Mensagem para Nuzman
Está no blog “A verdade do Pan”
http://averdadedopan2007.blogspot.com/
Recebi e publico, mais um ato de coragem do professor. Adianto que o Ilmo Presidente do COB/Co-Rio já recebeu a mensagem
Rio de Janeiro, 16 de junho de 2.007
Sr. Carlos Arthur Nuzman,
Programou-se para o dia 14 de junho de 2.007 um debate em uma Universidade de Campinas, no qual se tratou da questão dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Estava reunida muita gente interessada no esporte nacional, professores de educação física, atletas, dirigentes e jornalistas. Sua presença e a do ministro Orlando Silva estavam confirmadas, sendo que somente na noite anterior, os organizadores receberam comunicado de que ambos não compareceriam. O público, frustrado, somente ficou sabendo na hora.
Era a grande chance que V. Sas. teriam de se explicar sobre todos os escândalos que os colocaram, hoje, à margem do esporte nacional. O programa seguiu sem as suas presenças e, claro, as críticas que se ouviram acerca de sua pessoa, do Ministro, do Comitê Olímpico Brasileiro, do Co-Rio e da forma atrapalhada como está se preprando esses jogos Pan-Americanos foram unânimes.
A comunidade esportiva do Brasil é contra a sua administração. Você não é uma pessoa admirada no mundo do esporte. Tenha a certeza disso. Havia uma lista de perguntas preparada especialmente para V. Sa. Uma relação de serviços e obras contratadas sem licitação pública, sob a responsabilidade do Comitê Olímpico Brasileiro e do Co-Rio e pagas com dinheiro do Governo Federal. Não estava V. Sa. lá, tampouco o Exmo. Ministro de Estado, para respondê-las.
Havia, também, atletas pobres, da região de Campinas, que iriam indagar sobre promessas feitas pelo próprio Governo Federal, durante as campanhas políticas, de investimentos no esporte de base daquela região e que nada houve. Mas, em contra-partida, esse mesmo Governo Federal deu-lhe um cheque em branco para pagar um orçamento mais de dez vezes acima do custo original, para construir verdadeiros “elefantes brancos”.
Havia gente, também, questionando critérios ditatoriais no COB, do porque a escolha de uma cidade em detrimento de outra e do porque de sua manutenção indefinida na presidência do COB, por uma mudança de estatuto, que impede Lars Grael, por exemplo, de combatê-lo nas urnas. Se V. Sa. quer ficar tantos anos no poder, que fique. Mas que tenha a coragem de combater seus opositores. Hoje para enfrentá-lo nas urnas qualquer um está obrigado a figurar nos poderes do COB por pelo menos cinco anos, o que, na prática, significam dois mandatos. E, logicamente, serão pessoas que terão sido eleitas com V. Sa., em sua chapa e que não irão combatê-lo. Isso, disseram lá em Campinas, é covardia de sua parte. Chamaram-no de covarde estatutário eleitoral, até mesmo porque não teve a coragem de combater André Richer em 1.992, tendo sido seu Vice e virando presidente por uma manobra casuística de estatuto, patética. Em 1.992, V. Sa. não tinha maioria no plenário votante. De novo, apequenou-se. Foi falado em alto e bom som que V. Sa., Carlos Arthur, sabe que se tiver que concorrer a alguma eleição no COB, com os estatutos livres e democráticos, perderá novamente.
Também queriam saber de suas relações com Marcus Vinícius Freire, representante por muito tempo da AON Seguros do Brasil, que faz os seguros de seus atletas e é sócio de Ricardo Aciolly, que ganhou os direitos de distribuição dos ingressos do Pan-Americano. Mas V. Sa. não estava lá para responder. Falaram mais. Perguntaram, também em alto e bom som, porque o COB tem uma agência exclusiva, chamada Tamoyo Turismo, há anos, que é de sua amiga íntima, Cristina Lowndes e se alguém quiser competir com ela, isso é impenetrável. Que essa agência tem o monopólio das vendas de ingressos e pacotes para os Jogos Olímpicos desde 1.996 e que isso contraria da lei da defesa da libre concorrência no Brasil, sendo uma questão de direito econômico. E que V. Sa. faz pressão para que as Confederações também usem essa mesma agência. Mas a lei, ora a lei. O Esporte não dá bola para isso.
Havia também uma pergunta específica, sobre a questão do doping no Brasil e aquela matéria publicada na Folha de São Paulo, em que ficou comprovado, com fotografia, que em vez de apenas dois frascos numerados para colheita de urina para exames oficiais, como mandam as Leis da Agência Internacional Anti-Doping, no Brasil há vários frascos com a mesma numeração, o que pode, facilmente, conter várias urinas de cidadãos diferentes para, eventualmente, ocultar um dopping que tenha sido positivo, de algum atleta famoso. Certamente V. Sa. se lembra dessa reportagem, com fotografia e tudo, provando o que estou escrevendo aqui, com declaração do Dr. De Rose de “que passaria um pito na Confederação Brasileira de Atletismo”. Ora, isso não é para “passar pito”. Isso para demitir uma diretoria inteira.
Por que V. Sa. fugiu, mais uma vez, do enfrentamento, do debate?
Nós, do esporte, só temos a lamentar.
Como tem falado o Jornalista Antero Greco na ESPN Brasil: ” No final esse Pan-Americano acaba saindo. Mas a que preço?, Huuuuummmmm “
Saudações esportivas de quem realmente ama o esporte.
Professor de Educação Física Homero Blota
