Ministro Fux transforma o STF em Congresso.

Por ROQUE CITADINI

O ministro Fux, do Supremo Tribunal Federal, convocou uma audiência pública para debater questões da medida provisória que proíbe as bets no país.

Lá estarão os interessados em manter a jogatina, numa reunião tipicamente parlamentar e estranha às competências de uma Corte Constitucional.

É uma típica invasão do STF às competências do Congresso e do Executivo, que está se tornando regra no Judiciário.

É uma excrescência essa “audiência pública”.

Quem faz isso é o Executivo e o Legislativo.

Ao Supremo Tribunal Federal caberia tão somente dizer se a medida provisória é ou não inconstitucional.

Se a medida do governo nada tem de inconstitucional, não cabe ao STF discutir uma outra solução.

E é isso que o ministro Fux está fazendo.

Transformou o mais alto poder do Judiciário num novo parlamento.

É um caminho errado e com graves consequências, mas, infelizmente, não é inédito.

A lei que aprovou a nova distribuição dos royalties do petróleo está bloqueada há décadas pelo STF, a pretexto de ouvir as partes e buscar uma outra solução que não está na lei.

Cabe somente ao STF dizer se a medida provisória que proíbe as bets é ou não inconstitucional?

Se não ferir a Constituição, deve ir em frente, e não querer um acordo, como indica o ministro Fux.

Curioso que essa invasão do STF às competências do Executivo e do Legislativo não provocou nenhum protesto da mídia. Simples porque a mídia tem interesse em continuar com a jogatina.

Quem deveria protestar, neste caso também, é a OAB, mas nada disso está ocorrendo.

O ministro Fux não é parlamentar.

É juiz e deve votar como juiz, e não buscar alterar a lei porque uma parte não gosta


*Texto originalmente publicado nas redes sociais de Roque Citadini

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