Entrevista com Toquinho

Toquinho nasceu em São Paulo em 6 de julho de 1946. Seu nome é Antonio Pecci Filho . Sua mãe o chamava de “meu toquinho de gente”. E o apelido “Toquinho” permaneceu.
Vamos a entrevista,
Toquinho, quando começou a se interessar por musica ?
Sempre fui cercado de muita musica. Meu pai comprava discos de todos os gêneros, na década de 1950. Aí, surgiu meu interesse pelo violão, e veio a Bossa Nova, eu me envolvi com tudo isso.
De onde surgiu o apelido “Toquinho” ?
Eu crescia pouco na primeira infância. Então, minha mãe me chamava de “meu toquinho de gente”. E “Toquinho” foi ficando até hoje e para sempre.
Como e quando iniciou sua carreira ?
Foi durante a década de 1960, época em que o radialista Walter Silva (Pica-pau) passou a produzir muitos shows no Teatro Paramount, em São Paulio. Eu era do grupo de iniciantes, faziamos a primeira parte dos shows.
Quais as maiores dificuldades que enfrentou no inicio ?
A década de 1960 foi muito rica artisticamente. Sempre houve espaços generosos para mostrar talentos e tempo para serem observados e avaliados. E tive sorte de me aproximar e me tornar amigo de gente que sabia mais que eu, assim aprendi muito, além de ganhar oportunidades importantes.
Quando descobriu o seu talento de compor ?
Foi inevitável. Do acompanhamento, passei para o solo no violão. Daí para a composição foi uma trajetória natural. É de 1964 minha primeira musica, com letra de Chico Buarque: “Lua Cheia”.
Quais foram suas influências musicais ?
Bem, o Paulinho Nogueira foi meu grande mestre, inesquecível ! Baden Powell era um ídolo que sempre persegui, pela força e pela limpeza do som. Edgard Gianullo e Oscar Castro Neves me ensinaram os segredos das harmonias. Dessa mistura toda fabriquei meu estilo.
Sua parceria musical com Vinicius de Moraes encantou o mundo pela qualidade das composições e pela maravilhosa musica. Qual o momento mais marcante dessa parceria ?
De uma parceria que durou 10 anos ficam muitos momentos marcantes. O início, com uma produção envolvente e avassaladora. Chegamos a gravar dois discos num ano. O grande prazer de ficarmos juntos, trabalhando e nos divertindo ao mesmo tempo. As viagens durante os shows dos Circuitos Universitários, as inumeras que fizemos pelo Brasil todo e na Europa também. Por fim, dois shows memoráveis: o do Canecão, em 1977, ao lado de Tom Jobim e Miúcha; e o dos Dez Anos de Parceria, em 1979.
Qual seu maior sucesso ?
Sem dúvida, “Aquarela” .
Qual sua composição mais pessoal ?
Tem algumas, “Canção para Mônica”, com quem fui casado durante alguns anos, mãe de meus filhos. “Ao que vai chegar”, feita antes de Pedro nascer. “Canção para Jade”, de rara inspiração, na letra e na melodia registrando toda atenção e todo o carinho de um pai para uma filha. E “Meu irmão”, feita para o João Carlos, num momento de muita emoção.
Você teve outras parcerias de destaque em sua carreira, quais as que te deram mais prazer em trabalhar ?
O prazer em trabalhar é imprescindível numa parceria. Do contrario, não sai nada. Trabalho muito com Mutinho, com quem fiz mais de 30 canções, inclusive as três primeiras citadas acima. Com Elifas Andreato desenvolvi o projeto “Canção para todas as Crianças”. Tem também os trabalhos para peças teatrais, com Giafrancesco Guarnieri, e , mais recentemente, com Paulo César Pinheiro. Há aquelas parcerias que podem se renovar a qualquer momento, com Chico Buarque, Paulinho da Viola, Carlinhos Vergueiro… E uma extensa produção junto com os italianos Maurizio Fabrizio e Guido Morra, proporcionando-me uma grande popularidade na Itália.
Você é idolatrado e amado em varios lugares do mundo. Em que lugar se sente mais querido ? Por quê ?
A Itália é o pais que me projetou internacionalmente, principalmente com o sucesso de “Aquarela”. Adoro sua gente, suas cidades, seus costumes. Lá me sinto em casa.
Quais seus próximos projetos ?
O lançamento do Kit (CD e DVD) “Passatempo”, com músicas que influenciaram minha formação, que eu ouvia nas decadas de 50 e 60, como “Labios que beijei”, “El dia que me quieras”, “Balada triste”, entre outras.

