O adeus de Roberto Dias.
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O craque que parava o Rei
Por Daniel Fernandes
A década de 60 é o que se pode chamar de a ‘época da escuridão’ da história do São Paulo. O jejum de títulos, sem precedentes, experimentado pelo clube por ocasião da construção do Morumbi, só era atenuado pela genialidade de um zagueiro. Roberto Dias Branco era o único jogador que arrancava suspiros de alegria da torcida tricolor naqueles anos em que todo dinheiro era empregado na compra de sacos de cimento, não na contratação de jogadores.
A fama do jogador se fez por suas excelentes partidas diante do Santos, na época o melhor time do mundo. São-paulinos que costumavam acompanhar o clube na época são unânimes: “Dias era o único capaz de marcar Pelé.”
Exageros à parte, o jogador atuou no São Paulo durante pouco mais de doze anos e deixou o Morumbi para atuar no Jalisco, do México. Desde que estreou com a camisa são-paulina, em julho de 1961, Dias disputou 450 jogos pelo time e marcou 69 gols.
Assim como o clube, Dias amargou os anos sem títulos com cautela e paciência. A diretoria do São Paulo havia embarcado no projeto de construir o maior estádio particular do mundo. E assim, num distante bairro da Zona Sul de São Paulo, o clube tricolor dava início ao sonho de construir o Cícero Pompeu de Toledo, estádio que passaria a ser conhecido pelo nome do bairro que o abrigava: Morumbi.
Nesta época, o São Paulo entrava em campo, digamos, sem pretensão de conquistas. O time era modesto, sem estrelas, e cabia a Dias os poucos momentos de alegria da torcida. E dessa forma, o São Paulo atravessou uma década inteira até o ano de 1970.
O Morumbi estava pronto e a diretoria passou a investir na contratação de jogadores badalados. Foi assim que Gérson chegou ao Tricolor, entre outros atletas. O resultado foi imediato e o Tricolor conquistou o bicampeonato paulista em 70 e 71. Estes foram, aliás, os únicos títulos expressivos de toda a carreira de Dias.
O início da nova década, aliás, marcou um pesadelo pessoal para Roberto Dias. Ele sofreu um infarto e se retirou dos gramados por praticamente um ano para tratar do problema. Em 1973. a diretoria são-paulina, em uma atitude pouco louvável, concedeu passe livre para o craque solitário.
Dias fechou contrato com o Jalisco e desembarcou no México, país ainda embasbacado pelo futebol da seleção brasileira na conquista do tricampeonato mundial. Depois, o jogador ainda defendeu as cores do Guadalajara, mas acabou voltando ao Brasil. Dias ainda tentou se aventurar, durante uma temporada, pelo Dom Bosco de Cuiabá. Mas encerrou a carreira de maneira prematura antes do início da década de 1980.
A aposentadoria não foi fácil. O ex-ídolo são-paulino vivia com o pouco dinheiro a que tinha direito pelo falido INPS. Com o passar dos anos, resolveu emprestar a sua genialidade para formar garotos em escolinhas de futebol. E lá, de volta aos gramados, tratava os meninos com a mesma simplicidade que, em muitos duelos, serviu para anular o Rei do Futebol. Foi recontratado para trabalhar no São Paulo nas categorias de base, onde exerceu sua profissão até 25 de setembro de 2007, quando teve um enfarto. No dia seguinte, Roberto Dias faleceu na capital paulistana
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