Advertisements

O jogo é apenas um detalhe

HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Infelizmente, a partida de futebol se tornou um mero detalhe. Atualmente, no lugar de analisá-la, o noticiário de uma partida (tanto o pré, quanto o pós-jogo) se preocupa muito mais com bobagens que, na maioria das vezes, não têm nenhuma influência com que acontece (aconteceu ou acontecerá) dentro do gramado.

De repente, parece que polêmicas bobas se tornaram o centro de atenção de uma partida. No último sábado, por exemplo, não consegui acompanhar o segundo tempo de São Paulo e Portuguesa. Chegando em casa, procurei ligar a TV e o rádio para descobrir qual foi o placar da partida.

Fiquei mais de dez minutos ouvindo uma discussão sobre as declarações do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, que teria chamado o adversário de time pequeno. Não havia jeito: quem entrava no ar, jogadores, técnicos ou comentaristas, falava sobre o assunto. Sobre a bonita vitória da Portuguesa, pouco se falou ou se escreveu. Para descobrir qual foi o placar da partida, tive que ligar meu computador. E para saber como foi o jogo, tive que assistir à uma reprise do jogo já na madrugada.

Dei o exemplo da partida entre São Paulo e Portuguesa, mas a regra vale para qualquer partida. Virou mania após qualquer jogo se criar uma polêmica (quase sempre tola) nos vestiários. É reclamação de arbitragens, jogadores batendo boca com o técnico adversário e dirigente tentando aparecer falando bobagens. O que aconteceu no gramado fica para escanteio.

Virou muleta do jornalismo esportivo também criar um tabu para qualquer partida. Qualquer pequena coincidência que acontece duas vezes já é comentada como a maior escrita da história do futebol.

Fala-se que o time A não ganha do time B, na casa deste, há 40 anos. Mas não se fala que nesse período houve apenas dois encontros no estádio. Tabu de dois jogos? Isso não existe. Tenta-se achar coincidência em tudo: no nome dos jogadores em campo, no uniforme que o time usa, em um jogo que aconteceu há vários anos. Tudo é falado, mas sobre o jogo que vai acontecer em poucos minutos não se fala.

Na tentativa de provar que o jogador é uma pessoa “normal”, agora temos as chamadas matérias de comportamento. Outro dia, fui informado que o Léo Lima tem não sei quantas tatuagens. A quem isso interessa? Acho que o torcedor tem que ser informado que o jogador parece disposto a recuperar a sua carreira, depois de anos fazendo bobagens.

No jogo entre Palmeiras e Bragantino, perdeu-se tempo para descobrir o que era o gesto de Denílson nas comemorações dos seus gols, mas os problemas que o time enfrentou com uma nova formação tática no começo da partida foram esquecidos.

Também me irrita como virou mania saber o que jogador faz na sua folga. O atleta tem que ser cobrado pelo que faz em campo.

Até para a televisão, o que acontece no campo parece que não tem importância. Eu não agüento mais as câmeras mostrando torcedores enquanto a bola está em jogo. É um desrespeito com quem está em casa e já tem uma visão limitada do campo. Vocês já repararam que quando entram no ar as legendas dos gritos, a massa pára de gritar. Ela fica quieta, porque um lance importante está acontecendo, mas a gente só acompanha o final da jogada.

O futebol é tão rico que não precisa de polêmicas tolas e tabus inventados para atrair mais público ou audiência.

Até a próxima.

Facebook Comments
Advertisements

9 comentários sobre “O jogo é apenas um detalhe

  1. Denilson Martins

    Essa é toda a verdade, a televisão tá um lixo.

    Tá se perdendo audiência com porcaria.

    Eu mesmo, me peguei sem vontade de assistir programas esportivos, mesmo sabendo que meu time tinha vencido de maneira dramática, o Barueri.

    Motivo?

    Eu sabia que não iam falar do jogo, apenas que o juiz ajudou o SPFC, que o palmeiras é bonzinho, que o SPFC é vilão, e que tem novidade no Timão.

    Percebe, que mesmo que não a gente não assista um destes programas, já sabemos quais serão a abordagens?

    Tá um lixo.

    O futebol anda perdendo pra mutantes, e sendo trocado por BBB.

    Mas as pessoas que são responsáveis pelas programações das TVs, não percebem o erro.

    O Nazista Neves, perdeu pra uma imitação barata do Datena, e toma pau até do Pica Pau.

    O programa atual da Band, deixou seu caráter inicial, e deixou de tentar cativar o telespectador, pelo gosto do futebol, e passou a apelar pra idiotices.

    Resultado, mesmo sozinho no horário, chega a perder pra TV Cultura.

    Como é que um programador, um diretor de uma emissora, não percebeu ainda que a coisa tá um lixo, e que qualquer coisa, desde desenhos antigos, japoneses, policiais, e até programas educativos conseguem mais audiência que “esportivos” com esta linha editorial?

    Só a incompetência explica a manutenção destas aberrações, da forma como estão, nas grades das emissoras.

    PS: No rádio até entendo, afinal, é muito segmentado, e restrito, então se fala para aquela porção que gosta, digamos 10 mil ou 50 mil ouvintes,

    Mas a TV, que tem milhões ou um país inteiro ligado, não perdoa no ibope, estes programecos, e não adianta falarem que dão audiência, porque quem tem acesso aos números, sabe que raramente passam de 2,5 pontos no ibope.

    Paulinho: Lutam pelo ibope mas se esquecem da qualidade

  2. Jarbas

    Perfeito esse artigo. Isso só prova o que todos nós sabemos. Discutem assuntos fúteis, por um simples e óbvio fato. NÃO ENTENDEM NADA DE FUTEBOL. Que saudades de jornalistas esportivos de verdade. Hoje temos comentaristas de fofocas futebolisticas. Táticas,?esquemas? o que é isso?
    Acho que dá para contar em uma das mãos as excessões. Dizem que os técnicos reclamam dos arbitros para justificar ou desviar a atenção do desempenho de suas equipes. E eles? Jornalistas? Falam sobre as tatuagens do jogador, porque? Precisa responder?

    Paulinho: O nivel caiu mesmo

  3. Victor

    Concordo em gênero e número com o Humberto Peron. Só não concordo em grau, porque ainda acho que sou ainda mais irritado. Escrevi há pouco um post reclamando também de transmissões pela TV.
    O meu foco foi pela falta de emoção escondida em uma chatice travestida de “imparcialidade”. Mas se encaixa no fato de que ao invés de promover o jogo, as jogadas bonitas, defesaças, emoção, prefere-se ir inventar “notícia” e fazer “jornalismo”.
    Pô… tem de separar. Jornalismo é uma coisa, transmissão de futebol é outra. Os dois podem conviver (e devem), mas não são a mesma coisa.

    Paulinho: O problema é que o nivel realmente caiu

  4. Rodrigo Azeredo

    Na esteira desse belo texto, vou me permitir deixar meu ponto vista sobre algo que tem me incomodado na imprensa esportiva. Ultimamente o “problema das arbitragens” tem ganhado proporções enormes, muito por conta da análise estreita da imprensa, que parece não conseguir lidar com o aparato tecnológico que tem à disposição. Em virtude da precisão proporcionada pela evolução tecnológica, o aspecto humano do futebol não é mais levado e conta. O jogo não é mais visto com o olhar humano, mas pelo ponto de vista das muitas câmeras presentes nos estádios. Um olhar frio que desconsidera os aspectos físicos e psicológicos das decisões tomadas no calor de uma partida de futebol. Quando o computador paralisa a imagem, que pode ser aproximada num clique e vista por diversos ângulos, e ela passa a ser a única verdade admissível aos olhos de quem está diante da televisão, o pobre árbitro perde o direito de piscar os olhos. Além de ser obrigado a ter visão de raio x e reflexos de super homem. Não discuto aqui a necessidade de mudança na regra do jogo para permitir que a tecnologia atue também em prol dos árbitros. Isso parece inegável. O que critico é a perda de sensibilidade dos que analisam o futebol. Ao comentarem decisões de arbitragem, criam mentirosos a partir de verdades impossíveis de serem observadas por eles. Enfim, o olhar da imprensa passou ser preciso, infalível, e sua sensibilidade e tolerância passaram a ser idênticas às de um computador.

    Paulinho: Há de se ter tolerancia para alguns equivocos

  5. jorge

    So faltou falar da enorme perda de tempo com erros de arbitragem,que muitas vezes para serem comprovadas precisam de repeticoes e tira teima.E coitado do arbitro…

    Paulinho: As vezes há realmente o exagero

  6. Randal

    Incrível. Alguém escreveu tudo o que eu tinha vontade de dizer.
    Concordo em 100%.
    Faltou apenas falar sobre os supostos “comentaristas de arbitragem”.
    Com tantas câmeras e diversos ângulos, eles falam o óbvio e ainda brigam com as imagens.
    É insuportável.

    Paulinho: É bem por ai

  7. valdir teodoro

    Muito boa está análize, só esqueceu de dizer dos comentáristas torcedores, niguêm merece.

    Paulinho: Eles tem que separar o coração da razão

  8. Denilson Martins

    O Randal matou a pau.

    Não existem comentaristas de arbitragem, mas comentaristas de imagens privilegiadas capitadas por câmeras em pontos estratégicos.

    Quem condena hoje, são os mesmos que erraram, não por lapso ou por não ter visto, mas com dolo, num passado não muito distante, e cujas operações sem anestesia, estão esquecidas, pela carência de imagens na época.

    Xô pra gente escrota.

    Paulinho: É bem por ai

  9. Marcos Gracindo

    Concordo com tudo que falou Humberto, esta um “saco” assistir jogos pela TV se fala de tudo menos do jogo, sera que é para não sabermos que eles não entendem nada de futebol, vide as tramissãos da bad o que o srº Neto fala de besteira é uma grandesssssssa!!! Ha muio tempo não assisto mais os programas sobre futebol na tv esta um lixo!!!

    Paulinho: um abraço

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: