com o fuso horário de onze horas, muitas das principais competições ocorrem em plena madrugada brasileira. Para quem é viciado em quase todos os esportes, torna-se impossível assistir a tudo desejado. Mas, com um pouco de esforço, é possível ficar a par do que lá acontece. E mais uma vez a delegação brasileira esteve aquém do que todos esperavam e muito abaixo do que parte dos meios de comunicação apregoava desde os Jogos Pan-Americanos. Algo absolutamente normal, dada a falta de interesse do País nesse segmento para lá de importante. Os bons resultados, quando ocorrem, geralmente são fruto de esforços individuais, geralmente bancados pelos pais dos atletas. Mesmo aqueles de famílias mais carentes de recursos financeiros.

Não deixa de ser frustrante vermos algumas pequenas e muito mais pobres nações com resultados excepcionais diante dos nossos. É o caso da Jamaica, no atletismo de velocidade. Enquanto não conseguimos colocar nem um corredor nas finais, eles chegaram a ter um pódio completo, ganhando as três medalhas disputadas em uma determinada prova. Agora, a grande frustração para o público em geral foi gerada pela seleção masculina de futebol. Esperava-se bem mais da nossa equipe, mas ela esteve muito longe de corresponder às expectativas. Foi sempre um time sonolento, parecendo pouco interessado ou muito senhor de si, demonstrando até certa empáfia e acreditando que as vitórias cairiam do céu, sem muito esforço. Nas primeiras partidas, isso de fato aconteceu, pois tivemos adversários frágeis e deveras respeitadores da tradição do futebol brasileiro. Porém, quando topamos com uma equipe mais qualificada e muitíssimo mais comprometida com a competição, sucumbimos de forma incontestável. Com direito a olé nos minutos finais, o que provocou em nossos jogadores reações muito distantes do espírito olímpico, com múltiplas agressões aos adversários. Um comportamento de quem não está preparado para a derrota, o que muito me envergonha.

Muito diferente do que vimos após a última prova do heptatlo, quando todas as competidoras, absolutamente exaustas, cumprimentaram-se e aplaudiram a vencedora com direito a acompanhá-la na volta por toda a extensão da pista, a famosa volta olímpica. Reconhecer a capacidade e o talento dos oponentes não é uma demonstração de fraqueza, muito ao contrário é uma prova inequívoca de educação e respeito.

De outra parte, quem deu exemplo de dedicação e vontade de vencer foi a seleção feminina. No semblante de todas, percebia-se a extrema concentração na busca do sonho da medalha dourada. Entregaram-se totalmente à competição, como deve ser o comportamento de um atleta, mesmo aqueles de quem pouco se espera quanto a títulos ou vitórias. E isso nós vimos às centenas nestes quinze dias. Valeu a pena ter perdido muitas horas de sono. Que venha Londres 2012, se Deus quiser.

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Um comentário sobre “Palavra do Magrão

  1. valdir teodoro

    Infelizmente o Dr. é uma vergonha, pois tudo que escreve e fala ele não faz, muito pelo contrario deveria se decidir o que quer da vida.

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