Do blog do Juca

Republico abaixo um texto de apresentação do estudante de jornalismo Felipe Santos.


Antes de tudo, atesto que conheço o Felipe pessoalmente, é pessoa de bem, e digo, sem medo de errar, que tem potencial para ser um dos maiores jornalistas do país.


Em sua apresentação, o Felipe foi bem modesto quanto a sua qualificação, que pode ser comprovada em alguns textos já publicados nesse mesmo espaço e também no blog do Juca.


Muito prazer!


Felipe Santos


Olá, blogueiros !


Li um comentário, da senhorita Roberta Campos, do Rio, perguntando quem sou eu. Pois bem, responderei em pessoa. Para poupar trabalho a Juca Kfouri e para evitar as maledicências que pululam sobre um digníssimo parceiro do blog, Paulo Cezar de Andrade Prado.


Vamos lá: Felipe dos Santos Souza, nascido e criado em Osasco-SP, vindo ao mundo no dia da desgraça de 15 de julho de 1986, alto (1,85 m), gordo (113 kg), residente na cidade natal, filho de uma professora do ensino público e de um advogado. (Ih, será que eu conto, será que não…está bem, eu conto: o advogado de formação também é o prefeito de Osasco. E é do PT ! Pronto ! Agora o Leandro de Paula, outro dos constantes blogueiros a comentar, vai ficar encarnando na minha, residente que é de Osasco. E Conrado Giacomini, o ombudsman do blog, ganhou mais um saco de pancadas.)


Apenas para constar: não sou petista, estou indefinido em política, assunto de que gosto. João Paulo Cunha e Sílvio Pereira são amigos de juventude de meu pai, conheço José Dirceu, José Genoíno e Lula. Mas isso não impede que eu tenha opiniões próprias a respeito do que fizeram – e opiniões nada abonadoras, diga-se de passagem. Nem impede que eu adote postura reservada em relação à carreira política de meu pai, evitando até dizer que ele é uma pessoa honesta e que jamais cometeria atos corruptos. É meu pai, gosto dele, mas não ponho a mão no fogo. Esse esclarecimento é necessário para evitar o maniqueísmo asqueroso que campeia por aí, segundo o qual “petistas e relacionados são pulhas, tucanos são decentes” ou vice-versa.


Não tem muitos amigos. Não está no Orkut. Não gosta de festas. Não gosta de falar de mulheres – acha um desrespeito com elas, principalmente quando vê quem prefere comentar sobre a beleza de jogadoras de vôlei ou basquete a comentar sobre o jogo em si. A única que faz questão de elogiar em público é a atriz estadunidense Danielle Panabaker, a quem é dedicado este texto. E faz questão de dizê-lo, mesmo sabendo que dificilmente ela o saberá.


Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, mas que ainda não sabe se essa foi a escolha certa, de tão tímido e avesso a polêmicas que é. A ponto de, quando apresentado a Juca Kfouri, na CBN, no fim de 2006 – foi convidado pelo próprio a comparecer, já que trocavam mensagens na Internet havia cinco anos -, ter demorado duas horas até se apresentar. Além de tímido, é calado e pouco sorri.


Gosta de ler o que cai na sua frente. Em música brasileira, ouve de tudo, mas seu gosto se resume aos Paralamas do Sucesso, aos Titãs – com oito, sete, seis, cinco, quantos integrantes forem – e à Elis Regina (na verdade, mais a César Camargo Mariano e aos músicos que tocavam com a cantora, o que provavelmente agradaria a ela, que dizia: “Não sou estrela coisa nenhuma. Sou dona de casa e crooner do conjunto do César”). De música do exterior, gosta de The Clash, The Police e The Jam. Não vê atração nenhuma em Beatles, Stones, Who, U2 e outras bandas ditas obrigatórias. Respeita a história e tudo, mas não dá a mínima para estes conjuntos. Também tem uma cultura inútil considerável – o título deste artigo é igual ao de uma canção de Xuxa Meneghel, do disco “Sexto Sentido”, de 1994. Dizem que sua memória é prodigiosa, que seu texto é brilhante e que ele é honesto. Ele discorda das três afirmações.


Fanático por acompanhar esportes, principalmente o futebol, embora ache importantíssimo saber tudo o que ocorre nas outras modalidades. É corintiano. O único motivo de exultação que ele tem com o time por estes tempos é o fato de ter um homônimo jogando no time do coração, e em sua posição preferida, goleiro. Na Europa, acompanha devotamente o futebol holandês e, em especial, o Ajax. Logo, não surpreende que seja fã incondicional de Edwin van der Sar, que, a despeito da idade, crê ser o melhor goleiro do mundo. Para defender o experiente arqueiro nederlandês, é capaz de dizer que ele sabe jogar com os pés melhor do que o excelente Rogério Ceni (certo, são-paulinos ?).


Feito o prontuário, vamos à justificação do texto de ontem.


Escrevi o texto “Os jogadores (também) têm culpa” a partir de um incômodo com o fato de que somente os cartolas e os empresários levam a culpa por tudo de ruim que acontece no futebol brasileiro. Concordo que a culpa deles é a maior de todas, mas detesto que os jogadores sejam colocados somente como vítimas da história, como sói acontecer na imprensa esportiva do país (o mal assolava até João Saldanha).


Os atletas não tomaram consciência da importância que têm para o futebol. Casagrande, quando perguntado se haveria espaço, hoje, para uma experiência como a Democracia Corinthiana, diz que não. Também pelo reacionarismo da cartolagem, mas principalmente pelo paternalismo dos profissionais, que preferem o comodismo a lutar por seus direitos. Basta dizer que alguns até gostariam que a Lei do Passe, que tanto os escravizou, voltasse.


Com relação a ganhar dinheiro, considero que ir mudando de lugar de trabalho à medida que o salário aumenta é compreensível, mas pouco recomendável. Se eu me tornar jornalista profissional, gostaria de ficar trabalhando em determinado veículo por cinco, dez, quinze, vinte anos. Acho o lado financeiro importante, mas creio ser muito mais bela uma história de fidelidade ao lugar em que se trabalha. E por que não se pode ser assim no futebol ? O profissionalismo é necessário, mas um lado amador não faz mal a ninguém. Pode-se aliar amor à camisa e remuneração, sim, senhor.


Nilton Santos construiu uma belíssima história de quinze anos com o Botafogo. E nem por isso vive na penúria, hoje. O dinheiro depende de sua boa administração, seja ele muito ou pouco.


Ingênuo, como alguns disseram ? Pode ser. Sou mesmo. Dir-se-ia uma Velhinha de Taubaté. Mas que mal há em ser ingênuo ?


Finalizando, agradeço, penhorado e sem ironias, às objeções dos leitores do blog. Concordo que seu texto tem vários pontos falhos – meu ponto fraco é a argumentação -, mas procurarei melhorá-lo. Não sou catedrático nem nada, apenas dei a sorte de ter um espaço como este para poder expôr minha opinião. Vocês expuseram as suas. E assim se faz a democracia. 

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