Perguntas para Falcão do futsal
Navegando pela internet, encontrei uma entrevista realizada pelo brilhante reporter da CBN, Eduardo de Meneses, com o jogador Falcão, que já foi considerado o maior jogador de futsal do mundo.
Duas perguntas em especial me chamaram a atenção, vou reproduzi-las abaixo:
Saindo das quadras, o tema agora é futebol de campo. Em um rápido relato, como foram suas passagens por Portuguesa, Palmeiras e São Paulo?
R: Foram três situações bem diferentes. Na minha opinião, a verdadeira passagem foi pelo São Paulo. No Palmeiras, foi no ano 2000. Fui levado pelo Ademir da Guia que adorou minha apresentação em um torneio de futebol society, no litoral paulista. Conversamos e fui levado para a academia de futebol. Foi uma semana de testes maravilhosa. Cheguei, coloquei o colete do treino, fiz um amistoso contra o Flamengo de Guarulhos, marquei um gol e errei apenas três passes. No outro dia, coletivo com gol, enfim, tudo ótimo. O problema é que eu tinha apenas uma semana para provar meu talento afinal estava com contrato com o Banespa, no fustal, que me liberou para o teste. Tudo ia bem, até a derrota do Palmeiras por 5 a 1 para a Ponte Preta, e o técnico Marco Aurélio foi demitido. Chegou o Celso Roth, pediu um pouco mais de tempo mas não dava. O Marcos, o Galenao e o Alex lamentaram minha saída.
Já na Portuguesa, em 2002, foi pior. A estrutura é ruim, voltei de uma contusão no joelho e me colocavam para treinar forte a parte física. Não dava, peguei minhas coisas e fui embora. Agradeço por não ter ficado.
No São Paulo, foi tudo muito curioso. Meu irmão arrumava os computadores da sala da presidência do tricolor. O presidente Marcelo Portugal Gouveia estava sempre lá. Certa vez, depois de uma manutenção, meu irmão entrou no meu site e colocou alguns vídeos. O Doutor Marcelo disse que gostava das jogadas. Meu irmão falou que também era fã do Falcão. Em um papo de amigos, o presidente do São Paulo perguntou se o Falcão daria certo no futebol de campo. Meu irmão falou que sim e revelou o parentesco. Conversei com a diretoria tricolor e fechamos um acordo para o ano de 2005.
Mas no meio do caminho tinha Emerson Leão….
R: Pois é, até hoje a coisa ficou no ar. Tenho certeza de que daria certo como atacante. Treinava bem, estava com bom condicionamento físico e vontade aprender sempre. No início, tudo foi bom. Tempo depois, o assédio aumentou. A torcida não parava de gritar meu nome, a imprensa me procurava e achei que ali tudo daria certo. Me enganei. O Leão não se conformava. Senti o lado pessoal na situação. Não era relacionado, era proibido de dar entrevistas, quando eu estava no banco de reservas, os jogadores não podiam aquecer atrás do gol porque gritariam meu nome. Dentro do vestiário, ele nem me olhava. Eu chegava em casa e estava triste com a situação. O grupo me adorava, a torcida também, a diretoria me elogiava mas o treinador não. O Leão começou a falar que não daria certo. Cara, tinha saído das quadras com o prêmio de melhor do mundo em 2004 e o Leão tem um nome maravilhoso no futebol, não precisava daquilo. Enquanto isso, o pessoal da Malwee Jaraguá do Sul me ligava para voltar. Joguei no domingo contra o Mogi Mirim, apenas um tempo, chutei uma bola na trave e fui depois para Santa Catarina. Acertei minha saída e na segunda a noite, premiação do título paulista, o Leão anunciou a saída dele e eu convoquei a imprensa para anunciar a minha na terça-feira mesmo a diretoria do São Paulo tentando me convencer a ficar. Adoro todos no São Paulo, sou são-paulino, levo boas experiências mas o Leão podia ser um pouco mais humano. Voltei as quadras e me senti em casa.
