Corrupção no Paraná

Polícia investiga manipulação de resultados no PR  


Elaine Felchacka


Especial para o Terra 


Policiais apreenderam documentos e um notebook da FPF   


 Uma nova ação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil do Paraná pode trazer informações sobre a suspeita de manipulação de resultados de campeonatos realizados no Estado, pela Federação Paranaense de Futebol (FPF).


Na manhã desta sexta-feira, policiais apreenderam documentos e um notebook do departamento financeiro da entidade, além de dois carros penhorados pelo Justiça para pagamentos de dívidas.


O escritório da empresa Comfiar, atrelada à FPF, foi lacrado pelos agentes. “São apenas suspeitas ainda. Vamos fazer o cruzamento de informações para podermos chegar a uma conclusão”, disse o delegado-chefe do Nurce, Sérgio Sirino.


De acordo com Sirino, as informações levantadas a partir desta sexta devem ser cruzadas com os dados obtidos no Caso Bruxo, em que quatro pessoas foram punidas por envolvimento em corrupção no futebol paranaense, no ano de 2005.


“O Caso Bruxo é um inquérito policial e acredito que até semana que vem teremos alguma novidade. Pretendemos finalizar o caso nos próximos dias, já que estamos investigando desde julho”, completou o delegado.


A suspeita de manipulação de resultados surgiu, segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, a partir de um depósito feito pelo Galo Adap, em 2006, de cerca de R$ 200 mil. O valor foi depositado na conta do Colégio Técnico de Futebol, que era mantido pela FPF.


A suspeita é de que o time de Maringá tenha se beneficiado das facilitações para subir da Série Prata para Série Ouro do Campeonato Paranaense. O clube se defende, alegando que entregou toda documentação sobre os depósitos a policiais do Nurce, na última terça-feira.


Em nota oficial, a diretoria diz que a documentação entregue é referente à partida entre Paraná e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, que aconteceu no Willie Davids, no dia 14 de maio de 2006. O clube diz ainda que a própria FPF indicou a conta onde foi depositado o valor.


Na nota consta também que o depósito é “referente a uma antecipação parcial das Despesas e Taxas de Borderô da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF)”.


Operação Cartão Vermelho


A operação foi deflagrada na última segunda-feira, com a prisão do ex-presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, e outras oito pessoas. Moura é suspeito de ser o mentor da quadrilha e de, junto com outras pessoas, ter desviado cerca de R$ 5 milhões da entidade.


O grupo é investigado por suspeitas de desvio de dinheiro, fraudes, estelionato e apropriação indébita. “As informações que apareceram durante os primeiros depoimentos fizeram com que voltássemos a Federação para buscar e apreender novos documentos”, explicou o delegado operacional do Nurce, Alexandre Bonzatto.


Além de lacrar o escritório da Comfiar, policiais apreenderam documentos da Comissão de Construção do Estádio do Paraná (Cocep), que seria uma empresa que também teria sido usada para desvios de dinheiro da FPF, de acordo com o delegado adjunto do Nurce, Robson Barreto.


“Suspeitamos que a conta bancária da Cocep também foi usada para depósitos, assim como a Comfiar, mas vamos continuar investigando”, afirmou Barreto.

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