Juca Kfouri malufista ?
Por Felipe Santos
Juca Kfouri malufista ?
Felipe Santos
Quando querem desqualificar Juca Kfouri, normalmente falam que “ele é malufista”, ou que apoiou Maluf, ou qualquer coisa assim.
Tudo surgiu a partir de um manifesto, chamado “Pelo Futuro de São Paulo”, escrito às vésperas da eleição de 1992 que elegeria o prefeito paulistano. A disputa era entre Paulo Maluf (do então PDS) e Eduardo Suplicy (PT).
Vai daí, a partir de um escrito assumidamente ambíguo e malicioso (Juca admite isso), Maluf se aproveitou para espalhar que os signatários do documento o apoiavam incondicionalmente.
Mas, até agora, pouco se leu “Pelo Futuro de São Paulo”.
Sendo assim, aproveito o espaço generosamente cedido para transcrevê-lo, na íntegra e ipsis litteris. Aliás, lamento não saber escanear o documento, de modo que não reste nenhuma dúvida de que ele foi honestamente trancrito.
E deixo um desafio: quem achar no manifesto alguma menção nominal de apoio a Paulo Maluf, por menor que seja, ou mesmo se lembrar de alguma vez em que Juca Kfouri esteve no palanque de Maluf em 1992, gritando “Maluf Prefeito – Boa Sorte São Paulo”, o slogan da campanha, diga, nos comentários.
Alias, penso até em enviar o manifesto para os desafetos de Juca.
“Pelo Futuro de São Paulo”
A solução democrática do afastamento do presidente Collor, atendendo ao clamor público por moralidade, não deve interromper sob qualquer pretexto mas ao contrário facilitar – no governo Itamar Franco, com mais legitimidade e apoio do Congresso – a continuação de reformas estruturais orientadas para a modernização econômica, social e política do país.
São também reformas modernizadoras, ao nível urbano e metropolitano, os objetivos alcançados que devem nortear a escolha do próximo prefeito de São Paulo, entre os dois candidatos democraticamente selecionados no primeiro turno eleitoral. Ao lado de compromissos com seriedade e transparência, que ambos têm proclamado, bem como de boa articulação com a Câmara Municipal eleita, de um novo prefeito deve ser cobrado, basicamente, que esteja à altura dos desafios de São Paulo no liminar do Século 21.
Esses desafios reclamam a combinação de sensibilidade social, experiência administrativa e abertura para mobilizar recursos (locais, nacionais e externos) necessários a grandes investimentos na renovação da esgotada infra-estrutura urbana e ampliação das políticas sociais, hoje tão precárias. Além de competência na aplicação dos limitados recursos públicos, é preciso atrair capitais privados para aqueles serviços que devam e possam ser privatizados.
Com tal combinação – que deverá incluir amplos controles sociais, a partir do Legislativo, e adequada cooperação com os governos do Estado e federal – é que será possível modernizar as estruturas da cidade, estimulando a geração de empregos, e dar racionalidade e eficiência aos serviços municipais, melhorando a qualidade de vida da população.
Preocupados com soluções democráticas, socialmente justas e realistas para os grandes problemas de São Paulo, que têm escala nacional e até internacional, voltamos as nossas vistas para o futuro, interessados em buscar convergências e não em cultivar políticas de confrontação do passado. É assim que nos situamos diante da disputa democrática do segundo turno paulistano do próximo dia 15 de novembro.
São Paulo, outubro de 1992.
Guiomar Namo de Mello – Educadora
Hugo Marques da Rosa – Empresário
Rodolfo Konder – Escritor
Carlos Apolinário – Deputado Estadual
Enilson Simões (Alemão) – Sindicalista
Tom Eisenlohr – Publicitário
Maçahico Tisaka – Engenheiro
Gaudêncio Torquato – Professor
Rodolfo Peano – Economista
João Doria Junior – Jornalista e Publicitário
Ana Maria Detthow Pinheiro – Ambientalista
Roger Karman – Empresário
Hélio Oliveira – Jornalista
José Ibrahim – Sindicalista
José Roberto Bernasconi – Engenheiro
Teodoro Meissner – Jornalista
Flávio Valsani – Relações Públicas
Léo Gilson Ribeiro – Crítico literário
Osmar Santos – Radialista
Juca Kfouri – Jornalista
Paulo Pereira da Silva – Sindicalista
Marco Antonio Rocha – Jornalista
Edson Di Fonzo – Jornalista
João Renato V. Pinheiro – Empresário
Annamaria Dias – Atriz
Oswaldo Cruz – Administrador de Empresas
Regis Frati – Assessor Sindical
José Marques de Melo – Professor
Oswaldo Assef – Relações Públicas
José Sebastião dos Santos – Sindicalista
Lutero Maynard – Jornalista
Roberto Kasinsky – Empresário
Klaus Kleber – Jornalista
João Scortecci – Editor
Jarbas Holanda – Jornalista
Julio Serson – Empresário
Walter Feldmann – Vereador
João Ricardo Penteado – Jornalista
Simão Jardanowski – Produtor Cultural
Itoby Alves Correa Jr. – Advogado
Rosi Mallet – Jornalista
Laerte Traldi – Médico Veterinário
Prof. José Luiz Aquino – Organista
Paulo Nogueira Neto – Professor
