Entrevista com Vitor Birner


Vitor Birner é jornalista, contratado pela rádio CBN, divide a apresentação do programa CBN E.C. com Juca Kfouri, escreve em um respeitadíssimo blog na internet, o Blog do Birner.


http://blogdobirner.zip.net/ 


É um dos maiores comentaristas esportivos do país, enxerga uma partida de futebol como poucos e a explica como ninguém.


 


Vitor, quando e como descobriu que tinha aptidão para o jornalismo ?


Ainda não tenho certeza se fiz a melhor escolha. Sou crítico, não aceito padrões sem questioná-los, o que acho importante para um jornalista.


Como foi seu início de carreira ?


Oficialmente na CBN, mas escrevi em jornal de faculdade, fiz trabalhos terceirizados e trabalhei em rádios comunitárias.


Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?


O jornalismo me deu alguns amigos e o carinho das pessoas. No mais, as dificuldades continuam as mesmas. Do início até hoje, pouca coisa mudou.


Qual o seu maior momento como jornalista ? E qual o que quer esquecer ?


Acredito em sacrifício, trabalho diário e não em genialidade. Quando faço um grande trabalho, esqueço rapidamente. Quando não trabalho como acho que deveria, demora um pouco mais, contudo também esqueço. Há dois momentos que guardo com carinho, mas não porque foram grandes.


Eu, no Mundial de 2002, fazia o plantão na Copa do Mundo com curiosidades sobre as seleções. A CBN tinha uma grande equipe de comentaristas, como o Juca, Tostão e outros. Quando terminou o jogo do Brasil diante da Bélgica, o debate deles começou. Eu, lá do fundo, peço o direito de opinar, o que não havia feito em nenhum jogo. O Marco Aurélio, âncora da transmissão, delicadamente diz sim. “Se conheço o Felipão, hoje o Juninho perdeu o lugar para o Kleberson, o que vai arrumar o meio de campo da Seleção.”, falei. Foi o que aconteceu.


O outro foi uma discussão com o Gérson, Ronaldo Castro, Álvaro Oliveira e Morsa. O Canhota e o Morsa tiravam sarro da minha cara porque eu tinha dito, segundo eles, algo absurdo. Falei que o Felipão era melhor que o Luxemburgo e mais, que entre os dois, por várias razões, eu contrataria o Felipão. O tempo me deu razão.


Já sofreu algum tipo de censura ?


Claro !


Entre as inúmeras atividades profissionais que você executa diariamente, qual a que te proporciona maior prazer ?


O CBN Esporte Clube, depois o comentário das partidas.


A dobradinha que você faz com Juca Kfouri no CBN Esporte Clube é das mais elogiadas do rádio esportivo. Nunca pensaram em leva-la para a televisão ?


Eu adoraria, mas é o Juca quem manda. Também não sei se algum chefe de emissora tem interesse em nós.


Qual foi a pessoa que mais contribuiu para a sua evolução como profissional ?


Juca Kfouri, meu professor.Há os que contribuem, mesmo sem que tenha trabalhado com eles. Sou fã do PVC, o melhor jornalista do mercado. Aprendo muito escutando o que diz. Há outros.


Quais as sua maiores influências no jornalismo ?


Não tenho. Acho essa história de influência uma bobagem. Cada vez que alguém fala, ouço. São seres humanos, não Deuses ou proprietários da verdade e conhecimento absolutos. Juca, PVC, Mauro Cezar, Celso Unzelte e Paulo Calçade são ótimos.


Qual a sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?


Pouco criativo e muito preocupado em fazer média.


O que você acredita que pode ser melhorado no relacionamento entre imprensa e o jogador de futebol ?


Difícil. O ideal seria não ter relação. Acho um absurdo quando jornalistas se colocam em condição inferior a do entrevistado, independentemente da editoria.


Admiro quem salva vidas, acaba com a fome, doença, diferenças sociais e violência.


Esses são especiais, mas infelizmente há poucos.


O que você jamais faria como jornalista ?


Das que ocorrem ? Muitas coisas.


Qual a sua opinião sobre jornalistas que fazem “Merchan” ?


Alugam a credibilidade em troca de dinheiro. Como o jornalismo, na essência, não pode abdicar da crítica e denúncia, fazer propaganda é contraditório.

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