Palmeiras, ingressos e a fábula do escorpião

Ontem, o Blog do Paulinho expôs rumores de que a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, estaria lucrando, por meio da empresa Placar, da qual é sócia com o marido, José Lamacchia, com a comercialização direcionada de ingressos para a final da Libertadores da América, vinculada à venda de pacotes por uma agência de viagens.

Entradas que poderiam ter sido comercializadas a preços mais acessíveis aos torcedores comuns.

Ao longo do dia, confirmamos que a Placar participa da operação.

O jornal O Globo, que também noticiou o caso, recebeu a seguinte nota do Palmeiras:

“(…) a Century, que é a operadora responsável pelos pacotes disponibilizados pela Palmeiras Viagens, fretou aviões de diferentes companhias, como GOL, Azul e Placar”.

Trata-se de um caso inusitado.

Por quais razões o clube, e não a operadora de turismo ou a empresa de Leila, respondeu sobre detalhes de uma relação comercial que, em tese, não lhe pertence?

A nota suscita questionamentos ainda mais graves.

Não apenas confirma que uma empresa de Leila Pereira participa comercialmente da operação envolvendo a final da Libertadores, como revela uma estrutura de contratação intermediada por terceiros, que merece ser devidamente esclarecida.

É necessário saber quem contratou quem, quais valores estão envolvidos e de que maneira a presidente do Palmeiras se beneficia financeiramente de uma operação relacionada ao clube que administra.

Tudo isso somente veio à tona após a imprensa noticiar o caso, sem que houvesse, até então, comunicação prévia e transparente aos torcedores sobre a participação da empresa da dirigente.

O pior é que a presidente do Palmeiras sequer precisa do dinheiro.

Mas, como ensina a fábula do escorpião e do sapo:

Um escorpião pede carona a um sapo para atravessar um rio.

O sapo recusa, com medo de ser picado, mas o escorpião argumenta que, se fizer isso, ambos morrerão afogados.

O sapo confia e aceita transportá-lo.

No meio da travessia, porém, é picado.

Antes de afundar, pergunta ao escorpião por que fizera aquilo, sabendo que ambos morreriam.

O escorpião responde:

“Não pude evitar. É da minha natureza.”

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