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Intestinos do Brasil F.C.

Da Folha de São Paulo

 

JUCA KFOURI

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Não há fio de meada que se mexa neste país sem que se encontre os mesmos de sempre e, ainda, o futebol

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A PRISÃO de Daniel Dantas não tem nada a ver com o futebol.

Mas tem tudo a ver com o futebol. Como é freqüente.

Porque é impressionante como, vira e mexe, de alguma maneira o futebol surge entre as falcatruas nacionais, assim como impressiona como é sempre a mesma gente, ou quase, que circula em torno dos mais variados escândalos.

Os mesmos especuladores, os mesmos políticos, os mesmos empresários, publicitários, quase sempre quem fez fortuna do dia para a noite por habilidades, digamos, que vão muito além do empreendedorismo, jornalistas, inclusive.

Aliás, sempre é bom desconfiar de quem faz fortuna da noite para o dia, tantos são os exemplos recentes no Brasil de quem fez e acabou indo, mesmo que apenas por algumas horas, para a cadeia. Provavelmente pessoas que acharão que o custo/benefício é positivo e ainda dirão aos seus que Nelson Mandela também esteve na prisão -e por quase uma vida inteira.

Mas, para usar a expressão cunhada por Bob Fernandes, que deu o furo das prisões de Dantas e companhia em sua revista eletrônica “Terra Magazine”, o episódio é “o mais profundo mergulho nos intestinos do Brasil”.

E, é claro, tem a ver com futebol. A começar do fato de o Opportunity de Dantas ter se assenhorado do EC Bahia de maneira tal que até hoje, dois anos depois do rompimento da parceria, ainda permanece com carradas de direitos sobre o clube mais popular do Nordeste brasileiro, sem contar a ajuda que deu ao tricolor na direção não dos intestinos, mas dos infernos de nosso futebol, a terceira divisão.

Em meio às descobertas mais recentes da Polícia Federal, em inquérito comandado, lembremos, pelo mesmo delegado Protógenes Queiroz que conduziu as investigações da parceria Corinthians/MSI e que hoje faz parte de um grupo internacional que combate a lavagem de dinheiro no futebol, revelou-se que só uma das empresas sob o chapéu de Dantas, a Parcom, enterrou US$ 32 milhões no Bahia, tanto dinheiro que faria do clube uma potência se, de fato, no clube tivesse sido investido. A PF aposta que não.

Quem representava Dantas na parceria com o Bahia era sua irmã, Verônica, também presa na operação Satiagraha e que até andou sendo ouvida pelo Ministério Público baiano, em 2005, sobre a sociedade entre o banco e o clube.

Verônica que, por sinal, é companheira do candidato de Ricardo Teixeira para assumir o STJD, Francisco Mussnich, membro, aliás, indicado pelo cartolão da CBF, do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil e advogado de um sem-número de causas do Opportunity.

Uma só transação do período da parceria entre o banco e o clube, a do lateral-direito Daniel Alves, revelado pelo Bahia, dá a medida de como as coisas funcionam: ele foi vendido ao Sevilla por US$ 1,050 milhão em 2004 e, agora, quatro anos depois, cedido ao Barcelona por US$ 55 milhões.

Pois bem: o que se estranha no caso não é nem a estupenda supervalorização, quase 55 vezes em quatro anos, mas, sim, se acusa o fato de a transação não ter sido feita, à época, com os valores reais.

 

blogdojuca@uol.com.br

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6 comentários sobre “Intestinos do Brasil F.C.

  1. julia

    Aiai… lá vou eu ter que ir para o blog do Juca Kfoury para explicar de novo quem é Francisco Mussnich….

  2. Divanio

    Nada como Cazuza:

    “…As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
    Vai haver uma revolução
    Ao contrário da de 64
    O Brasil é medroso
    Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
    Vamos pra rua
    Vamos pra rua
    Vamos pra rua
    Vamos pra rua
    Pra rua, pra rua

    Vamos acabar com a burguesia
    Vamos dinamitar a burguesia
    Vamos pôr a burguesia na cadeia
    Numa fazenda de trabalhos forçados
    Eu sou burguês, mas eu sou artista
    Estou do lado do povo, do povo

    A burguesia fede – fede, fede, fede
    A burguesia quer ficar rica
    Enquanto houver burguesia
    Não vai haver poesia…..”

  3. Divanio

    Paulinho,

    Só para acrescentar ao privilégio dado ao Sr. Daniel Dantas, pelo ministro Gilmar Mendes do STF, acrescento :

    As duas medidas da “Justiça”
    Do Terra Magazine

    50% dos presos esperam decisão dada a Dantas
    Raphael Prado

    Metade da população carcerária brasileira, de acordo com números oficiais do ministério da Justiça, espera decisão semelhante àquela que o banqueiro Daniel Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Do total de 422.373 presos em todo o País, mais de 211 mil estão em situação provisória – ainda sem condenação – e poderiam aguardar o julgamento em liberdade, como ocorrerá com Dantas.Mas ao contrário do banqueiro das transações bilionárias investigadas pela Polícia Federal, grande parte desses demais detentos não tem condições de pagar um advogado e depende da ajuda do Estado para se defender. Aí então começa o problema e a diferenciação entre abonados e miseráveis.

  4. Anderson

    E você abre os jornais, os “éticos” e donos da verdade, referem-se da maneira mais nobre possivel. São tratados como “empresários”.

  5. Sergio Roberto

    Só queria saber os nomes dos jornalistas envolvidos nisso.
    ou eu ouví errado??
    Tem jornalista não tem??

  6. Pablo Maurutto

    E o hino do meu querido Bahia, que diz assim: “Vamos conquistar mais um tento, Bahia, Bahia, Bahia!”, foi mal interpretado.

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