Sobre o relatório da PF
Por André Kfouri
COLUNA DOMINICAL
Você pode escolher seu destino. O Blog do Juca, a revista eletrônica Terra Magazine, ou, se preferir o toque do papel, a edição deste domingo da Folha de S. Paulo.
Seja qual for sua opção, a viagem será a mesma: um passeio pelas entranhas da “parceria” (entre aspas, porque a realidade mostra exatamente o contrário) entre o Corinthians e a MSI, cortesia dos jornalistas Juca Kfouri e Bob Fernandes.
Os dois tiveram acesso ao relatório feito pela Polícia Federal brasileira, que detalha as descobertas da “Operação Perestroika”, investigação com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que escancarou o esquema criminoso chefiado pelo bilionário russo Boris Berezovski, ao qual o segundo clube mais popular do Brasil se prestou de maneira espontânea e vergonhosa.
Evidentemente, é leitura obrigatória.
Os detalhes são espetacularmente enojantes. Mentiras deslavadas, intrigas, ciúmes, suborno, desprezo pela Lei, certeza da impunidade e dinheiro, muito dinheiro.
Lixo puro.
Mas, devo confessar, é divertido. Seres humanos de qualidade duvidosa, que se julgam espertos, foram flagrados pelos grampos legais da PF, e agora estão expostos ao ridículo que são.
Estão todos lá. Além do chefe russo, o laranja Kia Joorabchian, o operador Renato Duprat, as marionetes Alberto Dualib e Nesi Curi, o obediente Andrés Sanchez.
Alguns (bem) menos cotados também estão na fita. A neta, a noiva, o advogado, os vice-presidentes, o diretor de futebol.
O relatório da Polícia Federal é um filme sobre o crime organizado que não foi apenas inspirado numa história real. É uma história real.
E um capítulo central dessa história se passou no gabinete do presidente da República. Lula se reuniu com Dualib, Curi e Duprat, para tratar de possíveis investimentos de um criminoso internacional no Brasil.
Porque, você sabe, eles são brasileiros e não desistem nunca.
Sugiro a leitura da reportagem perto de um banheiro, para minimizar as consequências de um enjôo.
Principalmente se, até hoje, você deu ouvidos e olhos àqueles que bateram palmas, incentivaram e elogiaram a transformação de um clube que tem 30 milhões de torcedores numa lavanderia de milhões de dólares sujos.
É porque você leu e ouviu as pessoas erradas.
Elas também fazem parte dessa pouca-vergonha.

